segunda-feira, 30 de março de 2020

Sensação de impotência

Não, o título não tem nada a ver com o COVID-19, posso falar disto noutra ocasião, por enquanto já são 14 dias de isolamento social em casa, com a esposa e as duas filhas (7 e 10 anos). Felizmente com um trabalho me ocupando boa parte do tempo pelo menos até o final de abril. A questão é outra, e começou em 06 de março, uma sexta à noite, antes de toda esta confusão do COVID-19 começar pra valer. Vamos lá:

Dou aulas no IETEC desde 2005, a maior parte delas à noite em dias de semana. Costumo ir no meu velho Clio 2001, pelo qual tenho um carinho especial e sobre o qual contei algumas estórias em 2013, quando cometi o erro (corrigido em menos de 24 horas) de colocá-lo à venda. O IETEC fica na Tomé de Souza (em frente ao Relógio do Sol), e como as aulas são depois de 18h e o carro é velho eu paro na rua mesmo, em geral no quarteirão da Inconfidentes entre Cristóvão Colombo e Alagoas ou na própria Tomé de Souza, do outro lado do IETEC, entre Cristóvão Colombo e Pernambuco. Para quem não é de BH e para que vocês entendam melhor esta estória confiram a figura abaixo:



Região da Savassi onde dou aulas e estaciono o carro à noite

O que costuma acontecer em dias de aula é que eu desço a Cristóvão Colombo vindo da Nossa Senhora do Carmo (Eu e meu Clio na figura acima) e estaciono o carro na rua em 99% das vezes (só não faço isto em dias em que não há vagas em nenhuma das duas opções) numa destas opções:

  - Opção a: viro à direita na Inconfidentes e paro do lado direito na primeira vaga que encontro (45o). Lembro que este quarteirão da Inconfidentes é de mão única.

 - Opção b: viro à direita um pouco antes, desta vez na Tomé de Souza (onde quinta à noite tem a moribunda Feirinha da Savassi, portanto neste dia da semana não tenho como usar esta opção), e geralmente estaciono na primeira vaga que encontro do lado esquerdo da rua, também em 45o. Lembro que este quarteirão da Tomé de Souza é (ou pelo menos era, e esta é a fonte da minha sensação de impotência) também de mão única.

Pois bem, nesta noite de 06 de março usei a opção b e parei na segunda vaga disponível em 45o do lado esquerdo de quem vira na Tomé de Souza vindo da Cristóvão Colombo. 

Dei aula (algo que ADORO fazer, em especial para turmas de Pós-Graduação em Gerenciamento de Projetos!) até por volta de 22h30, e quando ainda estou por atravessar a Cristóvão Colombo a pé em direção à Tomé de Souza não vejo o meu carro, mas sim outro carro parado no lugar dele. Meu primeiro pensamento foi: 

"Ah não, roubaram meu Clio!"

Só que ao chegar no local onde parei o carro vi este adesivo pregado no chão:


Não dá para ler direito na figura, mas meu Clio foi rebocado em nome da BHTRANS, por alguma suposta infração de trânsito que eu teria cometido. Na hora fiquei transtornado, mas não é uma boa ficar nesta situação por volta de 22h30 de uma sexta nesta região da Savassi. Chamei um táxi e fui para casa. Chequei nos sites do DETRAN-MG e da própria BHTRANS para tentar entender o que ocorreu, sem sucesso.Fui dormir, pois na manhã do dia seguinte (um sábado) também iria dar aulas.

