segunda-feira, 17 de junho de 2019

Resenha de "Agilidade Emocional", de Susan David





Agilidade Emocional, de Susan David

Andei meio sumido, mas a importância e a vontade de compartilhar um pouco do que aprendi com este livro da Susan David me fez voltar a escrever por aqui. Eu li o livro há mais tempo, em 2016, mas por conta de uma nova palestra que irei dar sobre o tema e seu forte relacionamento com outros temas que tenho estudado, como V.U.C.A., Mindset, Inteligência Emocional, Mindfulness e Pensamento Complexo, dentre outros, eu decidi escrever esta resenha.

Rigidez Emocional 


"Ficar preso a pensamentos, sentimentos e comportamentos que não nos atendem." (Susan David em "Agilidade Emocional")

Agilidade Emocional


"Ser flexível com seus pensamentos e sentimentos de forma que você consiga responder da melhor maneira a situações cotidianas.” (Susan David em Agilidade Emocional)

Nada de tentar controlar pensamentos ou te forçar a pensar de forma mais positiva! Isto não só não funciona como muitas vezes pode piorar as coisas... No livro Susan explica que já nascemos com agilidade emocional (que daqui para a frente irei chamar de AE), e como pai de crianças com 10 anos ou menos isto fica claro para mim. O problema é que à medida em que vamos crescendo e incorporando práticas e conceitos de nossa cultura acabamos por perder boa parte de nossa AE. E isto não é nada bom, pois precisamos dela para conseguirmos viver neste mundo V.U.C.A.. Mas espere aí, o que é este tal de V.U.C.A.?

V.U.C.A. é uma abreviatura em inglês criada na década de 1990 por militares americanos que significa Volatilidade (Volatility), Incerteza (Uncertainty), Complexidade (Complexity) e Ambiguidade (Ambiguity). Ela extrapolou o meio militar e vem sendo cada vez mais usada para descrever o mundo de hoje, em que as mudanças ocorrem de forma tão rápida e inesperada que muitos de nós temos dificuldades em acompanhá-las.

Sem AE é muito difícil viver neste mundo V.U.C.A.!

Ok, e como recuperar ou aumentar a nossa AE? Susan descreve várias estratégias no livro:

1. Use o seu neocórtex (parte do nosso cérebro que controla o nosso pensamento e raciocínio conscientes) para ficar atento à conexão entre sentimentos, pensamentos, palavras, ações e emoções. 

2. Procure fazer “pequenos ajustes” (“tiny tweaks”) focados em três áreas de nossas vidas:

Sistema de crenças (“mindset”)

Aqui ela bebe na fonte de "Mindset", outro livro fantástico, da Carol Dweck, que mencionei rapidamente aqui e que agora tem edição em português. Procure sempre desenvolver um mindset de crescimento (growth) ao invés de se apegar a um mindset fixo (fixed), que resiste a qualquer tipo de mudanças. Para isto é MUITO importante observarmos nossos pensamentos e palavras, pois estes influenciam diretamente nosso comportamento e ações.



Com muita frequência chamo atenção para este ponto (observação de nossos pensamentos e palavras) com meus clientes de coaching. Alguns dizem que isto é bobagem, ou não dão muita atenção, mas eu insisto, e eles acabam percebendo a importância desta mudança de comportamento. E claro, procuro me observar bastante para não ser controlado por um mindset fixo (veja o que a Susan fala sobre "passo para fora" em trecho de entrevista dela mais abaixo).

Motivações



“Eu tenho que” x “Eu quero”

Qual dos dois acima é mais eficaz para nos motivar, e por quê? Pense nos pequenos ajustes que você pode fazer AGORA em sua vida para alcançar algo que você queira mas não vem conseguindo.



Hábitos



Hábitos são comportamentos automáticos, portanto o primeiro passo para mudarmos um hábito que nos seja nocivo é tomarmos consciência dele.

Ok, identifiquei um hábito nocivo e decidi que quero (MOTIVAÇÃO) deixá-lo, ou trocá-lo por outro que me seja benéfico. Como faço isto?

Leia o livro da Susan, ou "O Poder do Hábito", de Charles Duhigg, sobre o qual falo aqui.

