sexta-feira, 13 de maio de 2022

ESG e Projetos de Capital

Nos últimos anos tenho ouvido cada vez mais o termo ESG. Ele vem do inglês Environmental (Ambiental, E), Social (Social, S) e Governance (Governança, G). Ao invés de descrever aqui o que é ESG e qual a sua importância na vida das pessoas e organizações eu recomendo esta matéria no Valor Econômico sobre o tema:


Entenda o que é ESG e por que a sigla é importante para as empresas 

(Valor Econômico, 21-fev-2022)


Citação feita na matéria:

"Segundo relatório da consultoria e auditoria PwC, 57% dos ativos de fundos mútuos na Europa estarão em investimentos que consideram os critérios ESG até 2025. Isso representa cerca de US$ 8,9 trilhões. Além disso, 77% dos investidores institucionais pesquisados pela PwC disseram que planejam parar de comprar produtos não ESG nos próximos dois anos."

Ok, mas o que ESG tem a ver com projetos de capital? Com base na citação acima eu diria: muito! Mas antes deixa eu explicar o que é um projeto de capital:

Projetos de capital são aqueles que possuem as seguintes características:

  • Implicam em aumento de capacidade do sistema de produção ou logístico;
  • Demandam aprovação executiva para início das obras;
  • Provocam significativo impacto sócio-ambiental na região (ou mesmo no país) em que serão implantados.
Fonte"Utilização prática de métodos de seleção e priorização de projetos alinhados à estratégia da empresa": apresentação feita no evento “PORTFOLIO MANAGEMENT STRATEGIES - 2ª EDIÇÃO”, IQPC, Rio de Janeiro, em outubro de 2009.

A questão relevante aqui está piincipalmente no último ponto, que fala de impacto sócio-ambiental. Este possui relação direta com ESG, e organizações que desenvolvem projetos de capital precisam ficar atentas a isto, buscando não somente gerenciar este impacto de forma a minimizar o impacto negativo e maximizar o impacto positivo, mas também sinalizar para o público que elas estão atentas e atuando sobre estas questões. E como isto pode ser feito? Existem é claro várias formas, mas na minha opinião um excelente guia são os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Sustainable Development Goals (SDGs) da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável:




Ok Ivo, e como começo a tratar ESG nos meus projetos com base nestes 17 Objetivos? Aqui vai um pequeno roteiro:

  1. Envie o link acima para os integrantes da equipe do seu projeto e peça que cada um leia o que está no link a respeito de cada objetivo, tendo em mente o que acha que o projeto pode fazer de forma a contribuir com aquele objetivo específico, fazendo anotações.
  2. Promova uma sessão de brainstorming com a sua equipe com o objetivo de listar e consolidar ações concretas que podem ser incorporadas ao projeto de forma a contribuir com alguns dos 17 ODSs.
  3. Consolide esta lista em um plano de ação, busque aprovação da direção da empresa e as incorpore ao escopo do projeto.
  4. Nas reuniões de acompanhamento do projeto passe a acompanhar, além de avanço físico, status dos riscos, aderência financeira e outros indicadores, a aderência do projeto às ações de ESG definidas, e se elas estão gerando os resultados esperados.
Sim, eu sei que é simples e tem organizações fazendo coisas muito mais complexas que isto. Mas sei também que muitas não estão fazendo nada, e o que está aí em cima pode ser um bom começo!

E se você é líder em sua organização eu gostaria de sugerir que você procure dar uma atenção especial não somente à saúde física, mas também à saúde mental e emocional de suas equipes. Para começar considere, junto com seus colegas de direção na organização, o que você pode fazer por suas equipes para atender os objetivos 3, 5 e 10. Lembre-se, boas práticas de ESG começam dentro de casa!

#esg #sustentabilidade #projetosdecapital #diversidade


*** Belo Horizonte, 13 de maio de 2022

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Vamos dialogar mais em 2022?

 Eu sou grande fã do Professor Humberto Mariotti, uma importante referência sobre Pensamento Complexo. Há pouco indiquei para um aluno a leitura e reflexão sobre este excelente artigo do Professor sobre diálogo, e achei interessante compartilhar por aqui:

"Diálogo: um Método de Reflexão Conjunta e Observação Compartilhada da Experiência"




Trecho extraído da parte final do artigo:

1. "A mente faz parte do cérebro; o cérebro faz parte do corpo; o corpo faz parte do mundo; logo, a mente não é separada do mundo.

2. A realidade de um indivíduo é a visão de mundo que sua estrutura lhe permite perceber num dado momento. A estrutura muda sempre, de modo que essa compreensão, que num dado instante parece fora de dúvida e definitiva, pode não sê-lo mais tarde.

