quarta-feira, 11 de março de 2015

Aulas práticas de Inteligência Interpessoal

Estória #1

Nesta semana fui a uma consulta com um profissional de saúde juntamente com minha esposa. Diálogo travado logo no início da consulta, na qual cheguei 8 minutos atrasado:

 - Eu (com um sorriso no rosto e buscando contato visual): "Olá Doutora XYZ, desculpe o atraso, acho que não sei mais dirigir em Belo Horizonte, passamos pelo centro da cidade e ficamos meio perdidos."

- Dra. XYZ (sentada olhando para a tela do computador, sem olhar para nós, sem sorrir e sem repetir o meu nome): "Qual o motivo da sua consulta?"

Não desistimos, minha esposa diz: 

 - "Quem nos indicou seu nome foi a JKL, acho que vocês foram colegas de faculdade."

 - Dra. XYZ (ainda sem desviar o olhar do computador): "Não tive nenhuma colega com este nome. Você poderia se levantar para checarmos seu peso e altura?" (como a consulta era minha imaginei que estivesse se dirigindo a mim)

 - Minha esposa; "Hum, acho que na verdade ela disse que vocês trabalharam juntas."

- Dra. XYZ (checando meu peso e altura na balança, e ainda sem fazer contato visual): "Eu trabalhei com uma pessoa com este nome." (mais nada...)

Desistimos, e confesso que quase fui embora na mesma hora. Procurei ser otimista e imaginar que a doutora estivesse tendo um dia ruim (pensei até em perguntar isto, mas confesso que tive receio).


Estória #2

Fui com a família no final de semana passear no Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Estávamos no pátio interno do CCBB quando minha filha mais velha (5 anos) entrou na cafeteria Sou Café para pegar uns folhetos num balcão (costume herdado do pai). Uma garçonete foi EXTREMAMENTE atenciosa com ela, separando os folhetos e perguntando se ela queria mais alguma coisa. Confesso que fiquei tão feliz com o ocorrido que resolvemos entrar e fazer um lanche. Outro garçom nos atendeu, com o mesmo padrão de excelência e gentileza. Ainda disse algo mais ou menos assim:

  - "Olha, o senhor pediu dois pães de queijo, uma tapioca, um café e dois sucos, temos uma promoção que inclui um pão de queijo, um café e um suco, sai mais em conta, posso alterar no seu pedido?"

Na hora de ir embora não resisti, fui ao gerente e disse:

  - "Posso lhe dizer uma coisa? Há muito tempo eu não recebia um serviço tão atencioso e gentil em Belo Horizonte, meus parabéns a toda a equipe."

 O gerente agradeceu muito e disse que espera contar com a nossa presença de novo no futuro. Pode apostar nisto!

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Notaram a diferença de relacionamento com o outro nos dois casos? Para mim foram uma verdadeira aula de Inteligência Interpessoal, ou Competência Social, algo sobre o qual reconheço ter muito a aprender (falei disto aqui ) mas já um pouco para ensinar :) E estamos falando de algo básico, gentileza e educação, não custa lembrarmos que todo diálogo é uma relação entre iguais (eu e outra pessoa) e não entre eu e um objeto. Isto é algo bastante explorado pelo filósofo austríaco Martin Buber em seu livro "Eu e Tu", de 1923! 


Capa de "Eu e Tu", de Martin Buber

E como falei que acho que tenho um pouco a ensinar sobre o assunto anote aí: estou programando uma oficina sobre Inteligência Emocional aqui em Belo Horizonte para a noite de 10 de abril, sexta, em breve divulgo detalhes por aqui e nos meus outros canais (mailing, LinkedIn, Twitter e Facebook)!

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Nova Lima, BRASIL - 11 de março de 2015.

Um comentário:

  1. Muito bom, as comparações acima demonstra que o 2º caso (cafeteria) sem duvida alguma é um empreendimento de sucessos.

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