Um ponto importante abordado por Susan em seu livro e nesta entrevista em português para a revista Amanhã é:  



"Charles Darwin escreveu um livro não muito famoso chamado “A expressão das emoções nos homens e nos animais”. Na obra, ele discorre sobre a ideia de que as emoções nos ajudam não apenas a nos comunicar om outras pessoas, mas também com nós mesmos. Esse é um aspecto crítico do meu livro. Essa ideia de que podemos aprender com o que há por trás das nossas emoções, quando temos um sentimento de culpa, de ira, há sempre alguma coisa aí de instrutivo para nós. Agora, a distinção evidente aqui é que nossas emoções são dados – e não direcionamentos. Podemos aprender com elas, mas não temos de obedecê-las ou ser dominados por elas.

No livro, discorro sobre a ideia de se expor. Contudo, descrevo também as habilidades críticas que chamo de dar um passo para fora, isto é, a capacidade de experimentar um sentimento ou pensamento e praticamente pairar acima dele. Todos tivemos essa experiência: quando nos irritamos com alguém, quando espumamos de raiva com um encarregado do serviço ao cliente que mais uma vez errou na nossa conta. Essa capacidade de sentir emoção e praticamente pairar sobre ela é uma habilidade fundamental para nós e para nossos filhos. Ela nos ajuda a ser sadios
e a nos sentir bem sem ignorar nossas emoções. [Uma citação frequentemente atribuída a Viktor Frankl sintetiza bem isso:] entre o estímulo e a resposta, há um espaço. E nesse espaço está nosso poder de escolha. É dessa escolha que vem nosso crescimento e liberdade." (fonte: entrevista da autora para a revista Amanhã)

Nossa, se já não tivesse lido o livro quando conferi esta entrevista iria correndo comprá-lo só por conta deste trecho, em especial pelas citações a dois autores que me marcaram muito, Charles Darwin (falo dele aqui) e Viktor Frankl, autor de "Em Busca de Sentido", sobre o qual falo aqui.

Ficou interessado? Então use seu mindset de crescimento e vá conferir o livro da Susan!

***** Ivo Michalick, 17 de junho de 2019, Belo Horizonte, BRASIL






quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Coaching: uma biblioteca de referência

Muitas pessoas me pedem referências de livros sobre coaching, e em função disto eu resolvi postar aqui uma biblioteca de referência, com livros em português, inglês e espanhol.



Biblioteca de referência sobre coaching

1. "Awaken The Giant Within", Tony Robbins: é por muito considerado o maior coach do mundo, ao mesmo tempo que muitos o consideram mais um "showman". Você pode tirar suas próprias conclusões assistindo o documentário "I Am Not Your Guru", disponível no Netflix. Repare no trailer do documentário que os seminários do Tony são verdadeiros espetáculos que reúnem milhares de pessoas. Não é um livro introdutório sobre coaching, mas dá excelentes dicas e conceitos bem interessantes.


"Awaken The Giant Within", Tony Robbins

Link para versão em português: site da Livraria Cultura

2. "Competencias de Coaching Aplicadas", Damián Goldvarg, Norma Perel de Goldvarg: coaching não é uma profissão regulamentada, mas existem associações que procuram organizar e regular informalmente a área. A mais abrangente e conhecida é a ICF - International Coaching Federation. O primeiro autor é um ex Presidente mundial da ICF e descreve com detalhe no livro as 11 competências essenciais do coaching na visão da ICF, que costumam se a base do currículo da grande maioria dos cursos de formação em coaching.


"Competencias de Coaching Aplicadas", Damián Goldvarg, Norma Perel de Goldvarg


3. "Zen Coaching", Javier Carril: mistura curiosa (e bem eficaz) de Zen e coaching, de leitura muito agradável. Aliás os autores de língua espanhola, em especial chilenos e argentinos, costumam oferecer obras bem interessantes sobre coaching.


"Zen Coaching", Javier Carril

Não possui versão em português.

4. "Coaching com PNL", Andrea Lages & Joseph O´Connor: tradução do original em inglês que aborda coaching com técnicas de PNL - Programação Neurolinguística, tema sobre o qual Joseph O´Connor é um dos principais expoentes.


