quinta-feira, 3 de junho de 2021

Dicas para controle emocional segundo Paul Ekman

Trecho baseado em livro de Paul Ekman e tirado do material do meu workshop sobre Inteligência Emocional - saiba mais sobre o workshop aqui!


Estória:  de manhã cedo, pouco antes de sair, Marcos diz a sua esposa Júlia pouco antes dos dois irem para o trabalho que hoje surgiu um imprevisto e ele não poderá buscar Sofia, filha deles, na escola. Ela, Júlia, precisará fazer isto hoje. Júlia responde, em tom nervoso e com a voz alterada:

 - Por que você não me avisou antes? Hoje à tarde eu tenho uma reunião importante com o meu supervisor!

Júlia não pensou antes de falar, e não escolhe ficar aborrecida com o ocorrido. Mas ficou, e provocou uma reação em Marcos, que responde, também com a voz alterada:

 - Porque você ficou com raiva por causa disto?! Eu não te contei antes porque só me ligaram do escritório avisando de uma reunião de emergência com nosso diretor há 5 minutos, e minha presença é obrigatória!



 Júlia agora sabe que não haveria motivo para ficar irritada com Marcos, mas isto não muda nada. Por que? Porque ela está no que Paul Ekman chama de “período refratário”, que costumo chamar de PR (ou, dependendo da intimidade que tenho com a pessoa, "burrice temporária").

Neste período parece que ficamos “burros”, e só consideramos fatos que validem nosso estado emocional, rejeitando tudo que o contradiga. Este tipo de comportamento é chamado de “confirmation bias”, ou “viés de confirmação”, sobre o qual numa postagem mais antiga, aqui.

Trata-se de uma tendência humana que nos leva a favorecer informação que confirma aquilo em que acreditamos e a rejeitar ou esquecer informação que não confirma nossa crença. Quanto mais forte a crença maior o viés, por isto se queremos estar certos devemos antes de tudo reconhecer que podemos estar errados!

Isto aliás é algo que nos ajuda a entender o enorme clima de polarização que estamos vivendo hoje em dia, mas isto é assunto para uma outra postagem

Mas por que às vezes nos mantemos em PR por muito tempo? As explicações são várias, como:

1. Júlia não dormiu bem a noite passada.

2. Júlia está tendo dificuldades no trabalho e está compensando isto na sua reação a esta situação com Marcos.

3. Júlia e Marcos possuem uma ou mais questões profundas não resolvidas (como por exemplo a decisão de ter ou não outro filho), e Júlia vem alimentando sentimentos negativos com relação a Marcos por causa disto.

4. Isto faz parte do temperamento de Júlia.

5. Júlia está “importando” para esta situação um script de outra parte de sua vida, com alta carga emocional, ao qual recorre em situações que lembram a que gerou o script original, geralmente algo ocorrido há muitos anos. Esta “importação” distorce a realidade, causando reações emocionais inadequadas e ampliando o PR.

Ok, entendi, mas e como faço para quebrar este ciclo e evitar uma briga com meu cônjuge ou outro ente querido?

1. (Ação corretiva) Peça ajuda ao *neocórtex! Como? Procure dar um nome à emoção que está te dominando,  isto irá reativar o seu lado mais racional e te ajudar a refletir sobre o que está acontecendo.


2. (Ação corretiva) Coloque-se no lugar do outro, ou melhor ainda, coloque-se na posição de uma terceira pessoa observando a situação.

3. (Ação corretiva) Pare o que quer que esteja fazendo, olhe para a palma de uma das mãos e respire fundo por pelo menos três vezes.

[NOVO] Enquanto estiver fazendo isto, repita uma palavra ou expressão inventada (sempre a mesma), isto ajuda ainda mais a ativar o seu neocórtex. No filme "Anger Management"/"Tratamento de Choque", uma comédia dirigida por Peter Segal e estrelada por Jack Nicholson e Adam Sandler que recomendo fortemente (no momento está disponível para venda ou aluguel no YouTube,) os nervosinhos usam a palavra "goosfraba", aconselhados pelo seu terapeuta interpretado por Jack Nicholson.




4. (Ação preventiva) Mantenha um diário de emoções. Sempre que passar por episódio de descontrole emocional procure refletir e fazer anotações a respeito. Enriqueça isto com um depoimento das pessoas que presenciaram o episódio. Isto não vai te ajudar na situação atual, mas tende a te ajudar a diminuir cada vez mais o número de episódios.

