segunda-feira, 6 de março de 2017

Atualização do meu projeto

Muita gente tem me perguntado sobre o status do meu projeto de recuperação, e apesar dele ainda estar em andamento e com algumas definições importantes por acontecer eu decidi postar por aqui um novo relato, vamos lá:

Depois da negativa da UNIMED-BH em cobrir o exame PET-TC eu recorri à via judicial, e consegui liminar em agosto passado. Fiz o exame em setembro, e no laudo aparece a expressão a seguir:


"Lesão hipermetabólica expansiva no corpo vertebral de T10 e T11 compatível com plasmocitoma metabolicamente ativo."


O que em bom português indica que o tumor parece continuar ativo. Em seguida fiz mais uma grande quantidade de exames, os mais importantes sendo:

1. Biópsia da medula, em out-16: deu negativo, o que significa que pelo menos na minha medula, que foi de onde saíram as células que geraram o tumor, não tenho nada doente no momento, o que é uma excelente notícia. 

Procedimento relativamente simples, fiz pela segunda vez. Vou a um ambulatório, me dão uma sedação de cerca de 30 minutos, e quando acordo o procedimento já foi encerrado! Ainda bem, pois não queria precisar ver a agulha, que sei que é enorme :)

2. Biópsia fechada do tumor, com agulha, em nov-16: esta é um pouco mais chata, pois precisei me internar e passar um dia inteiro no hospital. Além disto o procedimento envolve anestesia geral e, pela localização do tumor (incrustado ao redor da minha espinha), apresenta certo risco. Foi feito com (de novo!) uma agulha enorme que mais uma vez não vi e o cirurgião se guia por imagens de tomografia em tempo real (esta parte eu queria ter visto!). Trata-se de um procedimento menos invasivo do que a outra alternativa, que seria a biópsia aberta, mas com possibilidade de dar errado no sentido de não conseguir pegar amostras significativas do tumor para análise. E foi isto que acabou ocorrendo, e o pior é que para descobrir foi preciso esperar cerca de duas semanas pelo resultado...

Aí veio Natal, viagem do cirurgião que fez as minhas biópsias do tumor (o mesmo que me operou em agosto de 2015) e um janeiro em que eu tinha agendados 10 dias de férias com a família num resort na Bahia, seguidos de outra viagem de 10 dias aos Estados Unidos, para reuniões do PMI (Project Management Institute) em Philadelphia e quatro dias de passeio rápido em New York e Miami (afinal sabe-se lá quando terei oportunidade de voltar aos Estados Unidos dada a incerteza do meu projeto, certo?).

3. Biópsia aberta do tumor, em 17-fev-17: agendada inicialmente para 03-fev, adiada a meu pedido depois que entendi a complexidade da coisa, bem maior do que eu pensei inicialmente. Eu achei que poderia atender compromissos profissionais agendados já a partir de segunda, e aí descobri que se trata de uma verdadeira cirurgia, com anestesia geral, abertura via corte e intervenção direta na região do tumor para retirada de amostras com apoio visual. Previsão de dois a três dias no hospital seguidos de uma semana de repouso.

O resultado da biópsia chegou hoje (06-mar), mas só terei consulta com a minha médica mais no fim desta semana. De qualquer forma estou trabalhando (como gerente de projetos que sou!) com o pior cenário, que prevê tratamento quimioterápico, provavelmente a começar ainda este mês. O que vier melhor do que isto será lucro!

Este período de agosto até agora não tem sido fácil, mas ao mesmo tempo é "fichinha" quando penso no que passei nos meses logo depois da cirurgia inicial. Busquei levar a vida da melhor forma possível, mas reduzi drasticamente minha carga de trabalho e de viagens, o que estou retomando agora. Também devo dizer que tive altos e baixos em termos de estado mental, mas as técnicas de mindfulness e outras que citei numa postagem anterior sobre o projeto me ajudaram bastante.

Uma coisa que este projeto trouxe para mim foi me levar a refletir de forma mais profunda sobre o meu projeto de vida para os próximos dez anos. A motivação é bem simples: a mediana de expectativa de vida para pessoas que possuem esta doença é de mais dez anos. Isto quer dizer que, mesmo que se este tumor vier a me matar um dia, isto ainda vai demorar muito tempo, e ainda tem muita coisa que eu quero e preciso fazer com a minha vida. Nesta reflexão uma frase que me marcou muito foi esta:

"Once you have mastered time, you will understand how true it is that most people overestimate what they can accomplish in a year - and underestimate what they can achieve in a decade!" (Tony Robbins)

Eu a ouvi pela primeira vez da boca do próprio Tony Robbins, no excepcional documentário "I am not Your Guru", disponível no Netflix, que aliás eu recomendo fortemente.