Cheguei mais cedo no sábado e fui na região onde tinha estacionado meu carro, e lá tirei as fotos a seguir:




Foto 1



Foto 2



Foto 3



Foto 4



Foto 5



Foto 6


Acho que pelas fotos dá para ter uma ideia do que aconteceu, mas vamos lá: em algum momento num passado recente a BHTRANS tornou este quarteirão da Tomé de Souza (entre Cristóvão Colombo e Pernambuco) uma via de mão dupla, tendo porém o bom senso de não permitir conversão à esquerda na Cristóvão Colombo (fotos 1 e 5). Reparem porém nas fotos 2, 3 e 4 que não há NENHUMA sinalização voltada para o lado de quem vem da Cristóvão Colombo indicando que aquele trecho é de mão dupla e que aquelas duas primeiras vagas à esquerda são de estacionamento proibido. Reparem até que nas fotos 3 e 4 tem um carro branco estacionado EXATAMENTE onde eu havia estacionado na noite anterior... Por que então eu tive meu carro rebocado (e fui multado, a autuação chegou hoje, o que me motivou a fazer esta postagem)? Vejam a placa na foto 6, aquelas duas vagas agora são de estacionamento proibido por se tratarem de área de manobra, para que quem venha da Tomé de Souza não tente virar na Cristóvão Colombo e colidir com um veículo vindo na direção contrária... Só que a placa está localizada DEPOIS das duas vagas e virada para o lado de quem vem vem da Tomé de Souza para a Cristóvão Colombo, não tem NENHUMA placa para o lado de quem vem da Cristóvão Colombo entrando na Tomé de Souza. Deu para entender?

Eu falei no título em sensação de impotência, mas é um pouco mais do que isto, vamos lá:

1. Algum profissional da BHTRANS, de nível superior e provavelmente um engenheiro, teve a ideia de tornar aquele quarteirão uma via de mão dupla achando que estava resolvendo algum grande problema de trânsito na região.

2. Esta decisão passou por toda uma cadeia decisória, cheia de profissionais de nível superior, e algum supervisor, gerente ou diretor dentro da BHTRANS resolveu implantá-la.

3. Na implantação foram colocadas várias placas de sinalização, algo que também deve ter sido planejado por pelo menos um profissional de nível superior e envolvido profissionais, provavelmente terceirizados, que foram obrigados a seguir o plano definido por este profissional quando a sinalização foi instalada. Imagino até que algum destes terceirizados deve ter dito algo como:

"Uai chefe, não tão faltando umas placas viradas pro lado de quem vem da Cristóvão Colombo logo depois da virada para a Tomé de Souza?"

E aí um supervisor deve ter mandado ele calar a boca e fazer o serviço conforme o plano...

4. Não sei em que data isto aí em cima aconteceu, mas em 06-mar profissionais da BHTRANS, pagos para planejar e fiscalizar o NOSSO trânsito, vão fazer uma fiscalização neste quarteirão e decidem que meu carro e o do lado dele estão estacionados de forma irregular e decidem rebocar e autuar os dois. Mais uma oportunidade perdida por profissionais do órgão que deveria organizar o nosso trânsito para notarem que a sinalização do local estava deficiente!

E quem pagou o preço por tudo isto? Eu e o dono do outro carro que foi rebocado naquela noite, e provavelmente muitos outros motoristas que pararam numa destas duas vagas, antes e depois daquela data. Entenderam a sensação de impotência? Um MONTE de profissionais pagos com o suado dinheiro dos nossos impostos trabalhou mal, nenhum deles se opôs a um plano claramente errado e eu (e provavelmente vários outros contribuintes) arquei com as consequências de perder algumas horas indo ao pátio do DETRAN-MG, pagar uma taxa de R$328,90 (fora o táxi de ida mais o tempo perdido nesta tarefa) para retirar meu carro e ainda receber uma multa de estacionamento proibido associada a este evento, com a consequente perda de pontos na minha CNH (que pelo menos está zerada).

Dá vontade de perguntar: 

"Ô Kalil, tem base um troço destes?!"

Falei de impotência, mas o que me lembrei mesmo outro dia foi uma das estórias contadas no filme argentino "Relatos Selvagens". Não assistiu? Pois recomendo fortemente, principalmente neste momentos de isolamento social e quando você estiver se sentindo impotente ou muito P da vida! Ah, e a estória do filme da qual me lembrei é justamente a que tem como protagonista meu ator argentino favorito, Ricardo Darín, interpretando justamente um engenheiro... Confesso que me consolei ao menos um tiquim pensando em fazer o que ele faz no final da estória dele no filme!



