sábado, 20 de abril de 2013

Errado, eu?!

Há alguns anos eu precisei levar meu carro para consertar uma roda empenada. Fui na região da avenida Catalão, uma parte de Belo Horizonte pela qual passei por muitos anos indo e vindo da escola mas na qual nunca parei.

A oficina que fez o conserto tinha um aspecto meio bagunçado, sujo até, mas depois de cerca de uma hora o serviço estava pronto. Na hora de pagar o rapaz do caixa perguntou meu nome para o recibo, e aí travamos o seguinte diálogo:

  - Caixa: Nome completo.
  - Eu: Ivo Márcio Michalick Vasconcelos.
  - Caixa: Ivo o quê?
  - Eu: Põe Ivo M. M. Vasconcelos.
  - Caixa: ah, o da balinha!

Esta última frase me tirou do sério! Esta pessoa está brincando comigo sem me conhecer, tentando insinuar que eu mexo com droga!? Fiquei muito irritado e na mesma hora peguei a Luiza (minha esposa) para irmos logo embora daquele lugar e nunca mais voltar! E Luiza sem entender nada, pois não estava perto na hora do diálogo...

Quando cheguei no carro e relatei o diálogo para ela e falei da minha irritação, ela começou a rir. E como dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, confiram esta:



Entenderam? O rapaz se referiu ao chocolate M&M, por ele chamado de "balinha"...

Devo dizer que na hora não concordei com a Luiza de jeito nenhum, pois como um cara inteligente como eu iria se confundir desta forma? Só muitos meses depois, folheando uma revista e vendo uma imagem parecida com a acima é que eu reconheci meu erro e mudei de opinião... A Luiza brinca comigo até hoje por causa desta estória!

E por que eu contei esta estória? Como gancho para falar de um livro MUITO bom: 





Me lembro direitinho do dia em que comprei meu exemplar, na versão original em inglês: 14-mai-2001, na Livraria  Cultura do Conjunto Nacional em São Paulo.






"Disclaimer": só me lembro disto porque toda vez que compro um livro eu coloco na contracapa o meu nome, e a data e local da compra...

Esta é simplesmente a segunda melhor livraria que conheci na vida até hoje! E para quem ficou curioso sobre a primeira, é esta:





Eu tinha cinco tradições: toda vez que viajava eu procurava na cidade em que estava:

1. Um restaurante legal para jantar;
2. Um cinema para assistir um filme (em geral combinado com o item 1 acima);
3. Uma livraria para conhecer, e nesta comprar pelo menos um livro;
4. Uma loja de discos para conhecer, e nesta comprar pelo menos um disco (de vinil primeiro, e a partir de mais ou menos 1993 em CD);
5. Dar uma volta completa no quarteirão do hotel em que estivesse hospedado.

Por razões diversas tive que abandonar as tradições 2 e 4, mas tento manter as outras três!

Mas esperem, acho que estou divagando, vamos voltar para "Por que Erramos?":

Nós todos erramos, e muito. Mas temos uma ENORME dificuldade em admitir que estamos errados. E o pior é que esta dificuldade é tão maior quanto maior for a nossa convicção e a importância do assunto m consideração. Por isto quando achamos alguém que discorda de nós nos sentimos impelidos a mostrar para aquela pessoa o quanto ela está errada, fazemos de tudo para trazê-la para o lado da razão, que não por coincidência é o nosso... Querem um exemplo concreto? Pensem em alguém que conheçam que mudou de religião ou orientação política. Esta pessoa tenta hoje mostrar para todo mundo que o que ela pensa agora é que é o certo, e não gosta muito de se lembrar do tempo em que tinha uma convicção diametralmente oposta, pois assim teria que admitir que estava errada por grande parte de sua vida a respeito de algo de grande importância para ela.

Eu me acho uma pessoa sensata e inteligente, e tenho uma determinada opinião sobre um assunto. Também te acho uma pessoa sensata e inteligente, mas descubro que sua opinião sobre este assunto é diametralmente oposta à minha? O que geralmente fazemos nestes casos? Tentamos mudar a opinião do outro, afinal ele está errado e é uma pessoa sensata e inteligente como eu e que portanto precisa/merece ser corrigida!


Trata-se de uma tendência humana que nos leva a favorecer informação que confirma aquilo em que acreditamos e a rejeitar ou esquecer informação que não confirma nossa crença. Quanto mais forte a crença maior o viés, por isto se queremos estar certos devemos antes de tudo reconhecer que podemos estar errados!