Uma decisão importante que eu tomei é que irei falar menos deste projeto e mais sobre outros temas que me interessam, não quero passar para vocês a ideia de que esta doença me define e tem muita coisa interessante que eu gostaria de compartilhar com vocês :)

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Ivo Michalick, 06 março de 2017
Belo Horizonte - BRASIL


quarta-feira, 20 de julho de 2016

UNIMED-BH NÃO é excepcional :(

Pois é, fui elogiar a UNIMED-BH numa postagem anterior, e na semana passada a decepção foi simplesmente ENORME :( 

Estou em processo de recuperação de um câncer que me pegou de jeito em agosto do ano passado, e desde então fiz cirurgia, fiquei internado, fiz biópsia, radioterapia e todos os tipos de exames de sangue e urina que podemos imaginar, além de vários exames de imagem (de raio X a tomografia), e venho enfrentando da melhor forma possível tudo o que a doença tem colocado na minha frente (aprendi que câncer a gente não derrota, a gente "entra em acordo com ele", de preferência de forma amigável).

Descobri em mim uma disciplina que não sabia ter, e quem tem acompanhado minhas postagens sobre este assunto deve ter percebido que isto tem facilitado bastante todo este processo. Mas semana passada sinto que levei uma verdadeira "bola nas costas" (gíria de futebol que significa algo como uma decepção com quem menos se espera) da UNIMED-BH.

Como o tumor está/estava dentro de mim, entranhado na minha coluna e colocando em risco minha medula e todos os nervos que passam na região (o que explica minha dificuldade de movimento e a sensibilidade alterada nas pernas, algo que precisei aprender que posso ter que suportar para o resto da vida), a cada seis meses eu faço um acompanhamento com a minha especialista (esta sim, uma profissional e pessoa fora de série, que acredito ser incapaz de me dar uma "bola nas costas"). Este processo é meio demorado, pois ela costuma pedir uma série de exames, eu preciso obter as autorizações da UNIMED-BH, fazer os exames e retornar a ela, que com base nos resultados pode pedir novos exames. Pois bem, semana passada tive a notícia final da UNIMED-BH de que o pedido de tomografia feito pela minha médica, apesar de devidamente embasado por um laudo técnico emitido por ela, foi RECUSADO. O mais interessante quando se lida com uma instituição deste porte é que eles sempre buscam aparentar que estão cobertos de razão, neste caso apontando para uma resolução da ANS que lista os tipos de exames obrigatórios para cada tipo de patologia. Ainda tentei argumentar (afinal acredito no poder da lógica e da argumentação), mandando para a UNIMED-BH a mensagem abaixo:

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Recebemos hoje a notícia da auditoria da UNIMED-BH que o pedido do exame PET - TC feito pela minha médica, Dra. xxx, foi NEGADO, com base na resolução RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº 387/2015, ANEXO II da ANS. Apesar de correta pela regra da ANS, eu gostaria que a UNIMED-BH, em virtude do histórico do meu caso, reconsiderasse a negativa, pois:

  - Posso estar em processo de recaída do plasmocitoma que me levou à internação no hospital da UNIMED-BH em agosto do ano passado;
  - Quanto antes isto for confirmado mais simples (e barato) será o tratamento;
  - O exame solicitado é a melhor forma de confirmar ou não esta possibilidade;
  - A UNIMED-BH já fez este exame comigo em 12 de agosto passado, como parte do processo investigativo que me levou à cirurgia de remoção parcial do tumor na mesma época, quando fiquei internado no hospital da UNIMED-BH de 12 a 21-ago.

Aliás, eu não teria problema algum em fazer este exame no próprio hospital da UNIMED-BH, caso a instituição decida reconsiderar sua negativa inicial. Caso esta negativa seja confirmada pela UNIMED-BH eu gostaria que a organização me aconselhasse como proceder para dar sequência ao processo investigativo proposto pela minha médica em laudo emitido por esta e encaminhado como parte do pedido de exame feito à UNIMED-BH.