"Coaching com PNL", Andrea Lages & Joseph O´Connor

5. "Coaching", Anna Zaharov: introdução geral interessante sobre o tema, apesar de não seguir a lista de competências proposta pela ICF. Fala sobre o profissional de coaching, dinâmica do processo, temas que costumam se repetir nas sessões, peso das emoções e gestão de pessoas.


"Coaching", Anna Zaharov

6. "Ferramentas de Coaching", João Alberto Catalão, Ana Teresa Penin: este seria um livro para coaches, pois assume que o leitor conhece o assunto e está em busca de ferramentas que possam apoiar o seu trabalho, descrevendo de forma sucinta 50 ferramentas de coaching, boa parte delas usada por mim em diferentes momento das minhas sessões.


"Ferramentas de Coaching", João Alberto Catalão, Ana Teresa Penin 

7. "Lifestorming", Alan Weiss e Marshall Goldsmith: os autores, em especial Marshall Goldsmith, são considerados entre os maiores coaches do mundo, e esta é sua primeira obra em conjunto. Curto e de fácil leitura, vale a pena conferir pelos vários "insights" oferecidos ao longo do livro.


"Lifestorming", Alan Weiss e Marshall Goldsmith

Não possui versão em português.

8. "Coaching Executivo", Vicky Bloch, João Mendes, Luis Visconte: os autores  descrevem no livro o processo que utilizam para o coaching executivo, conceito que definem como:

"O coaching executivo é um processo estruturado, porém flexível, que promove um movimento de dentro (reflexão) para fora (ação) e que envolve, fundamentalmente, o engajamento e a motivação do coachee. Ele conduz ao processo de alto desempenho pelo comprometimento com os stakeholders".

Boa leitura para coaches que querem conhecer mais sobre coaching executivo e para executivos que consideram passar por um processo de coaching. Inclui depoimentos de executivos que passaram pelo processo.


"Coaching Executivo", Vicky Bloch, João Mendes, Luis Visconte

9. Co-Active Coaching, Henry Kimsey-House, Jaren Kimsey-House, Phillip Sandahl, Laura Whitworth: publicado pelo CTI - The Coaches Training Institute, considerada a maior escola de coaching do mundo (em termos de alunos formados) e na qual fiz a minha formação completa em coaching, com o programa completo de cursos seguido da certificação, chamada CPCC - Certified Professional Co-Active Coach Foi uma jornada de quase dois anos cujo início eu descrevi nesta postagem de 2013. Optei por fazer os cursos de forma espaçada e sempre em turmas diferentes, todas nos Estados Unidos. E confesso, o processo de certificação não foi nada fácil, com sessões supervisionadas e no final provas escritas e orais. 

Peço desculpas pela aparente "corujice", mas gostaria de compartilhar aqui meu certificado CPCC, que demandou mais de 200 horas de estudo teórico e prático além de algumas centenas de horas de sessões com clientes. Isto já incentivou pelo menos dois colegas brasileiros a seguirem este caminho e também se tornarem coaches certificados como CPCC pelo CTI.


Meu certificado de CPCC emitido pelo CTI e assinado pela Karen Kimsey-House


Co-Active Coaching, Henry Kimsey-House, Jaren Kimsey-House, Phillip Sandahl, Laura Whitworth

Não possui versão em português.

10. "Coaching For Performance", John Whitmore: a primeira edição é de 1992 e tida por muitos como a primeira publicação séria sobre o assunto. Bem focado em melhoria de desempenho, descreve em detalhes o modelo GROW, uma das principais ferramentas usadas por coaches até hoje. Escrito antes da criação da ICF (fundada em 1995) e de seu programa de competências, apresenta uma visão bem prática e aplicável do processo de coaching que se mantém bastante atual até os dias de hoje.