5. (Ação preventiva) Procure se tornar uma pessoa mais calma e tranquila, praticando meditação, Yoga ou outra atividade associada a mindfulness que ajude a manter o seu equilíbrio emocional. 

6. (Ação preventiva) Ao acordar, procure se colocar em um “humor” (mood) positivo: tome um banho relaxante, coma um belo café da manhã, sem pressa, e diga para si mesmo que hoje será um bom dia!

7. (Ação preventiva) E por último, no caso de importação de um script, procure ajuda de um terapeuta!

Quer um exemplo real de uma pessoa que entrou em período refratário e isto lhe custou caro? Confira este vídeo de pouco mais de dois minutos:

 



Dica de leitura: “A Linguagem das Emoções”, de Paul Ekman. Ajuda DEMAIS na inteligência intrapessoal, em especial na parte de controle emocional.



Gostou e ficou com vontade de fazer o workshop? Inscrições abertas para a turma 07, que irá ocorrer nas noites de 09 a 12 de agosto, maiores informações aqui.




*Neocórtex é, segundo a Teoria do Cérebro Trino de  Paul D. MacLean e apresentada em 1990 no seu livro “The Triune Brain in Evolution: Role in Paleocerebral Functions”, o nosso cérebro racional, que nos permite ter consciência e controlar as emoções, sendo responsável pelas atividades cognitivas, tais como memorização, concentração, auto reflexão, resolução de problemas e processo decisório, dentre outras.

Trata-se de nosso eu consciente, tanto em nível fisiológico quanto emocional. Podemos considerar os cérebros reptiliano e límbico (os outros dois componentes do nosso cérebro como nosso cérebro emocional inconsciente (que passa a ditar as ações quando perdemos o controle das nossas emoções), e o neocórtex como nosso cérebro racional consciente.


*** Belo Horizonte, 03 de junho de 2021 (um ano, dois meses e 17 dias de isolamento social e contando!)



segunda-feira, 8 de março de 2021

Parabéns a todas as mulheres do Mundo!

 Hoje, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher! Eu queria com esta postagem dar meus parabéns a todas as mulheres que foram e/ou são importantes na minha vida ou por quem tenho grande admiração. 


Crédito: UN Women/Yihui Yuan

Como felizmente são muitas eu optei por fazer uma lista de 31 nomes, uma para cada dia do mês (uma lista com 365 nomes ficaria muito extensa!). Para as que me são mais próximas eu listei somente o nome (elas saberão quem são), e para as mais famosas eu listei o nome completo. Segue a lista, em ordem alfabética:

  1. Alice
  2. Amanda Palmer
  3. Angela Merkel
  4. Bet
  5. Bianca
  6. Carla 
  7. Carmen Lúcia
  8. Chloé Zhao
  9. Cláudia
  10. Cléa Mara
  11. Cris Guerra
  12. Dinha
  13. Fátima Bezerra
  14. Fernanda Montenegro
  15. Greta Thunberg 
  16. Holiana
  17. Isa Penna
  18. Isabella
  19. Ivone
  20. Izabella Camargo
  21. Jéssica
  22. Juana Molina
  23. Liu
  24. Lorene
  25. Luciana
  26. Luiza
  27. Malala
  28. Margareth Carneiro
  29. Maria Amin
  30. Maria José
  31. Renata

Dizer o que para estas mulheres neste dia? Eu diria que o mundo é melhor por causa de vocês simplesmente existirem, e pode ser MUITO melhor se vocês tiverem mais espaço para serem ouvidas por nós, homens, e serem SEMPRE tratadas com o respeito que todo ser humano merece, independentemente de gênero, orientação sexual, visão política, raça ou qualquer outra classificação usada para nos dividir. 

Eu que por duas vezes tive o privilégio de ver dois serem humanos se formarem e saírem de dentro do corpo da minha esposa (e foram duas meninas, mais um privilégio!) entendo que, apesar de sermos todos humanos, as mulheres, em especial as mães, possuem uma visão do mundo muito mais completa e empática, pois associam a humanidade às suas crias. Acredito que se todos os países do mundo tivessem uma mulher como chefe de governo existe uma grande probabilidade das guerras acabarem. E neste momento tão difícil das nossas vidas nós, homens, precisamos demais de vocês. Muito obrigado por existirem, e parabéns pela data de hoje!