O livro da Kathryn, que se auto-intitula "errologista" ("wrongologist") é sobre tudo isto e muito mais! Valeu demais a visita aquela visita à Livraria Cultura do Conjunto Nacional em 2011...

Tome cuidado, pois uma cultura que não admite o erro pode levar ao Groupthink e a uma falsa unanimidade, já falei disto por aqui. Por tudo isto sempre que sinto que estou sendo muito rígido sobre alguma posição, ou quando alguém diz que estou errado, penso no "confirmation bias" e me lembro deste trecho de uma música do grande Raul Seixas:

"Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo" 
(trecho de "Metamorfose Ambulante", letra e música de Raul Seixas)





Leu o que escrevi até aqui e achou o assunto interessante? Então fique por aqui mais 18 minutos e confira esta palestra TED da Kathryn, com legendas em português:



Um abraço, e até a próxima!

****** Nova Lima, BRASIL - 29 de março 20 de abril de 2013.




quinta-feira, 28 de março de 2013

Como é que é?!


Pessoal,

TUDO aquilo que escrevemos na Internet fica no ar para sempre, até mesmo depois da nossa morte! Lembrem-se disto quando forem se manifestar em algum fórum (ou como eu agora, escrever em um blog): antes de postar, leiam o que escreveram, vejam se é ofensivo a alguma pessoa ou grupo, se é relevante para a discussão e se não expõe você ou outras pessoas ao ridículo. Já falei sobre isto por aqui  , mas resolvi retomar o assunto, compartilhando uma mensagem publicada no passado em um dos vários fóruns de que participo e que "fala" por si mesma, vamos lá:


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Pessoal,

Alguém teria uma dica, para relacionarmos, não como requerência a Tarefa,
mas como necessário a Geração de Documentos para uma determinada Tarefa e
colocar como uma atividade não do Cronograma planejado no Project, mas algo
como um Plano de Documentação para aquele determinado Projeto irá
necessitar distribuindo por tarefa.

Estive pensando em criar um sub projeto de Documentações e vinculá-lo ao
Projeto em si...

Se alguém tiver uma dica, agradeço imensamente.

Muito Obrigado.

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Ambas possuem em comum um mesmo ponto: ninguém respondeu até hoje, mesmo porque eu mesmo nem saberia por onde começar... Em suma: não comunicaram o que o emissor queria!

Muitos que como eu atuam em áreas técnicas temos que tomar um enorme cuidado com o uso da linguagem, pois temos uma tendência ao uso de termos técnicos independentemente do interlocutor. Imaginem se eu digo para a empregada daqui de casa:

"Fulana, preciso que você faça em caráter emergencial um levantamento situacional do dispositivo sugador e apaziguador bucal da Alice, uma vez que a infanta está se mostrando, de forma clara e inequívoca, insatisfeita e impaciente com a falta deste!"

Ela vai ficar olhando para a minha cara sem entender nada, melhor seria dizer:

"Fulana, vai agora procurar a chupeta da Alice que ela está berrando no berço!"

Já vi colegas fazerem uma apresentação para a diretoria cheia de termos técnicos e saírem achando que foram muito bem. Deveriam ter ouvido alguns dos comentários que ouvi na plateia, na linha do

 "Nossa, não estou entendendo nada, quem é este menino mesmo?"

Ou

"Meu Deus, vou falar com o Genivaldo para não colocar mais este rapaz para fazer apresentações para a Diretoria, como é mesmo o nome dele?"

Ambas possuem um ponto de atenção importante, que procuro sempre reforçar junto aos meus alunos e clientes quando vão fazer apresentações ao vivo: SEMPRE abra sua apresentação dizendo seu nome e cargo/função, não assuma que as pessoas da plateia sabem quem você é e o que você faz, pois ao não se apresentar você corre o risco de perder a atenção de muitos já nos primeiros segundos, pois vão tentar descobrir quem é você perguntando para o colega ao lado...

Quando usamos um termo ou expressão cujo significado é desconhecido por quem nos ouve isto gera distração nos ouvintes, e corremos o risco de perder a atenção da plateia... Temos que buscar sempre concisão e simplicidade, tentando comunicar sempre mais com cada vez menos palavras, até alcançarmos o ponto ótimo.

E como o feriado está chegando, termino tentando colocar um pouco de humor no dia de vocês:



Minha revisora oficial (a Luiza, minha esposa) não achou graça, mas meu lado nerd falou mais alto...

Um abraço, e Feliz Páscoa para todos!