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Não adiantou nada, mantiveram a recusa, e agora preciso avaliar quais serão os próximos passos neste processo, ao mesmo tempo que busco me focar no trabalho (não custa lembrar que o tratamento me deixou cerca de seis meses praticamente sem trabalhar, e portanto sem quase nenhuma receita vinda das minhas atividades profissionais) e no meu processo de recuperação :(

Diante de tudo isto retifico meu comentário na postagem citada lá em cima: a UNIMED-BH NÃO é uma rede de saúde excepcional. Ela é na verdade comum, média, ou melhor, medíocre, e insensível às necessidades e anseios de seus clientes. Em outras palavras, ela é como as outras, o que eu consideraria muito pouco se fizesse parte desta organização como associado ou funcionário.

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 >>> Atualização na noite de 24-jul-16 (acabei de voltar de férias): parece que minha postagem chegou ao setor de mídias sociais da UNIMED-BH, o que nos dias atuais não é surpresa. A única novidade no contato deles comigo é que me disseram que eu NÃO fiz o exame pedido pela minha médica enquanto estive internado com eles, naquela época fiz tomografia, ressonância magnética e raio X, enquanto que agora a minha médica pédiu um PET-TC,que é meio que uma tomografia mais sofisticada...




Equipamento que faz o exame PET-TC (fonte: http://www.cetac.com.br/pet_ct_o_que_e.html )

Quando ao meu exame a negativa foi mantida, e a UNIMED-BH não me ofereceu alternativa que não seja, no que depender deles, "esperar para ver se fico pior" (o que obviamente não é o meu plano!).

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>>> Atualização na tarde de 03-ago-16: acabaram de me ligar da UNIMED-BH, a negativa está mantida e é definitiva. E a empresa, cujo slogan é "Nosso plano é cuidar de você", continua sem me oferecer alternativa de sequência de tratamento, portanto vou ter que buscar outras soluções que não sejam esperar para ver se fico pior e aí a UNIMED-BH me atende. Ah, e para os colegas se ofereceram para me ajudar a pagar o exame: agradeço a todos, mas a questão para mim, ao menos por enquanto, é de princípio. E claro, fazer este exame é o que importa para mim aqui e agora, este é o meu "baby step" da hora :)

P.S.: não deixa de me dar um certo consolo saber que não tenho nenhuma ligação profissional hoje com a UNIMED-BH, eu me sentiria muito mal trabalhando em uma organização que trata desta forma o seu principal stakeholder. Respeito quem trabalha num lugar assim (afinal muitas vezes nossas escolhas são limitadas, em especial quando temos filhos para cuidar), mas ao mesmo tempo me identifico muito com esta declaração do ator Pedro Cardoso em entrevista nesta segunda:

"Ganhei muito dinheiro na publicidade, mas com profunda angústia", afirmou Pedro Cardoso. "Eu me arrependo de ter feito alguns filmes de publicidade sobre produtos, mesmo agressivos, como planos de saúde. A gente sabe que o plano de saúde vive no Brasil da falência da saúde pública", complementou. "Fiz coisas que eu não acho que foram boas para quem viu, não tenho orgulho."

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Ivo Michalick, 20 de julho de 2016
Caeté (de férias com a família, que ninguém é de ferro, apesar de ter alguns parafusos na coluna!) - BRASIL

domingo, 8 de maio de 2016

Eu sou Coelho!

 Passei minha infância e juventude em Santa Teresa e Horto, tradicionais redutos da torcida do América. Costumo dizer, quando falam em Kombi do América, que um dos meus tios era o motorista, e eu, meu pai e alguns tios e primos éramos passageiros. 

Estive presente no Mineirão nos títulos de 1971 e 1993, já vi o América fazer 5 a zero no Cruzeiro em um amistoso e neste dia voltei sozinho para casa com a camisa do clube em um ônibus cheio de cruzeirenses, e assisti muito treino do Coelhão no Independência (na época chamado Campo do Sete) e no Colégio Militar (onde estudei de 76 a 82). Fiz até meu pai cota do América e fazer parte do Conselho do clube por um tempo.

Parei de ir ao campo quando começaram as brigas, uma vez levei um copo de chope na cabeça num jogo contra o Galo nos anos 90 e confesso que a partir daí ir no Mineirão para mim perdeu a graça. Confesso que ainda estou por ver um jogo do Coelho no novo Independência, faz mais de 20 anos que não piso num estádio de futebol.

Nada disto importa agora, hoje torci de longe (SEM pijama!) e fiquei MUITO feliz, como há quase 20 anos não me sentia com futebol. Que seleção que nada, pra mim paixão de futebol é pelo nosso clube de coração, e o meu, com muito orgulho, SEMPRE foi e SEMPRE será o meu querido América!