"Coaching For Performance", John Whitmore


E é isto! Gostou e quer saber mais sobre coaching? Então faço aqui o meu comercial: me procure - ivo.michalick@m2coaching.com.br , que eu te mando um questionário inicial com um conjunto de questões que me permita te conhecer melhor, e a partir das suas respostas (que obviamente manterei em sigilo, servirão apenas para que eu faça uma avaliação inicial sobre minha condição de ajudá-lo num processo de coaching) eu lhe envio um link para agendarmos uma primeira conversa, sem custo, para discutirmos melhor o processo e quem sabe iniciar um trabalho! As sessões podem ser presenciais (no meu home office em Belo Horizonte) ou à distância (via Skype, já atendi vários clientes de outros Estados e até de fora do Brasil).
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Ivo Michalick, 07 de novembro de 2018
Twitter: @ivomichalick
Belo Horizonte - BRASIL

sexta-feira, 30 de junho de 2017

"Ambiversão"

Eu sempre me achei uma pessoa tímida, ou melhor dizendo, introvertida. Minha família e meus amigos mais próximos sempre concordaram, mas com frequência eu encontro pessoas que se surpreendem quando digo isto, na linha de "Você, como assim, já assisti várias palestras suas com auditório cheio e você foi super bem!" ou coisa parecida. Também vai na contramão desta percepção o fato de que por muitos anos eu fui bastante ativo em fóruns de discussão na Internet, e com frequência escrevo no meu blog e interajo com leitores via email ou comentários. Até costumo dizer que fui "salvo pela Internet", pois através dela conheci centenas, talvez milhares de pessoas com as quais dificilmente iria interagir no mundo real sem este estímulo inicial.

Mas parte de mim sempre acho que esta coisa de ser introvertido seria verdade só até certo ponto. Aí em 2013 eu li "To Sell Is Human"/"Saber vender é da natureza humana", de Daniel Pink, que me apresentou o conceito de "ambiversão". Segundo Pink (traduzindo de artigo do autor disponível aqui  - por favor confira o artigo para saber mais sobre a Escala de Grant):

"Ambivertidos, um termo criado por cientistas sociais na década de 1920, são pessoas que não são nem extremamente introvertidas nem extremamente extrovertidas. Pense na escala de 1 a 7 usada por Grant. Ambivertidos não são 1 ou 2, mas também não são 6 ou 7. Eles ficam entre 3 e 5. Eles não são quietos, mas também não são barulhentos. Eles sabem como colocar suas opiniões, mas não são insistentes."




Isto me fez lembrar um dos maiores elogios que já recebi na vida de um colega de trabalho, vai em inglês mesmo pois é fácil de entender:

"Ivo is a man of few words, but each one is gold."

E para não parecer que estou me autopromovendo. aqui vão alguns adjetivos usados a meu respeito por pessoas que não são da minha família ou do meu círculo mais próximo de amigos: metido, arrogante, dono da verdade, pretensioso, autoritário e por aí vai...

Interessante, não? Minha leitura é de que todos estão certos, afinal estas foram suas percepções, e eu descobri que sou um "introvertido que às vezes tende para a ambiversão". E se queremos ter sucesso na vida precisamos dar atenção às opiniões positivas e negativas a nosso respeito. Muitas podem ser bobagens (geralmente por se basearem numa amostra muito pequena de nosso comportamento), mas boa parte retrata uma percepção concreta da outra pessoa, reforçada ainda mais quando outras pessoas emitem opinião similar.

Ok, mas e daí? E daí que eu acredito que todos nós que estamos mais para um dos extremos da Escala de Grant temos MUITO a aprender com o outro extremo, e podemos fazer isto via obervação e prática, ao mesmo tempo mantendo nossa essência interior. Continuo me considerando um introvertido, mas estou totalmente convencido da necessidade de incorporar aspectos de extroversão no meu comportamento e na minha comunicação com outras pessoas, em especial as extrovertidas, e vejo isto como uma tarefa para o resto da vida. E se você quer começar a fazer isto, eu sugiro este simples exercício:


Começando AGORA, passe a cumprimentar TODA pessoa com quem você interage na sua rotina diária (tanto pessoal quanto profissional) com um sorriso no rosto, chamando a pessoa pelo nome (se não sabe ou não se lembre pergunte, e trate de não esquecer!), olhando nos olhos e dizendo "Bom dia Alice" ou algo parecido. Pratique isto por duas semanas e depois reflita sobre o que aconteceu na sua vida. E caso se sinta à vontade por favor comente por aqui como foi!