****** Nova Lima, BRASIL - 29 de março de 2013.

terça-feira, 12 de março de 2013

4 em 1

Pessoal,

Esta é uma postagem curta, na qual quero divulgar três palestras minhas que postei hoje no Slideshare e falar um pouco sobre coaching, vamos lá:


1. Palestra "Negociação em Projetos": feita em agosto de 2012 em evento do PMI-PR (seção paranaense do Project Management Institute) em Foz do Iguaçu.



2. Palestra "Motivation: The Leader´s Role: feita em março de 2012 em evento do PMI (Project Management Institute) em Buenos Aires (em inglês).




3. Palestra sobre competências comportamentais em gerenciamento de projetos: feita em abril de 2013 em Belo Horizonte.




Todas as palestras foram disponibilizadas para download no Slideshare. Caso queira levar uma destas (ou outra, sobre temas ligados a gerenciamento de projetos ou habilidades comportamentais) para um evento na sua cidade ou organização me procure - ivo.michalick@m2coaching.com.br . 


4. Coaching: e já que estou fazendo "propaganda de mim mesmo" nesta postagem, queria apenas dizer que estou oferecendo serviços de coaching, inicialmente mediante indicação. Os meus clientes iniciais estão baseados em Belo Horizonte e são profissionais de gerenciamento de projetos, mas eu posso trabalhar com clientes de outras áreas e em outras regiões do Brasil e exterior, neste caso via Skype ou telefone. No caso dos clientes de Belo Horizonte eu venho fazendo as sessões no meu home office ou via Skype.


A proposta do coaching é te ajudar a resolver uma dentre estas que são as duas grandes questões da nossa vida, a saber:

  1. Você sabe o que quer, mas ainda não sabe exatamente como conseguir.
  2. Você ainda não sabe o que quer.

Ambas as respostas estão dentro de você, e a ideia do coaching é te ajudar a encontrá-las e a se tornar uma pessoa ainda melhor.

Eu passei por um processo de coaching ligado a um programa de treinamento do PMI que fiz em 2011 e 2012, e a partir daí decidi investir de forma mais intensiva numa capacitação na área, no meu caso através do CTI - The Coaches Training Institute . Falo um pouco disto na palestra número 3 acima, assim como também nesta postagem

Eu achei a proposta de coaching co-ativo do CTI MUITO interessante, pois ela é focada na relação entre coach e cliente levando em conta sempre o bem estar do cliente, o que me obriga como coach a atuar de forma bem distinta da que atuo como professor (onde ensino as pessoas como devem fazer as coisas) ou consultor (onde digo às pessoas o que devem fazer). Como coach eu devo ajudar as pessoas a encontrar dentro de si mesmas as suas próprias respostas, ou mesmo descobrir quais são as perguntas que devem ser feitas. E já percebi que neste trabalho eu acabo ganhando muito como pessoa, acabo crescendo um pouquinho através de cada passo à frente dado pelos meus clientes :)

Quer saber mais sobre coaching? Me procure - ivomichalick@m2cc.com.br .


****** Nova Lima, BRASIL - 12 de março de 2013.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia Internacional da Mulher

Pessoal,

Dizem que por trás de um grande homem sempre existe uma grande mulher. Pois eu nunca gostei deste ditado, para  mim um grande homem em geral tem PELO menos uma grande mulher ao seu lado, e nunca atrás!

Eu por exemplo me considero um felizardo, pois vivo cercado por três mulheres que me ajudam a dar sentido e direção a tudo o que faço. Por isto hoje, Dia Internacional da Mulher, eu saúdo a todas as mulheres do mundo, sem vocês a gente simplesmente não existiria. Acredito com muita força que o mundo seria e será MUITO melhor quando dermos às mulheres um papel mais importante na condução de temas como política, economia e projetos, só para citar alguns, pois a paciência e determinação das mulheres fazem muita falta nestas áreas.

Amo todas vocês, em particular estas três (mais a Mina, saindo de fininho lá atrás)!

