domingo, 22 de novembro de 2015

"Além do Divã"

"Além do Divã" é o nome da recém publicada autobiografia de Flávio Gikovate, psiquiatra brasileiro autor de dezenas de livros e praticante da chamada "psicoterapia breve", na qual aliás identifiquei vários pontos de contato com o coaching.


Meu exemplar chegou ontem (sábado) à noite, e terminei a leitura agora pela manhã. Simples, direto, instigante (no sentido de nos fazer pensar) e generoso, afinal o autor compartilha conosco conceitos e ideias embasados em cerca de 50 anos de prática na qual atendeu mais de 10.000 pacientes!

Confiram este trecho, que confesso que me fez sentir uma ponta de inveja, pois o autor conseguiu colocar em palavras algo que sempre pensei mas nunca consegui articular tão bem:

"Amor é paz e não aventura. Os casais que gostam de aventura podem, juntos, programar atividades mais emocionantes. O amor adulto, em última análise, é a repetição da sensação de paz e aconchego que, um dia, sentimos no colo de nossa mãe. A aventura estava em descer do colo e ir explorar o entorno. O amor é o porto seguro, o mesmo para onde a criança corre quando se vê em apuros. Os que entendem que essa é a natureza do amor e não esperam desse sentimento o que ele não pode dar sentem-se extremamente felizes e realizados com este tipo de encontro."

Você pode até não concordar com tudo o que o Gikovate diz em seus livros, mas senti uma afinidade de pensamento muito grande com este e outros livros mais recentes deste excepcional autor. E ele ainda é um exemplo para mim, que pretendo viver 100 anos e permanecer ativo até o fim da minha vida: 73 anos de idade, atendendo em seu consultório, fazendo programa de rádio na CBN, e compartilhando conosco em seus livros suas reflexões embasadas em fatos observados e não em meras suposições. Podemos até não concordar com tudo o que ele diz, mas não é pouca coisa nos dias de hoje ler um autor que nos faz no mínimo repensar boa parte dos nossos conceitos. No mais, é como ele diz nas palavras finais do livro:

"Tudo o que fiz foi trabalhar muito e registrar o fruto de minhas observações. A qualidade e importância dos resultados são algo que não me cabe avaliar."

Flávio Gikovate (fonte: site do autor)

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Ivo Michalick, 22 de novembro de 2015
Belo Horizonte - BRASIL


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Sete dicas de carreira

Sete dicas de carreira, extraídas de entrevista que dei para o PMI Brasil recentemente:


  1. Nossa vida é muito mais do que nossa carreira, portanto antes de termos um projeto de carreira precisamos ter um projeto de vida.
  2. Nossa saúde física e mental é a base de tudo em nossa vida, inclusive dos nossos fracassos, e cuidar dela é um projeto indelegável.
  3. Família e amigos valem muito mais do que fama e dinheiro.
  4. Nossos sucessos e fracassos dependem principalmente de nós mesmos, e devemos enxergar os fracassos como fonte de aprendizado.
  5. Aprenda com os erros e fracassos, seus e principalmente dos outros (assim você erra menos!).
  6. Procure sempre aprender coisas novas, incluindo coisas não associadas ao seu plano de carreira.
  7. Use e abuse das técnicas de gerenciamento de projetos em seus projetos pessoais e profissionais.

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Ivo Michalick, 05 de novembro de 2015
Belo Horizonte - BRASIL

domingo, 25 de outubro de 2015

Projeto "Recovery 2015" - Parte 3

O que eu tive foi um tumor na coluna, chamado Plasmocitoma. Fui operado em 13 de agosto e desde então iniciei o processo de recuperação e outro de investigação, para descobrir a real natureza do tumor, em especial se ele é único ou se existem outros. Quanto à recuperação estou indo bem: já consigo caminhar sozinho, mas de forma claudicante, e não posso carregar peso. E ainda tenho o problema da falta de sensibilidade nas duas pernas, que continua alta, o que dificulta ainda mais a movimentação. Fiz radioterapia em setembro, o que aliado à cirurgia praticamente eliminou o tumor encontrado, que era originalmente do tamanho de uma bola de golfe (sério, vejam na imagem abaixo), alojado em volta da vértebra T11 e que acabou comprimindo a minha medula, causando uma dor excruciante nas costas e paralisia total da cintura para baixo.