"Relatos Selvagens", filme argentino dirigido por Damián Szifron

E se alguém da BHTRANS me leu até aqui não se preocupe, pois não é do meu feitio resolver meu problemas através de ameaças ou violência. Acredito fortemente no poder da argumentação e das palavras.

Um abraço e procure cuidar de você e sua família seguindo à risca as orientações das autoridades médicas!

*** Belo Horizonte, 30 de março de 2020 (14 dias de isolamento social)



domingo, 29 de dezembro de 2019

O que li e gostei em 2019

Quer saber mais sobre o que achei de algum destes títulos? Poste sua pergunta nos comentários que eu respondo.


  • Sinek, Simon. “Leaders Eat Last”
  • Meyer, Erin. “The Culture Map” 
  • Whitmore, John. “Coaching for Performance” 
  • Grenville-Cleave, Bridget. “Positive Psychology: A Practical Guide”
  • Mlodinow, Leonard. “Elastic”
  • Seligman, Martin E.P.. “Flourish”
  • Llosa, Mario Vargas. “La Tía Julia Y El Escribidor”
  • Martins, Vera. “O Emocional Inteligente”
  • Franzen, Jonathan. “Purity" 
  • Goleman, Daniel. “Focus”
  • Casares, Adolfo Bioy. “Dormir al sol”
  • Weiss, Alan. “Threescore and More”
  • Flyvbjerg, Bent; e outros. “Megaprojects and Risk”
  • Queiroz, Eça de. “Alves & Cia.”
  • Filatro, Andrea; Cavalcanti, Carolina Costa. “Metodologias Inov-ativas”
  • Smith, Corinne; Strick, Lisa. “Learning Disabilities: A to Z”
  • Tezza, Cristovão. “O filho eterno”
  • Veiga, José Eli da. “O Antropoceno e a Ciência do Sistema Terra”
  • Barcinski, André. “Pavões Misteriosos”
  • Serra, Cristina. “Tragédia em Mariana”
  • Caetano, Gustavo. “Pense simples”
  • Davenport, Thomas H.. “big data @ work”
  • Mattis, Jim; West, Bing. “Call Sign Chaos”
  • Tieppo, Carla. “Uma viagem pelo cérebro: a via rápida para entender neurociência”
  • Deaton, Ann V..”VUCA Tools for a VUCA World”
  • Ferreira, Jane Mendes; e outros. “Raciocínio Analítico”
  • McChrystal, Stanley; et al. “Leaders – Myth and Reality”
  • Burns, David D.. “Feeling Good”
  • Kendrick, Tom. “Identifying and managing project risk”
  • Gladwell, Malcolm. “Talking to Strangers”
  • Taleb, Nassim Nicholas. “Skin in The Game”
  • Westerman, George; and others. "Leading Digital"



Por último, gostaria de recomendar este livro lançado neste mês, organizado pelo meu amigo Roberto Pons e do qual sou autor do capítulo sobre Inteligência Emocional (para o qual eu tenho associado um Boot Camp de um dia):



Um abraço e boas leituras em 2020!

*** Belo Horizonte, 29 de dezembro de 2019

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Uma proposta (na verdade duas!) para 2020

Nestes tempos de reflexão de final de ano notei que muitas pessoas costumam refletir e reclamar sobre o que não conseguem mais fazer, como:

 - "Eu já não consigo passar a noite numa boate até amanhecer!"

- "Eu não consigo mais nadar 1.500 metros na piscina do clube como fazia com facilidade quando tinha 20 anos!"

- "Não dá mais para eu pegar o carro sexta à tarde com os amigos e ir com eles passar um final de semana em Cabo Frio, voltando em tempo de trabalhar na segunda cedo!"

- "Não consigo mais trabalhar 16 horas por dia no campo em uma implantação de sistema como fazia no início da minha carreira!"