Um abraço e até a próxima,


*** Belo Horizonte, 08 de março de 2021 (357 dias de isolamento social)

domingo, 28 de fevereiro de 2021

O que li e gostei em 2020

 Quer saber mais sobre o que achei de algum destes títulos? Poste sua pergunta nos comentários que eu respondo.


  • Heath, Chip & Dan. “The Power of Moments”. 
  • Brown, Tim. “Change by Design”. 
  • Diamond, Jared. “Upheaval”. 
  • Rocha, Murilo; Ragazzi, Lucas. “Brumadinho: A Engenharia de um crime”. 
  • Fonseca, Rubem. “Calibre 22”. 
  • Fonseca, Rubem. “Carne Crua”. 
  • Barros, Daniel Martins de. “O lado bom do lado ruim”. 
  • Garcia-Roza, Luiz Alfredo. “A última mulher”. 
  • Barros Filho, Clóvis de. “A Felicidade é Inútil”. 
  • Sant´Anna, Sérgio. “O Homem-Mulher”. 
  • Barros Filho, Clóvis de. “Shinsetsu – O Poder da Gentileza”. 
  • Sant´Anna, Sérgio. “Um Crime Delicado”. 
  • Camargo, Izabella. “Dá um tempo!”. 
  • PMI. “Guia Ágil”. 
  • Massari, Vitor L.. ”Gerenciamento Ágil de Projetos”.
  • Alvim, Maria Lúcia. “Batendo Pasto”. 
  • Gunatillake, Rohan. “Modern Mindfulness”. 
  • Chacra, Guga. “Confinado no front: Notas sobre a nova geopolítica mundial”. 
  • Barros Filho, Clóvis de; Calabrez, Pedro. “Em busca de nós mesmos”. 
  • Chade, Jamil; Manus, Ruth. “10 histórias para tentar entender um mundo caótico”. 
  • Bonder, Nilton. “Cabala e a arte de preservação da alegria”. 
  • Barros Filho, Clóvis de; Pompeu, Júlio. “Tesão de viver”. 

Alguns comentários:

  • Apesar da pandemia (ou na verdade acho que por causa dela) li menos do que em anos anteriores, talvez por ter dedicado um tempo bem maior no desenvolvimento de novo projetos e na adequação da forma de trabalho para o novo cenário. Esta última parte foi mais fácil, já que trabalho a maior parte do tempo em home office desde 2010, mas a transição para as aulas online deu bastante trabalho.

  • Foi o ano em que pela primeira vez, pelo menos desde que passei a registrar minhas leituras regulares em 1999 (pedi a lista anterior, que era em papel), li mais autores em português do que em outras línguas.

  • Foi um ano em que li uma porção razoável de literatura de ficção (romance). Se repararem na lista esta parte foi focada nos autores Rubem Fonseca, Luiz Alfredo Garcia-Roza e Sérgio Sant´Anna, trio que nos deixou em 2020 e vai fazer MUITA falta.


    1. Não existem emoções boas ou ruins. Toda emoção serve a um propósito específico para nossa sobrevivência e bem estar.
    2. Uma coisa ruim, em especial no caso das emoções consideradas negativas, com destaque para raiva, medo e tristeza, é fazer com que estas emoções aumentem através de um processo cognitivo que nos faça (por exemplo) ficar mais tristes porque estamos tristes, o que pode até mesmo levar a um estado depressivo.

Para terminar, listo duas perguntas respondidas pelo Daniel numa revista para a revista "Ela", que vem como encarte nas edições do jornal "O Globo" aos domingos, de 30 de março de 2020. Tomo a liberdade de listar as perguntas aqui porque o link de acesso é exclusivo para assinantes do jornal:

"NO LIVRO, O SENHOR DIZ QUE UMA VIDA FEITA APENAS DE EMOÇÕES POSITIVAS É TÃO PREJUDICIAL À SAÚDE COMO UMA DIETA À BASE DE SORVETE. QUAL O LADO RUIM DA ALEGRIA? 

A vida que busca eterna felicidade é privada de emoções mais complexas. A vida completa tem que ter sorvete, feijoada, salada. Ou seja, inclui alegria, raiva, medo. Se você nunca brigou com o seu melhor amigo é porque a amizade não é realmente profunda. 