 Antes (Plasmocitoma) e depois (oito parafusos e duas hastes)

Sobre a investigação: já fiz uma quantidade ENORME de exames, incluindo biópsia de medula. Ainda não tenho o diagnóstico final da hematologista, mas tudo leva a crer que se trata de um tumor solitário, o que a se confirmar será uma EXCELENTE notícia. E não se assustem, a coisa é bem melhor do que pode parecer acima e eu continuo achando que vou viver 100 anos, mantendo o projeto pessoal de chegar a este marco com saúde física e mental :) 

Aliás, sobre esta coisa de viver 100 anos, recomendo a todos a edição corrente da revista "Mente e Cérebro", à venda nas bancas (#273, out/2015). Confiram a capa:


Capa da revista "Mente e Cérebro", edição de outubro/2015

Aqui temos de novo as receitas para vivermos mais e melhor, o que começa por cuidarmos bem do nosso corpo. Vejam que coisa, eu tive problema de coluna inicialmente há pouco mais de dois anos, fui a um ortopedista, fiz fisioterapia, melhorei e optei por não retornar ao médico. ERRADO, por favor aprendam com meu erro e não deixem a parte médica de lado. Está com uma dorzinha chata há algumas semanas numa parte do corpo? Vá ao médico e trate a coisa toda como um projeto...

E por último: neste processo todo eu já perdi uns 12 quilos, mas não recomendo a nenhum de vocês este tipo de regime :)

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Ivo Michalick, 25 de outubro de 2015
Belo Horizonte - BRASIL

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Projeto "Recovery 2015" - Parte 2

Pessoal,

Bom dia! Seguem notícias atualizadas do meu projeto "Recovery 2015":

Antes, explico aqui como o projeto começou:



Alguns eventos relevantes do projeto:

1. Kickoff (involuntário :): 10-ago
2. Cirurgia: de 12 para 13-ago (cerca de 4 horas de duração):
3. Saída do hospítal: 21-ago
4. Primeira ida da cadeira de rodas para a cama sem ajuda do cuidador (só com a Luiza dando apoio moral): 25-ago
5. Retirada dos pontos: 26-ago

Diário de bordo:

No momento estou com mobilidade limitada (cadeira de rodas e andador), praticamente livre de dor, fazendo exercícios de movimentação com andador e na cama, e ainda dependendo de sonda para fazer xixi (santa Luiza, depois que saí do hospital foi ela que fez todas as minhas sondagens). Durante o dia tenho dois cuidadores se alternando para cuidar de mim, em especial para o banho, que é o processo mais complicado. Ontem tirei os pontos da cirurgia, e a ferida parece estar muito bem. 

Estou usando TUDO que conheço de GP e mindfulness neste projeto, e estou muito satisfeito com os resultados.

Logo no início do processo suspendi todos os compromissos presenciais até 26-set, e este é no momento meu horizonte para retomar atividades profissionais presenciais. Por enquanto estou trabalhando online cerca de 4 a 6 horas por dia.

E sabe quando a coisa tá feia e a gente passa aquele filme na cabeça, pensando no que está errado na nossa vida? Nossa, no meu caso foi muito legal, pois só achei duas resoluções a executar, vejam:

1. Cuidar melhor de mim: mente e corpo. Tenho uma família maravilhosa e AMO a experiência de ser pai e marido, e pare fazer isto direito preciso estar bem.

2. Tratar melhor a Luiza: não me entendam mal, eu não sou nenhum monstro, mas ela é praticamente a única pessoa em quem "solto os meus cachorros", levantando a voz e soltando uns palavrões de vez em quando. Em quase 18 anos de relacionamento ela JAMAIS respondeu de volta, o que dá uma ideia da companheira excepcional que tenho ao meu lado. Ela merece e farei de tudo para ser um marido melhor.