Isto tudo sem falar das coisas que queríamos ter feito mas agora acreditamos que não dá mais, como por exemplo ter um filho ou aprender alemão. E por aí vamos, acho que passei a vocês uma ideia geral da coisa. Isto muitas vezes nos incomoda, às vezes até demais, como se estivéssemos ficando sem tempo para fazer o que que queremos. Mas será que isto realmente nos incomoda? E se a gente visse toda a questão com uma outra perspectiva? Experimente se perguntar:

#1. Eu ainda quero isto para a minha vida? 

#2. Se eu ainda quero, será que eu consigo? Se sim, pense no que precisa fazer para conseguir. Se não, pense no que pode fazer no lugar. Eu por exemplo não jogo mais futebol há muito tempo, e acabei descobrindo uma satisfação muito grande em fazer caminhadas ao ar livre. Ah, e tive minha primeira filha aos 44 anos.

#3. O que eu quero fazer para aproveitar melhor a minha vida e ser uma pessoa melhor?

Esta é talvez a questão mais importante, e aqui está o foco da mudança de perspectiva: ao invés de focarmos no que achamos que gostaríamos de fazer, proponho pensar se ainda somos capazes ou, por causa da nossa evolução como pessoa (que também é conhecida como maturidade), temos condições de aprender e fazer ainda melhor e tirar proveito disto levando em conta nosso momento de vida. Exemplo pessoal: aprender alemão? Hum, acho que agora não, mas espanhol, no qual já tenho uma certa fluência, pode ser, e vai me ajudar muito nos projetos profissionais!

Podemos considerar estas questões nas esferas pessoais e profissionais, quem já tem alguma maturidade sabe que as duas são na verdade faces de uma mesma moeda. 

Por último, já que estou propondo reflexões, seguem mais duas questões:

 - Quem pode me ajudar a aprender ou a ser melhor no que escolhi melhorar em mim a partir de 2020?

Afinal já disse Guimarães Rosa:



"É junto dos bão que a gente fica mió."


- A quem eu devo agradecer pelo apoio nas conquistas e desafios superados (grandes e pequenos) de 2019? 

Que tal ligar ou se encontrar com pelo menos uma destas pessoas e agradecer a ela?

Agora que terminei vi que na verdade não fiz uma proposta para 2020, mas sim duas! Espero que alguns de vocês as considerem e coloquem em prática. 

Inspiração para este texto: Alan Weiss’s Monday Morning Memo® – 12/23/2019


Um abraço e um 2020 com muita saúde, paz, harmonia, evolução e projetos bem sucedidos para você e seus entes queridos!

*** Belo Horizonte, 26 de dezembro de 2019

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Recordar é viver - Vacina via pistola

Ontem fui a um posto de saúde aqui em BH para iniciar meu ciclo de retomada das vacinas (por ter perdido a imunidade durante o meu tratamento). De cara um elogio: mais uma vez fui MUITO bem atendido pelo SUS, desta vez no CRIE - Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais . 

Depois de tudo que passei nos últimos quatro anos devo dizer que fiquei bem mais corajoso quanto a picadas, mas esta coisa de tomar vacina me fez lembrar de um medo da minha infância/juventude. De 1976 a 1982 eu estudei no glorioso Colégio Militar de Belo Horizonte - CMBH. Minhas lembranças do colégio são as melhores possíveis, e até hoje mantenho contato com colegas daquela época que também se lembram com carinho daqueles tempos. Mas e o tal medo que eu citei? Aí é que está, eu sempre tive medo de tomar vacina via picada, teve até uma vez em que, ainda criança, fugi do posto de vacinação no Hospital Militar da PM aqui em BH e levaram umas duas horas para me encontrar!

Pois é, no CM era quase impossível escapar de vacina: a gente era avisado na formatura da manhã (início às 6h45, isto mesmo!) de que na hora do recreio iríamos tomar a vacina x, y ou z. E só tinha um jeito de escapar: ter faltado no dia ou estar presente porém doente, só que neste caso tinha que ir para a enfermaria para ser examinado e obter um atestado que impedisse a vacinação. Não tinha esta coisa de autorização dos pais ou responsáveis, tinha que tomar e pronto!