Coeeeelhoooo!

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Ivo Michalick, 08 de maio de 2016
Twitter: @ivomichalick
Belo Horizonte - BRASIL



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Projeto "Recovery 2015" - Parte 4 (FINAL?)

Eu sempre digo aos meus colegas da área de gerenciamento de projetos para não usarem algum objetivo do projeto no nome deste, pois o objetivo pode mudar e confundir as pessoas. Exemplo: "Projeto +30", que deveria aumentar a produção em 30 unidades, mas durante a sua execução este objetivo é mudado (por exemplo) para a adição de 20 unidades...

Cometi este erro com meu projeto pessoal de recuperação da saúde física (e de certa forma mental), pois o chamei de "Recovery 2015", estamos em fevereiro de 2016 e ainda não estou totalmente recuperado, além de ainda não ter conseguido correr com as minhas filhas no parque :(

Por outro lado já viajei sozinho a trabalho dentro do Brasil e para os Estados Unidos, isto em pleno inverno (confiram a foto abaixo)!

Eu em Philadelphia, janeiro de 2016

E antes disto fui para a praia com as meninas. Ficamos num resort na praia do Forte em que a distância da porta do nosso quarto até o restaurante era de cerca de 800 metros, portanto precisei caminhar quase 5 quilômetros por dia somente para me alimentar! Ah,, e já dirijo o carro da família (que tem câmbio automático). O meu eu ainda não tive coragem de tirar da garagem, mas desisti de vender.

De outubro para cá passei por uma segunda rodada de radioterapia, e parece que o tumor foi embora :) Ainda tenho dificuldade para caminhar, e preciso tomar cuidado, pois acho que a perda muscular nas pernas mudou meu centro de gravidade e eu agora me desequilibro com frequência (mas ainda não caí nem uma vez, nem mesmo na neve de Philly!).

Hoje enfrento dois grandes desafios neste projeto:

1. Preguiça: isto mesmo, nada de meias palavras! Como estive muito mal fisicamente estou tendo dificuldade em retomar uma atividade física regular. Por exemplo, preciso fazer reforço muscular nas pernas, e o jeito mais fácil é usar a academia do meu prédio, mas confesso que só fui lá duas vezes desde que tomei a decisão de fazer isto...

2. Perda do senso de urgência: poderia até dizer que este desafio é a causa do primeiro, mas entendo que são duas coisas diferentes. Como não estou mais "lutando pela minha vida", eu fico deixando muita coisa para depois, dizendo a mim mesmo que ainda estou em processo de recuperação. Isto é verdade, claro, mas sei que se trata de um sabotador interno (todos temos os nossos) me dizendo para continuar numa zona de conforto, com uma carga de trabalho muito baixa (no início do projeto reduzi bastante a clientela de coaching, as aulas e as consultorias) e sem maiores compromissos cotidianos. Não me entendam mal, não gosto de viver correndo, muito pelo contrário, mas acho que hoje estou mais para o outro lado deste espectro, e esta definitivamente não é a minha natureza. 

Meu círculo familiar e de amizade me diz para não me preocupar com nada disto, mas eu me conheço e sei que está na hora de enfrentar de frente estes dois desafios, e acho que se usar nesta tarefa 50% da energia que usei nos primeiros meses do projeto vou tirar isto de letra!

Um livro que me ajudou demais nestas últimas semanas, e que espero que me ajude a enfrentar estes dois desafios, é este: 


"Improv Wisdom", de Patricia Ryan Madson

A autora dá aulas de Improv em Stanford desde 1977. Eu, racional e hiperplanejador que sou, sempre fui fascinado pelo assunto, e no final do ano passado encomendei o livro dela na Amazon. Como ando meio preguiçoso (acabei de falar sobre isto) vou comentar só um pouquinho: 

Cada capítulo é uma regra de Improv proposta/compilada pela autora, lembrando que nossa vida é feita/cercada de improvisações, portanto todas estas regras se aplicam diretamente a todos nós. As regras são:

1. "Say yes/Diga sim."

Esta é a principal regra do Improv, a autora nos sugere trocar em nosso discurso "sim, mas" por "sim e". Não significa necessariamente fazer o que não quer, mas sempre avaliar com carinho tudo o que for proposto a você.

2. "Don´t prepare/Não prepare."