Lições aprendidas (até agora):

1. (acho que vou cobrar cachê por esta): UNIMED BH é uma rede de saúde excepcional, o único defeito que achei neles foi o fato de só cobrirem a região metropolitana de BH. O hospital deles em Santa Efigênia é nota 10, fui atendido por uma equipe multidisciplinar com cirurgiões, clínicos gerais, oncologista, enfermeiras e técnicas de enfermagem, psicóloga, nutricionista, assistente social e fisioterapeutas, todos muito positivos, educados e sempre dizendo a verdade.

>>> O item acima foi editado por mim em 21-jul-2016, confira os motivos aqui.

2. Técnicas de gerenciamento de projeto: funcionam de verdade para projetos pessoais, tenho todo um plano na cabeça, com marcos, metas e usando planejamento em ondas sucessivas.

3. "Mindfulness": por causa do meu trabalho com coaching venho estudando e buscando praticar mindfulness, e isto tem me ajudado demais, em especial nos primeiros dias. Sempre que a mente tentava ir para o futuro eu focava na respiração e no momento presente, observando TUDO ao meu redor. Nossa, como funciona! Melhor livro sobre o assunto que achei até agora:

"Wherever You Go, There You Are",  Paperback – January 5, 2005, by Jon Kabat-Zinn

  
4. "Baby steps": meu objetivo final com o projeto é correr no Parque JK com as minhas filhas, mas no momento me reservo o direito de não definir "a ferro e fogo" quando isto deve ocorrer, focando num pequeno passo de cada vez. Por exemplo, no momento meu próximo objetivo é urinar sozinho, livre de sonda.

5. Rede de proteção - dinheiro: acredito que dinheiro não traz felicidade, mas ter uma reserva garantida de X meses me deu toda tranquilidade para aceitar perdas de receita nas próximas semanas e contratar a rede de apoio que julguei necessária (cadeira de rodas, andador, cuidadores etc.).

6. Rede de proteção - família e amigos: eu não poderia escolher lugar melhor para passar por tudo isto, Belo Horizonte, minha cidade, onde tenho toda a minha rede amigos e os dois lados da família, além da família da minha esposa. Estou adorando receber visitas e ser "paparicado"!

7. Eu sou meu capitão: é claro que devemos ouvir as opiniões e recomendações que nos são dadas, mas ninguém conhece melhor nosso corpo e mente do que nós mesmos. EU sou o gerente do meu projeto, e uma das primeiras ações que executei com sucesso foi me assegurar de que conto com a melhor equipe possível para trabalhar comigo :)

8. NCRW: no coaching co-ativo, escola que sigo como coach, um dos pilares é:


Esta é uma GRANDE verdade, nós temos uma força interior fantástica, que eu inclusive acredito que pode se conectar com a de outras pessoas e assim aumentar ainda mais (algo como uma "comunhão sinergética"), e isto está sendo fundamental em meu processo de recuperação.

Por enquanto é isto, um abraço e obrigado pela força até aqui!



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Ivo Michalick, 27 de agosto de 2015
Belo Horizonte - BRASIL

terça-feira, 18 de agosto de 2015

A personal project

Hi guys,

This is a message to all my English-speaking friends, PMI staff, fellow volunteers and business associates:

Last Monday (August 10) I had a sudden, excrutiating back pain episode. Lots of painkillers to handle the situation, doctor appointment on Tuesday afternoon, still in a lot of pain, and paralysed from the waist down early Wednesday, when I was removed to the hospital.

After about 12 hours of tests, pain and a lot of moving from one bed to another,  I underwent back surgery from Wednesday night to early Thuirdsay. The doctors removed a big part of a tumor the size of about a golf ball lodged in my spine and compressing the marrow, causing swelling, pain and the numbness. Serious stuff!