Eu ficava pensando nisto durante as aulas até a hora do recreio. A gente fazia a fila e um militar ficava com a famosa pistola de vacinação aplicando em todo mundo, uns 5 segundos por aplicação. 

É difícil lembrar de forma objetiva da sensação da época, mas as lembranças que ficaram são de medo e dor, e uma certa vergonha para não deixar os colegas verem que estava com medo, se bem que eu acho que a grande maioria tinha medo. E até hoje me lembro do barulho: psshut! O aplicador acionava um compressor com o pé e aplicava a vacina no nosso braço.

Vejam um pouco como era:



Não tinha agulha, a dose da vacina saia em um jato muito fino e potente, tão potente que furava a pele e se alojava no tecido muscular, por isso a dor. Por conta da dor e outros fatores o método foi descontinuado anos depois, mas as lembranças (e pelo menos uma cicatriz no braço) duram até hoje...

E ontem, como foi? SUPER tranquilo, duas picadas em cada braço e uma em cada nádega, só uma picada no braço direito doeu um pouquinho, deve ter pegado no músculo. Ainda bem!

Um abraço e até a próxima,

*** Belo Horizonte, 13 de dezembro de 2019

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Adeus meus amigos!

Eu pensava até conhecer a Luiza (minha esposa) que não gostava de gatos, fui criado numa casa que sempre teve cachorros. Aí a Mina chegou na nossa vida quando ainda morávamos em Manaus, em dezembro de 2002, e continua conosco até hoje. Durante muitos anos foi praticamente noss única filha, até a chegada da Bianca em 2009.

Depois vieram Ioiô, Yeyê e Juquinha. O Ioiô nos deixou em janeiro de 2011, a Yeyê no final de setembro e o Juquinha HOJE. Estamos todos muito tristes aqui em casa, em especial a Alice, pois quando ela nasceu o Juquinha era bem novinho (ela tem sete anos e ele tinha oito e meio, foi resgatado próximo ao Shopping Boulevard).

Acho que o Juquinha morreu de tristeza... Ele e a Yeyê eram muito próximos. Ela era surda e muito assustada, não deixava nenhuma pessoa pegá-la e sempre dormia em contato com o Juquinha. E ele de certa forma aceitou a Yeyê como uma espécie de irmã mais velha, além de melhor amiga. A Mina ficava de fora, sempre gostou de ficar sozinha ou no meu colo, nunca interagiu muito com os outros gatos.

Como eu disse a Yeyê nos deixou no final de setembro, já com cerca de 14 anos, de forma bem tranquila, acho que foi velhice mesmo. Desde então o Juquinha ficou estranho, às vezes miando pela casa procurando a amiga, meio que sem lugar. Nos últimos dias parou de comer, tentamos dar na boca, até que o levamos para um veterinário nesta terça. Tentaram de tudo, mas não teve jeito, a impressão é que ele perdeu a vontade de viver..

Eu sou extremamente agradecido pela convivência com nossos gatinhos, e confesso que senti muito as perdas até agora, em especial a do Juquinha, que depois dos sustos passados em 2017 (quando ele gastou umas quatro das suas sete vidas) me fez pensar que ele ficaria conosco pelo menos até a Alice chegar à adolescência. Não era para ser, e agora ficam as lembranças, todas muito boas.

Como agnóstico não posso me consolar na crença de que eles foram para um lugar melhor, mas posso torcer! E claro, ficar muito agradecido pela convivência com estes seres maravilhosos por todos estes anos. Nunca irei me esquecer de vocês!

Nas fotos a seguir a Yeyê é a gatinha branca e o Juquinha é cinza.









Um abraço e até a próxima,

*** Belo Horizonte, 17 de outubro de 2019

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Um domingo de outubro em Philly

"Oi Ivo, boa tarde!

Agradeço muito sua atenção. Fechamos hoje o processo e posso abrir neste momento que a M2 não foi contemplada. Tivemos uma proposta que melhor nos atendeu comercialmente.