O SENHOR AFIRMA QUE A ANSIEDADE NOS PROTEGE DE PERIGOS E A RAIVA NOS PREPARA PARA A BATALHA. Sim. O medo prepara a presa para fugir do predador; a gazela não range os dentes para o leão. Raiva o leão tem do outro leão na disputa de território, de comida. No confinamento, teremos naturalmente muita raiva, na disputa pelo computador, na disputa pelo controle remoto."

Fonte (acesso exclusive para assinantes): "O medo pode nos salvar"


Vídeo "irmão" no meu canal no Youtube


Um abraço e boas leituras em 2021!


*** Belo Horizonte, 28 de fevereiro de 2021 (349 dias de isolamento social)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

"The best is yet to come"

Hoje estou completando 56 anos de uma vida muito bem vivida até aqui. Posso dizer, dentro das minhas referências, que estou muito feliz, e faço questão de responder cada uma das 145 (até agora) 70 mensagens de felicitações recebidas, mais as do LinkedIn e WhatsApp!, só me deem um tempinho.

Há alguns meses eu fiquei várias horas checando minhas mensagens não lidas no LinkedIn e por aqui e respondi algumas dezenas de cumprimentos de anos anteriores. Teve uma que demorei quatro anos para responder (mas acabei respondendo!).
Depois que virei pai (duas filhas, 8 e 11 anos) e passei tudo o que passei em termos de problemas de saúde entre 2015 e 2019 (sempre com a
Luiza Marques
do meu lado) eu me sinto de certa forma revigorado por termos lidado tão bem por aqui com este 2020 tão difícil, e com a expectativa de que o melhor ainda está por vir ("the best is yet to come"). É claro que temos que trabalhar por isto, mas sem que deixemos de apreciar a jornada e a companhia.
Chegou até aqui? Então, quando estiver com um tempinho, confira isto:



*** Belo Horizonte, 28 de janeiro de 2021 

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

O amor é o mais importante


2020 confirmou para mim, um sujeito lógico, racional, analítico, que acredita no "Deus de Espinosa", que o que mais importa na vida é o amor, todo o resto é detalhe. Falo de amor de forma universal: por nós mesmos, por nossa família, amigos, colegas de trabalho, líderes, subordinados, estranhos, animais e especialmente pela natureza. 

A questão do sentido da vida e da divindade se resolve para mim em boa parte na crença no amor. Por isto a injustiça e a crueldade contra seres indefesos tanto me incomodam, o que tornou este ano especialmente difícil. E sim, eu sei que esta minha visão sobre o amor me aproxima demais do Cristianismo, e não tenho NENHUM problema com isto, até costumo rezar à noite com a Alice, minha caçula, antes dela dormir.


"Amor é paz e não aventura. Os casais que gostam de aventura podem, juntos, programar atividades mais emocionantes. O amor adulto, em última análise, é a repetição da sensação de paz e aconchego que, um dia, sentimos no colo de nossa mãe. A aventura estava em descer do colo e ir explorar o entorno. O amor é o porto seguro, o mesmo para onde a criança corre quando se vê em apuros. Os que entendem que essa é a natureza do amor e não esperam desse sentimento o que ele não pode dar sentem-se extremamente felizes e realizados com este tipo de encontro." Flavio Gikovate


Por isto aqui vai uma dica de exercício bem legal, que mudou minha vida a partir de 2012 (quando um coach me deu este "para casa"): procure escolher uma pessoa do seu relacionamento "fixo" (isto é, alguém com quem você, na situação atual, é "obrigado" a conviver) de quem você não goste. O exercício é fazer todo o possível para mudar isto e passar a gostar desta pessoa (ou, na versão "Ivo 2021", AMAR). Se você fizer este exercício com vontade de verdade eu te garanto, vai se sentir uma pessoa melhor.

P.S.: os dois gatinhos acima são o Juquinha e a Yeyê, que nos deixaram em 2019, com poucas semanas de diferença, e encheram nossa casa de amor por muitos anos!


*** Belo Horizonte, 29 de dezembro de 2020 (288 dias de isolamento social e contando!)

sábado, 3 de outubro de 2020

Vai passar!