Luiza com Alice e Bianca, mais a Mina saindo de fininho ao fundo

***** Nova Lima, BRASIL - 8 de março de 2013

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Resenha do livro "A Tríade do Tempo"

Pessoal,

Segue abaixo a primeira colaboração (postagem escrita por outra pessoa) do meu blog, uma resenha do excelente "A Tríade do Tempo" (de autoria de Christian Barbosa) pelo colega Gabriel Drumond:



O livro "A Tríade do Tempo do autor Christian Barbosa é um livro interessantíssimo e extremamente aplicável ao nosso dia a dia. O gerenciamento do tempo, um recurso limitado em nossas vidas, é de fundamental importância para o sucesso que qualquer pessoa. Neste livro o autor enfatiza a necessidade de classificar as tarefas e compromissos do dia como Importante, Urgente e Circunstancial. Diferentemente da matriz convencional de gerenciamento de tempo que classifica as atividades como Importante e Urgente, Importante e Não Urgente, Urgente e não Importante e Não Importante e Não Urgente, o autor acredita que qualquer atividade Urgente deve ter prioridade sobre qualquer atividade Importante, pois essa atividade Urgente já foi Importante algum dia, já as atividades circunstanciais são atividades que estão sendo realizadas porém não terão nenhuma influência positiva em nenhum aspecto da vida, ou seja, não fazem diferença se forem ou não realizadas, apenas estão sugando o seu tempo.

A Tríade Ideal de tempo gasto em cada atividade de acordo com Christian Barbosa é composta por 70% do tempo gasto com atividades Importantes, 20% gasto com atividades Urgentes e 10% gasto com atividades Circunstanciais. Porque devemos gastar tempo com atividades Urgentes e Circunstanciais ao invés de gastar todos os 100% do nosso tempo com atividades importantes? Isso se dá por não ser possível prever se todas as atividades serão urgentes, e por ser impossível eliminar todas as atividades circunstanciais da vida, sendo necessário apenas controlar as mesmas para que não tomem conta da maior parte do nosso tempo.

Tríade do tempo ideal segundo Christian Barbosa

É importante definir quais papéis você desempenha durante a vida, como papel de pai, de filho, de aluno, de profissional... E faz parte do processo de definição dos seus papéis identificar as pessoas-chave pertencentes a cada um deles. Deve-se escrever uma lista das pessoas verdadeiramente importantes às quais você gostaria de dedicar seu tempo.  Esta atividade tem o objetivo de direcionar os esforços para as pessoas que realmente farão a diferença na sua vida e parar de gastar tempo com pessoas que não fazem nenhuma diferença.

Outros fatos importantes citados pelo autor são a definição de uma estratégia pessoal através da definição de missão de vida, valores e estabelecimento de objetivos e metas a serem alcançadas.

As metas sempre que possível devem atender ao critério SMART:

S – Específicas (O que)
M – Mensurável (Quanto)
A – Alcançável (Como)
R – Relevante (Porque)
T – Temporal (Quando)

E é sugerido o uso da regra 8-4-2, definir oito metas para serem trabalhadas durante o ano, quatro durante o mês e duas durante a semana. É muito importante que as metas estejam conectadas e alinhadas à estratégia pessoal (*** comentário do Ivo: esta estratégia pode ter sido capturada num documento similar ao PEP - Planejamento Estratégico Pessoal).

Outras sugestões que ajudam a otimizar o próprio tempo são fazer a taxonomia pessoal, dos documentos e objetos, materiais e virtuais, usar duas bandejas de papéis, uma para tarefas que estão à espera de ação, outra para tarefas e serem delegadas ou que estão aguardando alguma nova informação, fazer a dieta da informação, ou seja, ler apenas o que é interessante e não todo o conteúdo do documento e criar uma sólida base de conhecimento.

Eu acredito que esse livro foi de fundamental importância para o melhor uso do meu tempo e direcionamento das minhas tarefas e compromissos. Me sinto uma pessoa mais disciplinada e organizada, consigo direcionar melhor meus esforços para meus objetivos, tenho metas claras e tenho noção de meus valores, pontos fracos e pontos fortes. Esta é uma leitura recomendada para pessoas que desejam fazer melhor uso do próprio tempo e organizar-se melhor.


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Agradeço imensamente ao Gabriel pela colaboração e reitero a recomendação deste e dos demais livros do Christian, em especial o mais recente, "Equilíbrio e Resultado".



*********** Nova Lima, 20 de fevereiro de 2013, BRASIL

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Faço ou não faço?


Nesta época do ano em que estou em pleno “turbilhão replanejador”, é muito comum as pessoas me perguntarem coisas do tipo: “Nossa Ivo, como é que você faz tanta coisa ao mesmo tempo?!”

Nestas horas, dependendo da pessoa, eu dou uma de Mário Sérgio Cortella   e pergunto: “Você tem tempo para ouvir aresposta?” (8:51). E ela é mais ou menos assim:

Eu procuro planejar tudo o que faço, para sempre que necessário ter a oportunidade de mudar tudo conforme as novas circunstâncias! Os militares são assim, em especial em tempos de guerra: ficam um tempo enorme planejando uma batalha, e assim que é dado o primeiro tiro começam a mudar tudo de acordo com o cenário real! Só que sempre mantendo a linha mestra do plano, algo do tipo “Temos que conquistar o topo daquela montanha até meio-dia de sexta-feira com o mínimo de perdas humanas.”