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Ivo Michalick, 30 de junho de 2017
Twitter: @ivomichalick
Belo Horizonte - BRASIL


segunda-feira, 6 de março de 2017

Atualização do meu projeto

Muita gente tem me perguntado sobre o status do meu projeto de recuperação, e apesar dele ainda estar em andamento e com algumas definições importantes por acontecer eu decidi postar por aqui um novo relato, vamos lá:

Depois da negativa da UNIMED-BH em cobrir o exame PET-TC eu recorri à via judicial, e consegui liminar em agosto passado. Fiz o exame em setembro, e no laudo aparece a expressão a seguir:


"Lesão hipermetabólica expansiva no corpo vertebral de T10 e T11 compatível com plasmocitoma metabolicamente ativo."


O que em bom português indica que o tumor parece continuar ativo. Em seguida fiz mais uma grande quantidade de exames, os mais importantes sendo:

1. Biópsia da medula, em out-16: deu negativo, o que significa que pelo menos na minha medula, que foi de onde saíram as células que geraram o tumor, não tenho nada doente no momento, o que é uma excelente notícia. 

Procedimento relativamente simples, fiz pela segunda vez. Vou a um ambulatório, me dão uma sedação de cerca de 30 minutos, e quando acordo o procedimento já foi encerrado! Ainda bem, pois não queria precisar ver a agulha, que sei que é enorme :)

2. Biópsia fechada do tumor, com agulha, em nov-16: esta é um pouco mais chata, pois precisei me internar e passar um dia inteiro no hospital. Além disto o procedimento envolve anestesia geral e, pela localização do tumor (incrustado ao redor da minha espinha), apresenta certo risco. Foi feito com (de novo!) uma agulha enorme que mais uma vez não vi e o cirurgião se guia por imagens de tomografia em tempo real (esta parte eu queria ter visto!). Trata-se de um procedimento menos invasivo do que a outra alternativa, que seria a biópsia aberta, mas com possibilidade de dar errado no sentido de não conseguir pegar amostras significativas do tumor para análise. E foi isto que acabou ocorrendo, e o pior é que para descobrir foi preciso esperar cerca de duas semanas pelo resultado...

Aí veio Natal, viagem do cirurgião que fez as minhas biópsias do tumor (o mesmo que me operou em agosto de 2015) e um janeiro em que eu tinha agendados 10 dias de férias com a família num resort na Bahia, seguidos de outra viagem de 10 dias aos Estados Unidos, para reuniões do PMI (Project Management Institute) em Philadelphia e quatro dias de passeio rápido em New York e Miami (afinal sabe-se lá quando terei oportunidade de voltar aos Estados Unidos dada a incerteza do meu projeto, certo?).

3. Biópsia aberta do tumor, em 17-fev-17: agendada inicialmente para 03-fev, adiada a meu pedido depois que entendi a complexidade da coisa, bem maior do que eu pensei inicialmente. Eu achei que poderia atender compromissos profissionais agendados já a partir de segunda, e aí descobri que se trata de uma verdadeira cirurgia, com anestesia geral, abertura via corte e intervenção direta na região do tumor para retirada de amostras com apoio visual. Previsão de dois a três dias no hospital seguidos de uma semana de repouso.

O resultado da biópsia chegou hoje (06-mar), mas só terei consulta com a minha médica mais no fim desta semana. De qualquer forma estou trabalhando (como gerente de projetos que sou!) com o pior cenário, que prevê tratamento quimioterápico, provavelmente a começar ainda este mês. O que vier melhor do que isto será lucro!

Este período de agosto até agora não tem sido fácil, mas ao mesmo tempo é "fichinha" quando penso no que passei nos meses logo depois da cirurgia inicial. Busquei levar a vida da melhor forma possível, mas reduzi drasticamente minha carga de trabalho e de viagens, o que estou retomando agora. Também devo dizer que tive altos e baixos em termos de estado mental, mas as técnicas de mindfulness e outras que citei numa postagem anterior sobre o projeto me ajudaram bastante.