De toda forma desejo poder continuar contando com vocês para nossos processos futuros.


Mais uma vez, obrigado."

Tudo começou com a decepcionante mensagem acima, recebida em 25-set, uma quarta-feira. Depois de quatro meses conversando com um cliente potencial, ter ajudado a elaborar a descrição técnica da necessidade e incorrido no custo de oportunidade de não buscar ou aceitar outros projetos que pudessem entrar em conflito com este me vi sem um projeto de cerca de 16 semanas que iria me ocupar praticamente em tempo integral neste final de ano...

Fiquei chateado uns três dias, mas me lembrei que na segunda, dia 30, faria a última sessão de quimioterapia do meu tratamento que começou, nesta etapa, em setembro do ano passado. Foram 28 sessões, além da químio mais pesada que fiz em março deste ano. Razão para comemorar, afinal é um marco importante na minha vida, pois fora ter que tomar de novo todas as vacinas eu volto a ser independente (um dos valores mais importantes para mim) e não preciso me prender a um tratamento de saúde complicado e que me toma MUITO tempo e energia. Precisava comemorar!

No domingo dia 29 entrei na Internet e vi que conseguiria emitir passagens com milhas da Gol (Smiles) e da American (AAdvantage), segui o conselho da Patricia Ryan Madson   ("Say Yes") e agendei passagens e hotel e pedi minha inscrição gratuita para o evento comemorativo dos 50 anos do PMI em Philly (Filadélfia), o Leadership Meeting North America 2019, de 03 a 05 de outubro. Vim para cá (escrevo este texto na manhã/tarde de segunda antes de embarcar de volta para o Brasil) na quarta passada, dia 2, e estou em vias de embarcar de volta para o Brasil MUITO satisfeito com minha decisão e com a viagem em si.

A parte relativa ao evento do PMI foi bem legal, postei fotos e comentários nas minhas redes sociais e fiz um monte de contatos relevantes. Sou voluntário da instituição desde 2005 (a partir de 2014 no nível estratégico) e já viajei muito por conta desta frente de trabalho na minha vida. Conheci pessoas do mundo todo e tive oportunidade de conhecer ou visitar lugares como Santiago, Vancouver, Chicago, Milão, Cancun, Dallas, Lima e agora Philadelphia (esta pelo sexto ano seguido, a segunda visita neste ano, aqui fica a sede mundial do PMI). Ainda devo atuar por pelo menos um ano como voluntário estratégico do PMI (nível global), mas posso dizer que até aqui ganhei muito mais do que dei de volta! Pena que em quase todas as viagens estava sozinho, sem esposa ou filhas, um dia ainda volto a todos estes lugares acompanhado das meninas!

Nesta postagem queria falar como foi meu domingo, dia livre por aqui, meio na linha desta outra postagem que fiz sobre uma passagem por Los Angeles em 2013. Coloco as fotos e comento em cima delas tentando dar uma ideia sobre como foi este domingo livre e sozinho aqui em Philly! 





Este é meu café da manhã, tomei no Reading Terminal Market (uma espécie de Mercado Central de Philly), no Molly Malloy's. O café americano continua horrível, mas o sanduíche estava muito bom!

Depois do café da manhã, como bom brasileiro fiz umas comprinhas na região do hotel. Comprei pouca coisa, achei tudo muito caro, ou então sou eu que estou mais pobre :)








Esse tal de Shakespeare sabia das coisas. Caminhada de cerca de uma milha até o Museu de Arte de Filadélfia, com direito a caminhão de sorvete e uma vista belíssima no trajeto.



Estátua do Rocky do lado de fora do museu. Desta vez não entrei na fila para tirar foto (já fiz isto há uns dois ou três anos), mas subi toda a escadaria do museu.











Esta é a principal razão para minha visita ao museu: um quadro da série "Girassóis", de Van Gogh, meu pintor preferido, de quem falei em outra postagem em janeiro de 2015. O museu tem outras três obras do Vincent, todas na mesma sala.



