(Parênteses: como sou fã de estratégia militar gostaria de recomendar aqui um filme sobre a vida e o trabalho daquele que para mim foi o maior estrategista militar desde Napoleão Bonaparte, o General Patton , já falei dele por aqui . O filme é “Patton”  , de 1970, premiado com oito Oscars, incluindo melhor filme e ator. Curiosidade: indicado para o Oscar de melhor ator, o ator George C. Scott recusou a indicação, e não mudou de opinião nem mesmo quando foi premiado pela academia...)


Cartaz de "Patton- Rebelde ou herói" (ah, que preguiça desta mania de se mudar o título de filmes estrangeiros...)

Continuando...

Sempre que estou a ponto de decidir sobre aceitar ou não um novo projeto ou atividade na minha vida, procuro primeiro responder às seguintes perguntas:

1. Eu quero fazer isto? A vida é curta e nossa vontade tem sempre que ser levada em conta, se não quer fazer já pode parar por aqui e dizer não.

2. Eu sei fazer? Aqui a coisa é um pouco diferente, eu posso não saber fazer mas posso ter vontade de aprender, em especial no caso de ser algo que vá me tornar uma pessoa melhor, como aprender uma nova língua, dar uma palestra sobre um tema interessante, criar filhos etc.

3. Caso eu aceite, a minha participação (caso seja um esforço coletivo) será reconhecida? Ou em outras palavras, eu farei alguma diferença no processo? Aqui já é algo muito pessoal, sou fortemente motivado por realizações, portanto preciso sentir que fiz alguma diferença. Aprecio, mas não espero reconhecimento dos outros, porém  levo em conta demais a opinião de um círculo bem restrito de pessoas (no qual me incluo!) a respeito do que eu faço. Se é algo que qualquer pessoa pode fazer e/ou não me oferece nenhum tipo de desafio eu posso até aceitar fazer, mas não pelo reconhecimento que isto possa me trazer.

4. O que eu tenho a ganhar com isto? Lembrando que não é só dinheiro que nos motiva, eu por exemplo preciso pagar as contas mas minha maior motivação é o reconhecimento pelo resultado e o desafio da tarefa.

5. Se eu disser sim, como esta nova atividade ou projeto irá afetar as minhas outras coisas? Temos que nos lembrar que nosso tempo é finito, portanto precisamos o tempo todo fazer escolhas. Quando dizemos a alguém que não temos tempo para fazer algo que nos pedem, estamos na verdade dizendo que não queremos fazer aquilo, muitas vezes porque nosso prato já está cheio com outras coisas que queremos fazer e no momento não cabe algo novo. 

6. Há alguma sinergia entre o que está sendo colocado e o que já estou fazendo ou planejando fazer? Este é um ponto importante que me facilita muitas vezes fazer coisas novas. Um novo projeto ou atividade que tenha sinergia com outras coisas minhas em andamento já começa em vantagem, pois uma coisa alimenta a outra. Exemplo: sou professor e consultor na área de gerenciamento de projetos, portanto preciso me manter atualizado sobre as novidades da área. Ano passado recebi um convite para participar da equipe de tradução do Guia PMBOK  , publicação do PMI (Project Management Institute)  , considerada a maior referência no mundo  sobre gerenciamento de projetos, que busca compilar as melhores práticas sobre o tema. É claro que aceitei, pois vai me ajudar a ficar por dentro das novidades e a atualizar minhas aulas, palestras e material didático.

7. É uma tarefa individual ou coletiva? Como sou uma pessoa mais analítica e introvertida (além de meio perfeccionista e “lobo solitário”) procuro sair da minha zona de conforto trabalhando com outras pessoas, por se tratar de uma ENORME oportunidade de crescimento pessoal e profissional.

8. Se é uma tarefa coletiva, quem serão os demais envolvidos? O fato de querer sair da minha zona de conforto trabalhando com outras pessoas não significa que aceitarei trabalhar com “qualquer um” (de novo, a vida é muito curta...). Procuro trabalhar com pessoas inteligentes, que preferencialmente sejam melhores do que eu em alguma coisa em que quero me tornar melhor, que compartilhem da maior parte dos meus valores e com as quais eu tenha algum tipo de afinidade. Isto tanto é mais importante para mim quanto maior for a duração do projeto. 