Uma coisa que este projeto trouxe para mim foi me levar a refletir de forma mais profunda sobre o meu projeto de vida para os próximos dez anos. A motivação é bem simples: a mediana de expectativa de vida para pessoas que possuem esta doença é de mais dez anos. Isto quer dizer que, mesmo que se este tumor vier a me matar um dia, isto ainda vai demorar muito tempo, e ainda tem muita coisa que eu quero e preciso fazer com a minha vida. Nesta reflexão uma frase que me marcou muito foi esta:

"Once you have mastered time, you will understand how true it is that most people overestimate what they can accomplish in a year - and underestimate what they can achieve in a decade!" (Tony Robbins)

Eu a ouvi pela primeira vez da boca do próprio Tony Robbins, no excepcional documentário "I am not Your Guru", disponível no Netflix, que aliás eu recomendo fortemente.





Uma decisão importante que eu tomei é que irei falar menos deste projeto e mais sobre outros temas que me interessam, não quero passar para vocês a ideia de que esta doença me define e tem muita coisa interessante que eu gostaria de compartilhar com vocês :)

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Ivo Michalick, 06 março de 2017
Belo Horizonte - BRASIL


quarta-feira, 20 de julho de 2016

UNIMED-BH NÃO é excepcional :(

Pois é, fui elogiar a UNIMED-BH numa postagem anterior, e na semana passada a decepção foi simplesmente ENORME :( 

Estou em processo de recuperação de um câncer que me pegou de jeito em agosto do ano passado, e desde então fiz cirurgia, fiquei internado, fiz biópsia, radioterapia e todos os tipos de exames de sangue e urina que podemos imaginar, além de vários exames de imagem (de raio X a tomografia), e venho enfrentando da melhor forma possível tudo o que a doença tem colocado na minha frente (aprendi que câncer a gente não derrota, a gente "entra em acordo com ele", de preferência de forma amigável).

Descobri em mim uma disciplina que não sabia ter, e quem tem acompanhado minhas postagens sobre este assunto deve ter percebido que isto tem facilitado bastante todo este processo. Mas semana passada sinto que levei uma verdadeira "bola nas costas" (gíria de futebol que significa algo como uma decepção com quem menos se espera) da UNIMED-BH.

Como o tumor está/estava dentro de mim, entranhado na minha coluna e colocando em risco minha medula e todos os nervos que passam na região (o que explica minha dificuldade de movimento e a sensibilidade alterada nas pernas, algo que precisei aprender que posso ter que suportar para o resto da vida), a cada seis meses eu faço um acompanhamento com a minha especialista (esta sim, uma profissional e pessoa fora de série, que acredito ser incapaz de me dar uma "bola nas costas"). Este processo é meio demorado, pois ela costuma pedir uma série de exames, eu preciso obter as autorizações da UNIMED-BH, fazer os exames e retornar a ela, que com base nos resultados pode pedir novos exames. Pois bem, semana passada tive a notícia final da UNIMED-BH de que o pedido de tomografia feito pela minha médica, apesar de devidamente embasado por um laudo técnico emitido por ela, foi RECUSADO. O mais interessante quando se lida com uma instituição deste porte é que eles sempre buscam aparentar que estão cobertos de razão, neste caso apontando para uma resolução da ANS que lista os tipos de exames obrigatórios para cada tipo de patologia. Ainda tentei argumentar (afinal acredito no poder da lógica e da argumentação), mandando para a UNIMED-BH a mensagem abaixo:

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Recebemos hoje a notícia da auditoria da UNIMED-BH que o pedido do exame PET - TC feito pela minha médica, Dra. xxx, foi NEGADO, com base na resolução RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº 387/2015, ANEXO II da ANS. Apesar de correta pela regra da ANS, eu gostaria que a UNIMED-BH, em virtude do histórico do meu caso, reconsiderasse a negativa, pois:

  - Posso estar em processo de recaída do plasmocitoma que me levou à internação no hospital da UNIMED-BH em agosto do ano passado;
  - Quanto antes isto for confirmado mais simples (e barato) será o tratamento;
  - O exame solicitado é a melhor forma de confirmar ou não esta possibilidade;
  - A UNIMED-BH já fez este exame comigo em 12 de agosto passado, como parte do processo investigativo que me levou à cirurgia de remoção parcial do tumor na mesma época, quando fiquei internado no hospital da UNIMED-BH de 12 a 21-ago.