Van Gogh, Kandinsky, Renoir, Monet, Mondrian... Nossa, muito bonito, fiquei emocionado e energizado!








Depois de tudo isto nova caminhada, passei na Barnes & Noble (que ainda resiste firme e forte) e depois parei para comer uma pizza no Pietro's. Azeite tem que ser pedido à parte, é gratuito mas vem num pires :( 





Um Expresso no Starbucks, porque café americano nenhum brasileiro merece...

Bem legal poder caminhar por Philly por todo lado, foi a primeira vez que estive na cidade fora do inverno, quando andar a pé é bem complicado por conta do frio e da neve.








Chegando no hotel, cansado mas muito feliz com o dia! Interessante, sempre que viajo gosto de voltar ao hotel, acho que transfiro para este lugar a sensação de lar.

E o que vem a seguir para mim? Dá um pouco de frio na barriga pensar na retomada total, mas me sinto bastante animado, já deixei para trás a decepção citada no início, afinal isto não é nada diante de tudo o que está vindo por aí. Como vivemos numa economia orientada a projetos eu vou continuar trabalhando em diversas frentes, sempre buscando manter a minha independência. Algumas destas frentes são (desculpem o comercial, mas se você leu até aqui pode vir a se interessar por alguma delas e até quem sabe me contratar!):

1. Oferta de serviços de consultoria, treinamentos, mentoria e palestras corporativas sobre temas como:

  - Análise quantitativa de riscos (vou fazer uma nesta semana para um grande projeto, logo na minha volta ao Brasil);
  - Desenvolvimento de líderes
  - Construção de Equipes em Tempos Difíceis
  - Inteligência e Agilidade Emocional
  - Mindfulness
  - Pensamento Complexo
  - Gerenciamento organizacional de projetos
  - (Re)desenho de PMO
  - Recuperação de projetos
  - Projetos de capital
  - Alinhamento estratégico e gestão de portfólios
  - (Re)desenho organizacional
  - Transformação digital
  - Diversidade cultural

 2. Aulas e coordenação de cursos de Pós Graduação em gerenciamento de projetos no IETEC, onde atuo desde 2005.

 3. Cursos à distância de gerenciamento de projetos e de preparação para a certificação PMP do PMI, também em parceria com o IETEC.

4. Programas educacionais à distância focados em competências comportamentais em parceria com a Project Lab, como o Cubo Minds, onde sou um dos mentores da trilha de Liderança. 

5. Atendimento de clientes de coaching. Aqui já acumulo cerca de 500 sessões desde que comecei a atender em 2013. Apesar da fama ruim que o coaching vem tendo no Brasil (tive um cliente que me sugeriu arrumar outro nome para este trabalho que eu ofereço!)  eu gosto muito desta frente, por ser bem pessoal e me permitir ver retorno positivo para os clientes rapidamente.

6. Projetos de novos produtos e ofertas: vão desde uma possível parceria na fabricação de cerveja artesanal até o desenvolvimento de uma nova oferta voltada para nossa melhoria pessoal e profissional (programa "Melhore!"). Aqui vou procurar seguir a regra do "Say Yes" e avaliar com muito carinho as oportunidades que forem identificadas, afinal:


”I am the master of my fate, 
I am the captain of my soul.” 
(do poema “Invictus”, de William Ernest Henley)


Um abraço e até a próxima!

*** Filadélfia, Estados Unidos - 07 de outubro de 2019

domingo, 6 de outubro de 2019

50 anos do PMI

Estou em Filadélfia, Estados Unidos participando dos eventos comemorativos dos 50 anos do PMI - Project Management Institute. Me filiei em 2003, tirei minha primeira certificação em 2004 (PMP) e atuo como voluntário da organização desde 2005, com muito orgulho e satisfação.

Numa economia cada vez mais baseada em projetos o PMI deve manter ou mesmo ampliar sua relevância nos próximos anos!






Última foto: projeto da aeronave E 190 da EMBRAER premiado como Projeto do Ano pelo PMI.

*** 06 de outubro de 2019, Filadélfia, Estados Unidos