The surgery was a success, the "thing" seems to be benign (not some sort of cancer, but that is  being thoroughly explored) and now (Tuesday morning, five days after surgery) I am siting at a hospital bed writing this message to you. My current and most important project is to be back on my feet again and run with my girls in the park near home, and I called it "Recover 2015". Seems corny, but it is what it is :)

Recovery time is uncertain, I am counting maybe two more weeks here, and then physical therapy and all the rest. I canceled all my face-to-face professional appointments for the next six weeks (until September 25) and my current goal is to be available to be back "on the road" then. Sorry to those of you with whom I had cancel appointments, but if there is something we can call "force majeure" this is it :)

Feel free to use this blog post to make any comments, it feels good to read get well messages and stuff, and I hope to some most of you in the upcoming months!

I wish you all the best :)

Ivo Michalick

Picture taken from my hospital window

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Belo Horizonte, August 18, 2015
BRAZIL

quarta-feira, 1 de julho de 2015

"Triggers" e uma parábola budista

"Um jovem fazendeiro estava coberto de suor enquanto remava seu bote rio acima levando mantimentos para a vila. Era um dia quente, e ele queria fazer a entrega e voltar para casa antes do anoitecer. Ao olhar para a frente, ele notou outro barco, vindo rapidamente rio abaixo em sua direção. Ele remou furiosamente para sair da direção do barco, porém sem sucesso.

Ele gritou, "Saia da frente! Você vai bater em mim!" Sem sucesso de novo. O outro barco bateu no dele com força. Ele exclamou, "Seu idiota! Como você conseguiu bater no meu barco no meio deste rio tão largo!" Porém, ao olhar para dentro do barco procurando o indivíduo responsável pelo acidente, o fazendeiro reparou que não havia ninguém dentro do outro barco, que estava vazio. Ele esteve gritando o tempo todo para um barco vazio que havia se desprendido de um ancoradouro rio acima e estava descendo o rio sozinho por conta da força da correnteza."

Fonte: tradução livre deste autor a partir de "Triggers", de Marshall Goldsmith.



Muitas vezes nos comportamos como o fazendeiro da parábola acima, culpando outras pessoas (ou pior ainda, outras COISAS) por nossos problemas... Isto nos permite ficar irritados, culpar os outros e nos fazer de vítima.

Isto não é bom para nós, precisamos entender que temos muito pouco controle sobre o nosso ambiente/mundo externo, sejam coisas, sejam pessoas. Confiram estes outros exemplos dados por Marshall Goldsmith em "Triggers":

1. O colega de escritório que gosta de aparecer nas reuniões interrompendo os outros (incluindo você) e pensa que é mais inteligente do que os outros. Barco vazio.

2. O motorista que fica na sua traseira o tempo todo sem ultrapassar e fica piscando os faróis. Ele faz isto todo dia, com motoristas diferentes, hoje foi com você. Carro vazio.

3. O funcionário do banco de terno e gravata que recusou seu pedido de empréstimo por causa de um pequeno erro de ortografia no formulário de aplicação? Ele vê um formulário, não você. Terno vazio.

4. A caixa de supermercado que deixou de colocar nas suas embalagens a latinha de enchovas gourmet que foi o principal motivo da sua ida ao supermercado, já que você precisa dela para sua receita de jantar para os amigos hoje à noite. Ele passou o dia cobrando e empacotando itens para os clientes, uma latinha de 100 gramas é fácil de passar despercebida. ela não fez de propósito, e com certeza não para você. Outro veículo vazio.

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Pessoalmente me identifiquei MUITO com este trecho do livro, pois me remete à essência do Zen Budismo e da filosofia estoica, nos mostrando que só temos algum controle sobre nós mesmos, e podemos e devemos escolher como vamos reagir aos acontecimentos. Nada de passividade vazia, mas sim agir usando a razão ao nosso favor. Quem conseguimos mudar com mais facilidade: nós mesmos ou os outros? É como diz Marshall, ficar com raiva de outra pessoa por ela ser ela mesma é como ficar com raiva de uma cadeira por ela ser uma cadeira...