 201

Este é o número de dias em que estamos em isolamento social aqui em casa (desde 17-mar). Todos usamos máscara quando saímos de casa, saímos pouco, aderimos à escola online para as meninas (virei suporte de TI na parte da tarde!), deixamos as meninas jogarem Roblox, e de vez em quando saímos de carro procurando um lugar vazio e arborizado para descomprimir um pouco.
Ontem tivemos a notícia de que o homem mais poderoso do Mundo (Presidente dos Estados Unidos) foi infectado pelo COVID-19 e está internado, como aliás já ocorreu com o nosso Presidente.
Está difícil? Com certeza, ainda mais para aqueles que como eu atuam como profissionais independentes e possuem uma família para cuidar. Mas estamos todos bem de saúde física e mental, e prontos para manter as medidas de isolamento o tempo necessário pelo bem de nossa família e de todos ao nosso redor, fazendo o possível para continuar mantendo a casa funcionando, afinal as contas não pararam de chegar...
Neste momento difícil temos que ter paciência, em especial com nossos filhos e cônjuges, e principalmente conosco. E, muito importante, oferecer todo tipo de suporte ao nosso alcance, principalmente emocional, para nossos familiares, amigos, colegas de trabalho e principalmente trabalhadores da linha de frente.




#vaipassar


*** Belo Horizonte, 03 de outubro de 2020 (201 dias de isolamento social e contando!)

sábado, 26 de setembro de 2020

Dá um tempo!

 Hoje, 26 de setembro, completamos por aqui 194 dias de isolamento social. Por causa do home schooling eu precisei virar analista de suporte de TI das minhas filhas, minha esposa virou professora e tutora em pelo menos 50% do tempo livre e não está nada fácil continuar este processo, mas o COVID-19 não nos dá escolha...

Na família todos passam bem, mas já tivemos colegas vitimados pelo vírus (e que felizmente se recuperaram), e infelizmente colegas que perderam parentes para esta doença traiçoeira.

Eu já estava acostumado a trabalhar em home office a maior parte do tempo, e devo confessar que me apaixonei pelo Zoom, pois nada melhor do que dar aulas, webinars e palestras direto de casa e ainda assim ter um reconhecimento positivo. Mas até eu que sempre fui um sujeito mais caseiro sinto falta do contato direto com pessoas do meu relacionamento e até com desconhecidos com os quais possa vir a desenvolver projetos ou simplesmente trocar ideias. Sinto que faço um pouco disto através deste blog e outras iniciativas, como minha newsletter e meu canal no YouTube, mas não é a mesma coisa. Tudo isto afeta nossa percepção do tempo ("Eu falei com o Ronaldo foi nesta segunda ou mês passado?") e até mesmo nossa rotina diária (minhas filhas passaram a dormir por volta de 23h30/meia-noite, no mesmo horário que eu).

Tudo isto confirma que nossa percepção do tempo tem um forte componente psicológico, e por isto gostaria de recomendar a vocês um livro que li praticamente "de uma sentada". Eu havia encomendado para ver se tirava algumas ideias para o primeiro webinar da Turma 01 do Programa Melhore!". O livro é "Dá um Tempo", de Izabella Camargo.




A autora, enquanto pesquisava e escrevia o livro, teve uma síndrome de burnout que a deixou no hospital por cerca de duas semanas em 2018. Na volta foi demitida da Rede Globo sem justa causa, terminou o livro e em abril criou um canal no YouTube com o mesmo nome do livro. No canal estão disponíveis, dentre outros,  vários vídeos em que ela conversa com pessoas interessantes que entrevistou para o livro. Um livro ao mesmo tempo leve e que nos faz pensar, portanto recomendo!

Para terminar, uma citação de um dos meus filósofos preferidos:

Tenho o costume de ficar admirado, quando vejo alguns que solicitam o tempo alheio e o rogado que se mostra generoso. Ambos encaram o objeto da petição, mas nenhum deles vê o tempo em si. Um pede como se fosse algo de ninharia e como tal é-lhe concedido. 

 Estão brincando com a coisa mais preciosa do mundo.

 O engano advém do fato que o tempo é algo de incorporaI, que não impressiona os olhos e por isso é tido qual coisa desprezível, ou melhor, de valor nulo.” 

 (Sêneca, filósofo estoico romano (Corduba, ca. 4 a.C. — Roma, 65), em seu livro “A Brevidade da Vida”)





*** Belo Horizonte, 26 de setembro de 2020 (194 dias de isolamento social e contando!)