Ao pensar na resposta a estas perguntas eu disparo uma espécie de “diálogo anterior” (que agora eu chamo de intuição ), e quando chego no final já costumo saber a resposta
J Se não sei, deixo a decisão em “banho maria” e de tempos em tempos volto às perguntas acima. E o que fazer quando nos dão um ultimato, do tipo “responda já ou até meio dia senão vou buscar outra pessoa ou alternativa”? Digo que não decido sob pressão, peço tempo e deixo que pessoa decida como vai querer prosseguir. Além disto, em geral a oferta de um novo projeto ou atividade para mim vem de mim mesmo, portanto sei que preciso de um tempo para avaliar.

Agora, se você é (como eu já fui, e de vez em quando tenho umas recaídas) alguém que tem dificuldade em dizer não, aqui vai uma dica de leitura que pode te interessar:



***** Nova Lima - BRASIL, 01 de fevereiro de 2013.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Eu gostaria de falar um pouco sobre uma experiência marcante que tive neste mês, e que me fez enxergar algumas coisas bem interessantes relacionadas com o tema IE, vamos lá:

Eu organizo a minha vida e carreira profissional em ciclos, que em geral duram cerca de sete anos. Como parte do meu atual processo de mudança de ciclo eu venho estudando o tema coaching já há algum tempo, primeiro de maneira informal, e de cerca de um ano para cá de forma mais sistemática, quando decidi incorporar coaching ao meu catálogo de serviços profissionais. Isto decorre do fato de ter percebido (ou melhor, intuído) que é mais fácil mudar as pessoas do que as organizações, e aí depois de mudadas as pessoas podem mudar suas organizações, ou então mudar de organização...

Sempre fui mais autodidata, mas neste caso acho que treinamento formal é essencial, por isto decidi iniciar uma capacitação formal em coaching. Depois de muita pesquisa optei pelo CTI - Coaches Training Institute. Iniciei minha formação este mês, fazendo em Washington o curso "Fundamentals". Trata-se de um curso para o qual a princípio eu não tinha grandes expectativas, mas que acabou sendo uma ENORME surpresa para mim! Não dá para falar aqui sobre toda a experiência, mas cabe dizer que foi muito além do que eu esperava, o que agora faz muito sentido para mim e deixou clara a conexão entre coaching e inteligência emocional.

Ainda estou "digerindo" muita coisa do que vi, mas o motivo maior desta postagem é destacar a importância de duas capacidades (ou posso dizer competências) que se mostram essenciais para um trabalho de coaching e para a nossa IE. Elas são sensibilidade e intuição.

Ora, como "nerd" assumido e consultor de ofício eu tendo a ficar o tempo todo em busca de receitas, de dizer às pessoas o que eu acho que elas precisam ouvir. Depois deste curso ficou claro para mim que isto em geral não funciona, pois sufoca a minha sensibilidade e impede que a minha intuição funcione. Portanto, depois deste curso eu decidi:

1. Cultivar mais a minha sensibilidade: parar para brincar com as meninas, olhar a vista da varanda e pensar na vida, dentre outras coisas.


Vista da varanda de casa, foto tirada hoje

2. Ficar mais atento à minha intuição: ela está ali, o tempo todo, quase sempre em segundo plano. Cabe a nós dar mais atenção a ela, e para isto precisamos antes de mais nada dar mais atenção a nós mesmos. Para isto quero trabalhar melhor outra coisa na qual tenho pensado muito, que é "mindfulness", ficar atento e ligado ao aqui e agora, atento aos meus pensamentos e emoções. Para isto preciso antes de mais nada esvaziar a mente, o que (pelo menos para mim) não é nada fácil...

Fiz questão de escrever uma postagem meio "desestruturada", quase um rascunho, pois minha intuição me recomendou isto :) Alguma coisa do que escrevi aqui faz sentido para você?

E quanto a próximos passos? Para mim serão continuar os estudos, por conta própria e junto ao CTI, trabalhar nos pontos listados acima, e passar (logo após o Carnaval) a oferecer coaching como serviço profissional.

Ah, termino celebrando a chegada do Arthur, meu oitavo sobrinho (e olha que tenho só dois irmãos...), que nasceu ontem aqui pertinho, no hospital Vila da Serra. Mãe e filha passam muito bem e vou agora até lá fazer uma visita aos dois!

***** Nova Lima - BRASIL, 18 de janeiro de 2013.