"Triggers" foi uma das minhas melhores leituras nos últimos tempos, e com certeza vou incorporar vários instrumentos e ensinamentos do livro à minha prática de coaching! Quer se tornar uma pessoa melhor? Confira este livro!



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Nova Lima, BRASIL - 01 de julho de 2015.

sábado, 28 de março de 2015

Fritz Perls, eu, você e Raul

Esta postagem está sendo escrita numa ensolarada manhã de sábado, um dia depois de ouvir meu amigo Ricardo Triana citar em sua palestra no evento PMO Summit no Rio uma frase que me lembrou da "Oração da Gestalt" de Fritz Perls. Isto depois de, nas últimas duas ou três semanas, ter me lembrado deste pequeno mas (ao menos para mim) impactante texto. Antes de avançar vamos conferir esta tal "oração":


"Eu faço as minhas coisas e você faz as suas.
Não estou neste mundo para satisfazer as suas expectativas.
E você não está neste mundo para corresponder às minhas.
Você é você, e eu sou eu,
E se por acaso nos encontrarmos será maravilhoso.
Se não, não há nada a fazer."
(minha tradução)

É curioso, eu conheci a "oração" há cerca de 25 anos, no início de um processo de psicoterapia. E confesso que foi amor à primeira vista! Sempre fui visto por quem é próximo de mim como uma pessoa individualista, que não se importa com a opinião dos outros a meu respeito. O que aliás é parcialmente verdade, para mim o mais importante nesta frente é como me percebo com relação às minhas próprias expectativas para o que chamo de meu "eu potencial". Não me entendam mal (mas se isto ocorrer paciência, pois "eu sou eu e você é você"), sou uma pessoa que se considera generosa e que se importa com o bem estar dos outros, mas me considero meu maior e melhor crítico (afinal vivo comigo 24 horas por dia!).

Estas percepções dos outros não eram suficientes para mudar meu comportamento, mas eram algo que me deixava chateado e que de certa forma me levou, dentre outros fatores, a procurar um psicoterapeuta (na época acho que não existiam coaches no Brasil...). E aí, logo numa das primeiras sessões, fui apresentado à oração, e entendi que estava certo e não precisava mudar em função do que os outros diziam! E ainda mais importante, durante o processo enxerguei que precisava mudar sim (ou melhor, me aperfeiçoar), mas de forma a atingir as expectativas que coloquei para mim mesmo, não as de outras pessoas.

Quando você começa a refletir sobre a "oração" costuma enxergar coisas que até então não havia considerado. Alguns exemplos pessoais:

 - Não adianta querer ter ou ser o que o outro tem ou é. Corremos o risco de conseguir e ainda assim nos sentirmos vazios.

 - Por outro lado, não dá para vivermos sem refletir sobre o nosso papel neste mundo, que por sinal é multifacetado. No meu caso por exemplo me vejo como pai, marido, consultor, coach, filho, amigo e professor, dentre outros, e procuro alcançar meu "eu potencial" em cada um deles.

- Não devemos tentar mudar o outro, temos que aceitar as pessoas como elas são.

- Só porque o outro não pensa como você ou não gosta das mesmas coisas que você isto não significa que ele é pior do que você. Ele é simplesmente diferente.

- (Esta é para os pais e mães que me leram até aqui) Devemos educar os nossos filhos para que descubram e alcancem suas próprias expectativas, e não as nossas. Precisamos tomar MUITO cuidado para não projetarmos nos filhos o que desejamos para nós mesmos, pois "eu sou eu e você é você". Claro que isto não nos dispensa de educá-los, muito pelo contrário, precisamos passar para os nossos filhos os nossos valores, mas ao mesmo tempo dar a eles a oportunidade de descobrirem e desenvolverem suas individualidades. E pelo exemplo, sempre que possível! 