Nossa, como gerente de projetos e mapeado como hiperplanejador esta é a mais difícil para mim, mas já ouvi conselho parecido de muita gente bem sucedida. Minha interpretação pessoal é que não compensa planejar demais, pois o mundo é muito complexo e devemos ficar atentos no que está acontecendo agora (e, no meu caso, considerar isto em nossos planos para o futuro).

3. "Just show up/Simplesmente compareça."

Concordo plenamente, sou fã desta frase do Woody Allen:

"Showing up is 80 percent of life."

Compareça no horário, combinado com os outros e com você mesmo. E comece seu dia com o que é importante para você!

4. "Start anywhere/Comece em qualquer lugar."

Muito parecido com o conceito de "next action" do David Allen, meu guru de gestão do tempo, que proponho a todos os meus clientes de coaching. Não sabe por onde começar um projeto? Não importa, comece em qualquer lugar, mas comece, todos os pontos de partida são válidos!

5. "Be average/Seja mediano."

Me lembrei do ditado "o ótimo é inimigo do bom". Muitas vezes o que é ordinário para nós é uma revelação para os outros.

6. "Pay attention/Preste atenção."

Um dos mais difíceis para mim, que costumo tentar fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Mas melhorei muito nesta frente por causa do meu trabalho como coach, que me ensinou que durante uma sessão não há nada mais importante do que servir ao cliente da melhor forma possível. O que ainda tenho dificuldade é me lembrar dos nomes das pessoas, em especial alunos, já que para mim é comum ter pelo menos 300 alunos em um ano. Mas continuo buscando melhorar nisto!

7. "Face the facts/Encare os fatos."

Precisamos aceitar o outro como ele é, e não como gostaríamos que ele fosse. E precisamos ter cuidado com nossos sabotadores internos, que muitas vezes nos induzem ao erro, como comentei aqui.

8. Stay on course/Mantenha o rumo."

Minha interpretação pessoal: não desista, a menos que decida desistir! Ou: insista ao máximo enquanto acredita no projeto, mas não tenha medo de desistir se concluir que não vale mais a pena.

9. "Wake up to the gifts/Acorde para as dádivas."

Fique atendo aos detalhes, e procure perceber o copo "meio cheio". E reconheça o apoio de quem te ajuda, não importa de que forma.

10. "Make mistakes, please/Cometa erros, por favor."

É muito difícil aprender sem errar, ou sem conhecer os erros dos outros. Errou, admita e procure se concentrar no que vem a seguir.

11. "Act now/Aja agora."

Não procrastine, aja! E lembre-se do princípio #4.

12. "Take care of each other/Cuidem uns dos outros."

Ajude os outros e compartilhe controle quando atuar em equipe. Princípio bem alinhado com as propostas das metodologias ágeis de gerenciamento de projetos (assim como os princípios #2 e #4).

13. "Enjoy the ride/Aprecie a jornada."

Sorria o máximo que puder, e se algo que tiver que fazer não for do seu gosto, procure mudar o seu gosto! E lembre-se, muitas vezes a jornada é melhor que o destino...

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Ivo Michalick, 11 de fevereiro de 2016
Twitter: @ivomichalick
Belo Horizonte - BRASIL

domingo, 22 de novembro de 2015

"Além do Divã"

"Além do Divã" é o nome da recém publicada autobiografia de Flávio Gikovate, psiquiatra brasileiro autor de dezenas de livros e praticante da chamada "psicoterapia breve", na qual aliás identifiquei vários pontos de contato com o coaching.


Meu exemplar chegou ontem (sábado) à noite, e terminei a leitura agora pela manhã. Simples, direto, instigante (no sentido de nos fazer pensar) e generoso, afinal o autor compartilha conosco conceitos e ideias embasados em cerca de 50 anos de prática na qual atendeu mais de 10.000 pacientes!

Confiram este trecho, que confesso que me fez sentir uma ponta de inveja, pois o autor conseguiu colocar em palavras algo que sempre pensei mas nunca consegui articular tão bem:

"Amor é paz e não aventura. Os casais que gostam de aventura podem, juntos, programar atividades mais emocionantes. O amor adulto, em última análise, é a repetição da sensação de paz e aconchego que, um dia, sentimos no colo de nossa mãe. A aventura estava em descer do colo e ir explorar o entorno. O amor é o porto seguro, o mesmo para onde a criança corre quando se vê em apuros. Os que entendem que essa é a natureza do amor e não esperam desse sentimento o que ele não pode dar sentem-se extremamente felizes e realizados com este tipo de encontro."

