sábado, 4 de outubro de 2014

Contemple ao menos a possibilidade de estar errado!



Nesta época de eleições eu sempre fico decepcionado com o grau de radicalismo de muitas pessoas que simplesmente não conseguem conviver com outras que pensam diferente delas! Eu sempre imaginei que eu não fosse assim, e recentemente obtive uma confirmação quase que científica. Explicando melhor: dentro dos meus estudos sobre o tema escolhido para estudar este ano (nada menos do que Felicidade!) eu encontrei este teste:



Eu gosto muito destes testes de personalidade, mesmo porque já fiz dezenas de testes diferentes e os resultados em geral são muito semelhantes e costumam coincidir com o que eu e as pessoas que me conhecem pensam de mim. Pois bem, este teste mapeia nossos "character strenghts" (algo como "pontos fortes de nossa personalidade") dentro de uma lista de 24. Ele retorna uma lista classificada, começando pelo que temos de melhor e terminando com o que temos de pior. Na parte negativa eu (infelizmente) não encontrei novidade, meu ponto fraco (ainda) é:

  Social Intelligence - falei disto aqui

A notícia boa é que meu ponto mais forte (e a ideia é que nós busquemos trabalhar em atividades que necessitem destes pontos) é:

  Judgment, critical thinking, and open-mindedness

Gostei em especial da parte sobre mente aberta, algo que sempre procurei cultivar, apesar de reconhecer que às vezes ainda sou muito teimoso :)

O mais interessante destas características é que elas podem ser cultivadas/desenvolvidas. Uma boa forma de fazermos isto é através da prática do diálogo com pessoas de outras áreas. Por exemplo, eu, que sou originalmente da área de exatas, me casei com uma artista (aqui confesso que foi por amor mesmo, não foi uma decisão racional considerando a importância da convivência com pessoas que pensam diferente de nós) e ADORO conversar com pessoas de áreas como artes visuais ou ciências humanas, e aliás, por conta do meu terceiro ponto forte (Love of learning) estou sempre procurando aprender coisas novas sobre áreas que não domino.

Já pararam para pensar porque certas pessoas (incluindo nós) adotam pontos de vista extremos, não aceitam mudá-los de jeito nenhum e até de certa desprezam quem pensa diferente a respeito? Por exemplo:

  - Temos o promotor de justiça que condenou um prisioneiro a prisão perpétua, que 20 anos depois, diante do surgimento de prova irrefutável que gera reversão da condenação, não aceita de jeito nenhum que estivesse errado da primeira vez.

  - Temos os integrantes de uma seita milenarista (que acredita na proximidade do final dos tempos), que no dia seguinte ao que seria o fim do mundo (que obviamente não aconteceu) reforça ainda mais sua crença, acreditando que suas orações permitiram ao resto da humanidade uma nova chance.

 - Temos aquelas pessoas recém-convertidas a uma religião que procuram renegar tudo o que fizeram no passado contrário aos preceitos da nova religião, e que agora ficam o tempo todo buscando converter os que não são da sua religião (ou ideologia política, acho que neste caso acaba sendo mais ou menos a mesma coisa).

Uma explicação para isto seria: estas pessoas investiram tanto em sua decisão inicial (que implica muitas vezes em desistir de certas coisas ou abandonar outras crenças), que admitir que estejam erradas é algo que chega quase a doer, graças ao fenômeno da dissonância cognitiva.  Quanto mais importante for o assunto relacionado mais difícil é para nós admitirmos que estamos errados. Já viram um conhecido que adote uma posição política radical (no sentido de achar que ele está certo e todo mundo que pense diferente dele a respeito está errado) explicando porque adota esta posição? Ele desfia uma lista ENORME de explicações, que em geral são as que o levaram a adotar tal posição no passado. Ele está mais buscando se convencer de que tomou uma decisão correta lá atrás, ou mesmo se justificar para si mesmo, do que tentando convencer o outro. E quando duas pessoas assim começam a discutir fica aquele diálogo que na verdade são dois monólogos concorrentes! Confesso que tenho preguiça de gente assim, e uso estas ocasiões para me manter alerta para evitar adotar este tipo de comportamento...