E o Raul nesta estória toda? Sou grande fã, e já o citei aqui. Pois me lembrei dele de novo escrevendo este texto, confiram este trecho da música "Ouro de Tolo":




É claro que como toda forma de arte existem múltiplas interpretações, mas no meu caso fica claro o recado de que não dá para querermos viver com base em expectativas externas, pois isto pode nos levar ao (de novo Raul em "Ouro de Tolo"):

"...trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar."




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Nova Lima, BRASIL - 28 de março de 2015.

domingo, 15 de março de 2015

Workshop sobre Inteligência Emocional

Pessoal,

Peço licença para divulgar um evento meu, maiores informações abaixo:



Workshop "Inteligência Emocional" - clique na imagem para ir para o site do evento

Espero encontrar alguns de vocês por lá!

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Nova Lima, BRASIL - 15 de março de 2015.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Aulas práticas de Inteligência Interpessoal

Estória #1

Nesta semana fui a uma consulta com um profissional de saúde juntamente com minha esposa. Diálogo travado logo no início da consulta, na qual cheguei 8 minutos atrasado:

 - Eu (com um sorriso no rosto e buscando contato visual): "Olá Doutora XYZ, desculpe o atraso, acho que não sei mais dirigir em Belo Horizonte, passamos pelo centro da cidade e ficamos meio perdidos."

- Dra. XYZ (sentada olhando para a tela do computador, sem olhar para nós, sem sorrir e sem repetir o meu nome): "Qual o motivo da sua consulta?"

Não desistimos, minha esposa diz: 

 - "Quem nos indicou seu nome foi a JKL, acho que vocês foram colegas de faculdade."

 - Dra. XYZ (ainda sem desviar o olhar do computador): "Não tive nenhuma colega com este nome. Você poderia se levantar para checarmos seu peso e altura?" (como a consulta era minha imaginei que estivesse se dirigindo a mim)

 - Minha esposa; "Hum, acho que na verdade ela disse que vocês trabalharam juntas."

- Dra. XYZ (checando meu peso e altura na balança, e ainda sem fazer contato visual): "Eu trabalhei com uma pessoa com este nome." (mais nada...)

Desistimos, e confesso que quase fui embora na mesma hora. Procurei ser otimista e imaginar que a doutora estivesse tendo um dia ruim (pensei até em perguntar isto, mas confesso que tive receio).


Estória #2

Fui com a família no final de semana passear no Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Estávamos no pátio interno do CCBB quando minha filha mais velha (5 anos) entrou na cafeteria Sou Café para pegar uns folhetos num balcão (costume herdado do pai). Uma garçonete foi EXTREMAMENTE atenciosa com ela, separando os folhetos e perguntando se ela queria mais alguma coisa. Confesso que fiquei tão feliz com o ocorrido que resolvemos entrar e fazer um lanche. Outro garçom nos atendeu, com o mesmo padrão de excelência e gentileza. Ainda disse algo mais ou menos assim:

  - "Olha, o senhor pediu dois pães de queijo, uma tapioca, um café e dois sucos, temos uma promoção que inclui um pão de queijo, um café e um suco, sai mais em conta, posso alterar no seu pedido?"

Na hora de ir embora não resisti, fui ao gerente e disse:

  - "Posso lhe dizer uma coisa? Há muito tempo eu não recebia um serviço tão atencioso e gentil em Belo Horizonte, meus parabéns a toda a equipe."

 O gerente agradeceu muito e disse que espera contar com a nossa presença de novo no futuro. Pode apostar nisto!

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Notaram a diferença de relacionamento com o outro nos dois casos? Para mim foram uma verdadeira aula de Inteligência Interpessoal, ou Competência Social, algo sobre o qual reconheço ter muito a aprender (falei disto aqui ) mas já um pouco para ensinar :) E estamos falando de algo básico, gentileza e educação, não custa lembrarmos que todo diálogo é uma relação entre iguais (eu e outra pessoa) e não entre eu e um objeto. Isto é algo bastante explorado pelo filósofo austríaco Martin Buber em seu livro "Eu e Tu", de 1923! 