3. Enquanto permanecer apenas individual, qualquer compreensão de mundo será precária. Por isso, é preciso ampliá-la.

4. Com quanto mais pessoas conversarmos sobre nossas percepções e compreensões, melhor. Quanto maior a diversidade de pontos de vista dessas pessoas, melhor ainda.

5. Se uma conversa produzir em nós tendência a achar que não ouvimos nada de novo, é bem provável que estejamos na defensiva."

É como disse o genial Raul Seixas:

"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"


#dialogo #diversidade #reflexao #pensamentocomplexo #humbertomariotti #raulseixas #metamorfoseambulante

*** Belo Horizonte, 31 de dezembro de 2021

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Transforme-se!

 


Gostou da frase de Viktor Frankl acima? Então sugiro conferir a sua obra maior, que recomendo fortemente:





A frase de Frankl está em total sintonia (e pessoalmente até acho que complementa) com a Oração da Serenidade de Santo Agostinho, que diz:

"Deus, concede-me o desprendimento para aceitar as coisas que não posso alterar; a coragem para alterar as coisas que posso alterar; e a sabedoria para distinguir uma coisa da outra”.

#transformacao #melhore #crescimento #santoagostinho #viktorfrankl


Um abraço, Boas Festas e um excelente 2022 pra você e seus entes queridos!

*** Belo Horizonte, 30 de dezembro de 2021

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Você já foi gentil hoje? (Parte 2)

 Esta postagem complementa a anterior, em que falei sobre gentileza na visão de Piero Ferrucci em seu livro “A Arte da Gentileza”.

Eu queria comentar os resultados de uma enquete que fiz no LinkedIn e fazer alguns comentários pessoais sobre o tema. A enquete foi esta:




Enquete sobre gentileza feita no LinkedIn em dezembro deste ano


97% das pessoas praticaram ou pretendiam praticar um ato de gentileza no dia em que respondeu. 3% não o fizeram e não acham isto importante. Sobre estes últimos eu entendo que possuem seus próprios motivos e não me cabe julgar. Mas 97% é um número que me dá muita esperança para 2022!

Algumas pessoas comentaram comigo sobre esta frase de José Datrino, o Profeta Gentileza:


"Gentileza gera gentileza."


Eu concordo com a frase, porém não no sentido que muitos imaginam, que é o de que se formos gentis com os outros estes serão gentis conosco. Infelizmente não temos nenhuma garantia de que isto irá ocorrer, pois cada um é senhor de si. E daí vem minha concordância: se pratico um ato de gentileza irei me sentir bem e terei vontade de continuar praticando, independentemente das consequências do meu ato! A gentileza é uma qualidade intrínseca do ser humano, algo que o Profeta Gentileza capturou muito bem em outra de suas frases, esta menos conhecida:


"A gentileza é como a criança dentro de nós, basta deixar que ela exista."


Minhas duas filhas (9 e 12 anos) decidiram entrar para o Escotismo este ano, e três coisas MUITO legais que elas devem buscar praticar no movimento são o espírito de equipe, a inclusão e a ajuda ao próximo. Isto é, devem buscar ser gentis dentro e fora do grupo, de forma deliberada, o que acho que vai contribuir muito para a formação das duas como pessoas responsáveis.

Termino com algumas dicas de como podemos praticar a gentileza:

  1. Julgue menos, ouça mais.
  2. Seja grato e expresse isto de forma clara e direta.
  3. Procure se lembrar que você não é o Centro do Universo (pois não é mesmo!).
  4. Também procure se lembrar da importância do amor, em todas as suas formas.
  5. Ofereça ajuda sempre que possível.
  6. Aceite o outro como ele é, e não como você gostaria que ele fosse.
  7. Procure perdoar, aos outros e a você mesmo.


Um abraço, Boas Festas e um excelente 2022 pra você e seus entes queridos!

*** Belo Horizonte, 23 de dezembro de 2021

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Você já foi gentil hoje?

 Se não foi, ainda dá tempo de praticar um ato de gentileza! Piero Ferrucci em seu livro “A Arte da Gentileza” (2004, infelizmente esgotado) afirma que pessoas gentis são mais saudáveis e vivem mais, são mais queridas e produtivas, conseguem ter mais sucesso nos negócios e são mais felizes do que as outras. Em outras palavras, são mais fortes e propensas a levar uma vida muito mais interessante e gratificante do que aquelas que não têm essa característica. Estão mais bem preparadas para enfrentar a vida com toda a imprevisibilidade e a ameaçadora instabilidade que ela oferece.