Termino mais uma vez lembrando um grande ídolo:





Um bom voto a todos amanhã, com mente aberta e sem medo de ser feliz!


*********** Nova Lima, 04 de outubro de 2014, BRASIL 

4 comentários:

  1. Muito bacana Michalick. Mas gostaria de ideias de como trabalhar isso em você ou nas pessoas a sua volta para melhorar o convívio e a cabeça. Alguma sugestão?

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    1. Ass: Geraldo Pedrosa Jr.(Ex-Aluno de GP no IETEC)

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  2. Geraldo,

    Valeu pela participação! Olha só, eu até posso fazer novo post sobre isto, mas por agora compartilho com você duas referências úteis para o que você colocou, vamos lá:

    1. https://www.karlalbrecht.com/articles/pages/fiftytipsforthinking.htm Destaco esta parte:

    1. Respect all levels of your mind (e.g. subjective experience and knowledge as well as verbal thought); remember that thinking is a bodily function.
    2. Respect all ways of knowing, in yourself as well as in others.
    3. Promote a high respect for evidence, in yourself and others; many problems contain their own solutions when you understand them well.
    5. Keep your opinions on probation; this can make you more alert for new perspectives.
    6. Check to see if the brain you're talking to is "on line."
    7. Listen for the subtext: facts, feelings, values, & opinions.
    8. Delay your signal reactions; don't let your thalamus get hijacked.
    10. Suspend judgment when hearing something new.
    11. Own your value judgments, assumptions, and inferences.
    12. Practice non-allness thinking and talking (minimize use of "all," "every," "always," "everybody," etc.); use semantic tagging, limiters, qualifiers, and specifiers.
    13. Practice gray-scale thinking ("to what extent...").
    14. Practice self-reference ("It seems to me..." or "So far as I know...").
    16. Remember that arguing is one of the least effective ways of changing someone's mind. You don't always have to fight to win.
    25. Remember that there is often more than one right answer.
    27. Remember that "truth" is relative to the individual brain-mind system in which it arises, and to the language system used to construct it.
    28. Don't fear or avoid logical thinking; facts are your friends.
    41. Don't kill ideas when you first hear them; use the "P.I.N." formula (Positive first, then Interesting, then Negative aspects).
    43. Don't mistake a haphazard "brain-dump" for a conversation; explain your ideas clearly; use a discursive strategy to escort others to your truth.
    44. Use the power of bimodal thinking; know when to diverge and when to converge, and do it by conscious choice.
    45. Don't be bullied by GroupThink; as Aldous Huxley said, "It's not who is right that counts, but what is right."
    46. Combine your hunches with your logic; they make great partners.
    50. Practice humility: intellectually, socially, and emotionally.

    2. http://escoladedialogo.com.br/escoladedialogo/index.php/biblioteca/artigos/dialogo-um-metodo-de-reflexao-conjunta/ . Trecho que destaco:

    1. O principal obstáculo ao diálogo é que as pessoas quase sempre definem o seu comportamento com base em referenciais que consideram consolidados. Estes constituem o principal bloqueio à abertura mental e ao aprendizado. É o que podemos chamar de atitude habitual.

    2. Essa atitude é a principal manifestação do modelo mental fragmentador que formata a nossa cultura. Suas características básicas são: a) visão de mundo voltada mais para fora, isto é, a busca constante da objetividade, como se o conhecimento pudesse ser só objetivo; b) o conseqüente desprestígio da subjetividade e da qualidade, que são vistas como maneiras “inferiores” de conhecer; c) pensar quase sempre em termos de causalidade imediata.

    Abraço, Ivo Michalick (autor do blog!)

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  3. Hey Ivo , I liked this post. A couple thoughts come to mind about people who adopt extreme positions. Many of us do not place reason above emotion, sensation and so on, but more to the point, our attitudes at any time are like a panorama of positions and attitudes. Like a landscape slowly unfurling through time, it does not pivot on a single point. That is why people can incorporate ridiculous beliefs into their lives and otherwise be logical. - Doug Finlayson

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