Capa de "Eu e Tu", de Martin Buber

E como falei que acho que tenho um pouco a ensinar sobre o assunto anote aí: estou programando uma oficina sobre Inteligência Emocional aqui em Belo Horizonte para a noite de 10 de abril, sexta, em breve divulgo detalhes por aqui e nos meus outros canais (mailing, LinkedIn, Twitter e Facebook)!

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Nova Lima, BRASIL - 11 de março de 2015.

domingo, 8 de março de 2015

"Starry Night"

"Starry Night" é o nome de um quadro de Van Gogh, meu pintor preferido, de longe! Por conta disto foi com muita emoção que em janeiro eu tirei a foto abaixo, no MoMA (Museum of Modern Art), em New York. Esta viagem por si só valeria outra postagem, foi a partir de Philadelphia, de trem e no mesmo dia, só para matar a vontade de rever New York depois de 14 anos, em pleno inverno...

"Starry Night"/"A Noite Estrelada", de Van Gogh - foto deste autor tirada no MoMA em jan/15.

Um ponto interessante é que este quadro é a inspiração maior de uma música que adoro, "Vincent", de Don McLean, e só fiz esta conexão recentemente, DEPOIS da visita ao MoMA. Don compôs a canção no início da década de 1970, logo após ler uma biografia de Van Gogh (cujo nome completo é Vincent Van Gogh) que o deixou muito emocionado.

Para quem não sabe Van Gogh morreu pobre, se matou dando um tiro no peito aos 37 anos num campo perto de Paris e agonizou por dois dias até morrer, abraçado pelo irmão Theo, e passou parte do final de sua vida em hospitais psiquiátricos em Arles, Suíça e Saint-Rémy-de-Provence, França. "Starry Night" foi pintada pelo artista a partir da janela de seu quarto de hospital em Saint-Rémy-de-Provence.

Qual foi a doença de Van Gogh? Até hoje se discute isto, sem conclusão definitiva, mas uma coisa é certa: ele sofreu muito nos dois últimos anos de vida, incluindo uma depressão aguda e devastadora. Tentou reagir através da arte, pintando cerca de um quado por dia no mês anterior à sua morte, mas acabou sucumbindo à doença.  Don McLean capturou parte deste sofrimento nos versos finais de "Vincent", confiram a letra completa:

"Vincent" (Don McLean, 1971)

"Starry, starry night 
Paint your palette blue and gray 
Look out on a summer's day 
With eyes that know the darkness in my soul 
Shadows on the hills 
Sketch the trees and the daffodils 
Catch the breeze and the winter chills 
In colors on the snowy linen land 

Now I understand what you tried to say to me 
And how you suffered for your sanity 
And how you tried to set them free 
They would not listen, they did not know how 
Perhaps they'll listen now 

Starry, starry night 
Flaming flowers that brightly blaze 
Swirling clouds in violet haze 
Reflect in Vincent's eyes of China blue 
Colors changing hue 
Morning fields of amber grain 
Weathered faces lined in pain 
Are soothed beneath the artist's loving hand 

Now I understand what you tried to say to me 
And how you suffered for your sanity 
And how you tried to set them free 
They would not listen, they did not know how 
Perhaps they'll listen now 

For they could not love you 
But still your love was true 
And when no hope was left inside 
On that starry, starry night 
You took your life as lovers often do 
But I could have told you, Vincent 
This world was never meant 
For one as beautiful as you 

Starry, starry night 
Portraits hung in empty halls 
Frameless heads on nameless walls 
With eyes that watch the world and can't forget 
Like the strangers that you've met 
The ragged men in ragged clothes 
A silver thorn, a bloody rose 
Lie crushed and broken on the virgin snow 

Now I think I know what you tried to say to me 
And how you suffered for your sanity 
And how you tried to set them free 
They would not listen, they're not listening still 
Perhaps they never will"

Triste, mas lindo e sublime! Confiram esta versão original de Don McLean com tradução da letra para o português e que mostra várias das obras de Van Gogh:

"Vincent", de Don McLean

***** Nova Lima, BRASIL - 08 de março de 2015.