Você pode até não concordar com tudo o que o Gikovate diz em seus livros, mas senti uma afinidade de pensamento muito grande com este e outros livros mais recentes deste excepcional autor. E ele ainda é um exemplo para mim, que pretendo viver 100 anos e permanecer ativo até o fim da minha vida: 73 anos de idade, atendendo em seu consultório, fazendo programa de rádio na CBN, e compartilhando conosco em seus livros suas reflexões embasadas em fatos observados e não em meras suposições. Podemos até não concordar com tudo o que ele diz, mas não é pouca coisa nos dias de hoje ler um autor que nos faz no mínimo repensar boa parte dos nossos conceitos. No mais, é como ele diz nas palavras finais do livro:

"Tudo o que fiz foi trabalhar muito e registrar o fruto de minhas observações. A qualidade e importância dos resultados são algo que não me cabe avaliar."

Flávio Gikovate (fonte: site do autor)

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Ivo Michalick, 22 de novembro de 2015
Belo Horizonte - BRASIL


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Sete dicas de carreira

Sete dicas de carreira, extraídas de entrevista que dei para o PMI Brasil recentemente:


  1. Nossa vida é muito mais do que nossa carreira, portanto antes de termos um projeto de carreira precisamos ter um projeto de vida.
  2. Nossa saúde física e mental é a base de tudo em nossa vida, inclusive dos nossos fracassos, e cuidar dela é um projeto indelegável.
  3. Família e amigos valem muito mais do que fama e dinheiro.
  4. Nossos sucessos e fracassos dependem principalmente de nós mesmos, e devemos enxergar os fracassos como fonte de aprendizado.
  5. Aprenda com os erros e fracassos, seus e principalmente dos outros (assim você erra menos!).
  6. Procure sempre aprender coisas novas, incluindo coisas não associadas ao seu plano de carreira.
  7. Use e abuse das técnicas de gerenciamento de projetos em seus projetos pessoais e profissionais.

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Ivo Michalick, 05 de novembro de 2015
Belo Horizonte - BRASIL

domingo, 25 de outubro de 2015

Projeto "Recovery 2015" - Parte 3

O que eu tive foi um tumor na coluna, chamado Plasmocitoma. Fui operado em 13 de agosto e desde então iniciei o processo de recuperação e outro de investigação, para descobrir a real natureza do tumor, em especial se ele é único ou se existem outros. Quanto à recuperação estou indo bem: já consigo caminhar sozinho, mas de forma claudicante, e não posso carregar peso. E ainda tenho o problema da falta de sensibilidade nas duas pernas, que continua alta, o que dificulta ainda mais a movimentação. Fiz radioterapia em setembro, o que aliado à cirurgia praticamente eliminou o tumor encontrado, que era originalmente do tamanho de uma bola de golfe (sério, vejam na imagem abaixo), alojado em volta da vértebra T11 e que acabou comprimindo a minha medula, causando uma dor excruciante nas costas e paralisia total da cintura para baixo.


 Antes (Plasmocitoma) e depois (oito parafusos e duas hastes)

Sobre a investigação: já fiz uma quantidade ENORME de exames, incluindo biópsia de medula. Ainda não tenho o diagnóstico final da hematologista, mas tudo leva a crer que se trata de um tumor solitário, o que a se confirmar será uma EXCELENTE notícia. E não se assustem, a coisa é bem melhor do que pode parecer acima e eu continuo achando que vou viver 100 anos, mantendo o projeto pessoal de chegar a este marco com saúde física e mental :) 

Aliás, sobre esta coisa de viver 100 anos, recomendo a todos a edição corrente da revista "Mente e Cérebro", à venda nas bancas (#273, out/2015). Confiram a capa:


Capa da revista "Mente e Cérebro", edição de outubro/2015

Aqui temos de novo as receitas para vivermos mais e melhor, o que começa por cuidarmos bem do nosso corpo. Vejam que coisa, eu tive problema de coluna inicialmente há pouco mais de dois anos, fui a um ortopedista, fiz fisioterapia, melhorei e optei por não retornar ao médico. ERRADO, por favor aprendam com meu erro e não deixem a parte médica de lado. Está com uma dorzinha chata há algumas semanas numa parte do corpo? Vá ao médico e trate a coisa toda como um projeto...

E por último: neste processo todo eu já perdi uns 12 quilos, mas não recomendo a nenhum de vocês este tipo de regime :)

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Ivo Michalick, 25 de outubro de 2015
Belo Horizonte - BRASIL