A prática da gentileza pode ajudar a aumentar tanto a nossa competência pessoal quanto social (dimensões da nossa Inteligência Emocional). E não espere nada em troca por um ato de gentileza, e nem fique se gabando por isto. Ser gentil é da nossa natureza como seres humanos e nos faz bem, simples assim.

Termino citando o próprio Ferrucci (tradução minha):

"A coisa toda é muito simples. Você não precisa escolher entre ser gentil com você ou com os outros. É a mesma coisa."




*** Belo Horizonte, 28 de setembro de 2021

terça-feira, 20 de julho de 2021

Melhore um tiquinho – Reflexões sobre crescimento pessoal

 

A primeira parte do título desta postagem nasceu de uma ideia que tive por volta de junho de 2020, em plena pandemia, quando fazia uma caminhada de máscara num parque perto de casa (conhecido como Parque JK aqui em Belo Horizonte). Esta é uma atividade que aprecio bastante, pois o parque é (até certo ponto, por causa dos cachorros soltos) um lugar seguro que me permite dar voltas ao seu redor de forma despreocupada, deixando a mente solta, e é nestas horas que costumo enxergar a solução para algum problema ou ter a ideia de um novo projeto pessoal e profissional.

Eu pensava nas centenas de sessões coaching (que pessoalmente prefiro chamar de orientação) que já fiz com clientes até hoje, e em como o processo de crescimento pessoal de cada um segue uma espécie de caminho, mesmo que tortuoso e, como tudo o que é humano, complexo. Daí eu pensei na ideia de um programa que, partindo destas sessões e do meu Workshop de Inteligência Emocional, que até então eu tinha ministrado umas três ou quatro vezes, juntasse outros elementos, pudesse ser feito parte em grupo, parte de forma individual, e tivesse uma duração determinada. Nascia a ideia do Programa Melhore!. Assim mesmo, com exclamação no final e sem o tiquinho, por sugestão da Luiza, minha esposa e companheira há mais de 20 anos, que achou que não ficaria um nome atrativo/profissional. E quem é casado aqui sabe, sugestão de cônjuge, em especial mulher, assim como de mãe, é sempre bom a gente obedecer.

Cheguei em casa, liguei o computador e em menos de duas horas tinha uma definição para o programa. Mas não é exatamente dele que quero falar, e sim do que está por trás (a tal da “experiência”) e do que aprendi com as duas turmas iniciais, vamos lá:


1. Todo ser humano quer melhorar, isto faz parte da nossa natureza. Só que muitas vezes nos vemos presos na rotina da vida e deixamos isto um pouco de lado. Às vezes pensamos/justificamos pensando: “Ah, vai exigir muito esforço”, “É caro”, “Já estou com coisas demais no meu prato” ou algo parecido. Esqueça o Programa então. Escolha alguma coisa ou área na sua vida que queira melhorar, ou competência que queira aperfeiçoar, e procure trabalhar nisto, mesmo que sozinho. Você vai se sentir melhor, pode ter certeza.


2. Vender é desafiador para mim, ainda mais não sendo uma pessoa famosa. Somos o tempo todo tão bombardeados por informação, na grande maioria inútil para nós naquele momento (ou pelo menos pensamos assim), que acabamos resistindo a receber informação nova que teremos que processar, ainda mais de uma fonte a princípio desconhecida (eu!), pois achamos que isto vai nos fazer perder tempo. Por isto pensei inicialmente em dar ao programa um foco corporativo. Vender para uma empresa pode ser mais difícil, mas uma venda por si só garantiria a estreia do programa. Fiz umas 20 apresentações (todas via Zoom, por causa da pandemia), defini seis leads promissores e tentei avançar no processo com eles. Não consegui. Como queria muito desenvolver o programa decidi oferecer para pessoas físicas, e depois de bastante trabalho consegui fechar uma primeira turma com nove participantes.


3. Uma vez que as pessoas conhecem o que tenho a oferecer (o programa foi concebido para começar sempre com o Workshop de Inteligência Emocional) e percebem que a turma é um espaço seguro (ou, usando um conceito de Simon Sinek, um “Circle of Safety”/”círculo de confiança”), elas vão se abrindo cada vez mais, e vai se criando um senso de grupo cada vez mais forte.


4. As sessões individuais comigo são muitas vezes transformadoras, para mim e para o aluno, pois podemos ter um tema ou ideia iniciais mas nunca sabemos onde vamos chegar (me lembrei do meu treinamento em coaching com o CTI, que tem “Dance in This moment” como um dos princípios a serem seguidos). Já tive sessão em que o aluno chorava, de forma catártica, de um lado, e eu do outro. E já tive sessão aparentemente burocrática/comum, para ser surpreendido em alguns dias por uma mensagem do participante me comunicando uma grande mudança ou transformação que fez em sua vida por causa daquela nossa conversa.


5. O programa me ajudou a melhorar a minha autoestima, pois eu costumava pensar, mesmo depois de centenas de atendimentos nos últimos oito anos, coisas como: o que eu, um nerd, posso ensinar sobre melhoria de comportamento para qualquer pessoa? Descobri que posso sim ensinar um tiquinho, se o outro estiver disposto a aprender, até porque só consigo ensinar algo que aprendi antes e em que acredito e uso comigo/para mim.


Os desafios para a formação de futuras turmas continuam. Escrevo textos no meu blog, posto vídeos no meu canal no YouTube, divulgo tudo isto nas minhas redes e no meu mailing, mando centenas de mensagens individuais via LinkedIn ou WhatsApp!, mas o retorno (em termos de conversão em alunos) ainda é reduzido. De novo, vender é difícil, ou melhor, desafiador!

Pretendo continuar escrevendo (até penso num livro, agora como autor único, já que fui colaborador em uns cinco ou seis) e fazendo meus vídeos, e focar os projetos profissionais nas áreas em que desenvolvi uma reputação mais duradoura e dos quais não penso em abrir mão, mesmo porque são também parte do meu propósito de vida. E reconheço: apesar de nestes tempos se falar muito em soft skills (ou até mesmo power skills), acho que as pessoas buscam melhorar preferencialmente as suas hard skills, competências mais técnicas que lhes permitam alcançar objetivos mais específicos, ao invés de uma melhoria comportamental genérica e difícil de ser medida através por exemplo da leitura de um currículo (isto aliás explica a enorme procura das pessoas por certificações profissionais em algum tipo de hard skill), mas que pode ser percebida numa entrevista de emprego, como vários ex-clientes de orientação e do próprio Melhore! já me disseram.

Algumas pessoas chegam a dizer que não veem sentido em estudar “estas coisas” (soft skills), pois nasceram “deste jeito” e não irão mudar sua essência. Não se trata disto. Acredito que nossa essência realmente é imutável, mas que podemos (e de certa forma devemos, por nós e pelos nossos entes queridos) sim empreender ao longo da nossa vida uma jornada de crescimento pessoal, com várias paradas para descanso e reavaliação da jornada ao longo do caminho. O casamento e em especial a paternidade deixaram isto muito claro para mim. Sinto que sou hoje uma pessoa melhor do que há 24 anos (quando conheci a Luiza, minha esposa) porque me esforcei para isto, por mim, por ela, pelas minhas filhas, pelos meus pais e mais várias pessoas que possuem grande importância na minha vida, tanto pessoal quanto profissional.

Estaria eu reclamando, ou como diz o ditado popular, “chorando pitangas”, quando falo sobre a (para mim falsa) dicotomia soft x hard skills, que parece fazer a maioria das pessoas priorizar o desenvolvimento de hard skills? Acho que não, mas cabe a você, que me leu até aqui, avaliar e tirar sua própria conclusão. Entendo que a virtude está no meio e que devemos buscar de forma contínua a melhoria pessoal e profissional. Tudo, para cada um de nós, tem o seu tempo, e não há nada de errado nisto. O horizonte muda a cada dia.




#melhore #getbetter


*** Belo Horizonte, 20 de julho de 2021 (e chega de contar dias de isolamento social, porém sem baixar a guarda de jeito nenhum!)

sábado, 3 de julho de 2021

"Líderes se servem por último"

 Este é o título em português de um dos melhores livros sobre liderança que já li até hoje, com uma série de conceitos fáceis de entender e, se você como líder tiver coragem, aplicar na sua empresa. O autor é Simon Sinek (pronuncia-se See-neck).


Um dos conceitos que achei mais interessantes, procuro usar nos meus projetos e recomendo aos meus clientes é o do "circle of safety", ou "círculo de segurança":




Eu por exemplo uso o conceito no meu Programa Melhore!, em três níveis, falo disto aqui:

Programa Melhore! e o "Circle of Safety" de Simon Sinek

(gravei antes de aprender a pronunciar corretamente o sobrenome do Simon).

Sobre o livro, confira aqui:



*** Belo Horizonte, 03 de julho de 2021 (um ano, três meses e 16 dias de isolamento social e contando!)