Aliás, eu não teria problema algum em fazer este exame no próprio hospital da UNIMED-BH, caso a instituição decida reconsiderar sua negativa inicial. Caso esta negativa seja confirmada pela UNIMED-BH eu gostaria que a organização me aconselhasse como proceder para dar sequência ao processo investigativo proposto pela minha médica em laudo emitido por esta e encaminhado como parte do pedido de exame feito à UNIMED-BH.

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Não adiantou nada, mantiveram a recusa, e agora preciso avaliar quais serão os próximos passos neste processo, ao mesmo tempo que busco me focar no trabalho (não custa lembrar que o tratamento me deixou cerca de seis meses praticamente sem trabalhar, e portanto sem quase nenhuma receita vinda das minhas atividades profissionais) e no meu processo de recuperação :(

Diante de tudo isto retifico meu comentário na postagem citada lá em cima: a UNIMED-BH NÃO é uma rede de saúde excepcional. Ela é na verdade comum, média, ou melhor, medíocre, e insensível às necessidades e anseios de seus clientes. Em outras palavras, ela é como as outras, o que eu consideraria muito pouco se fizesse parte desta organização como associado ou funcionário.

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 >>> Atualização na noite de 24-jul-16 (acabei de voltar de férias): parece que minha postagem chegou ao setor de mídias sociais da UNIMED-BH, o que nos dias atuais não é surpresa. A única novidade no contato deles comigo é que me disseram que eu NÃO fiz o exame pedido pela minha médica enquanto estive internado com eles, naquela época fiz tomografia, ressonância magnética e raio X, enquanto que agora a minha médica pédiu um PET-TC,que é meio que uma tomografia mais sofisticada...




Equipamento que faz o exame PET-TC (fonte: http://www.cetac.com.br/pet_ct_o_que_e.html )

Quando ao meu exame a negativa foi mantida, e a UNIMED-BH não me ofereceu alternativa que não seja, no que depender deles, "esperar para ver se fico pior" (o que obviamente não é o meu plano!).

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>>> Atualização na tarde de 03-ago-16: acabaram de me ligar da UNIMED-BH, a negativa está mantida e é definitiva. E a empresa, cujo slogan é "Nosso plano é cuidar de você", continua sem me oferecer alternativa de sequência de tratamento, portanto vou ter que buscar outras soluções que não sejam esperar para ver se fico pior e aí a UNIMED-BH me atende. Ah, e para os colegas se ofereceram para me ajudar a pagar o exame: agradeço a todos, mas a questão para mim, ao menos por enquanto, é de princípio. E claro, fazer este exame é o que importa para mim aqui e agora, este é o meu "baby step" da hora :)

P.S.: não deixa de me dar um certo consolo saber que não tenho nenhuma ligação profissional hoje com a UNIMED-BH, eu me sentiria muito mal trabalhando em uma organização que trata desta forma o seu principal stakeholder. Respeito quem trabalha num lugar assim (afinal muitas vezes nossas escolhas são limitadas, em especial quando temos filhos para cuidar), mas ao mesmo tempo me identifico muito com esta declaração do ator Pedro Cardoso em entrevista nesta segunda:

"Ganhei muito dinheiro na publicidade, mas com profunda angústia", afirmou Pedro Cardoso. "Eu me arrependo de ter feito alguns filmes de publicidade sobre produtos, mesmo agressivos, como planos de saúde. A gente sabe que o plano de saúde vive no Brasil da falência da saúde pública", complementou. "Fiz coisas que eu não acho que foram boas para quem viu, não tenho orgulho."

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Ivo Michalick, 20 de julho de 2016
Caeté (de férias com a família, que ninguém é de ferro, apesar de ter alguns parafusos na coluna!) - BRASIL

domingo, 8 de maio de 2016

Eu sou Coelho!

 Passei minha infância e juventude em Santa Teresa e Horto, tradicionais redutos da torcida do América. Costumo dizer, quando falam em Kombi do América, que um dos meus tios era o motorista, e eu, meu pai e alguns tios e primos éramos passageiros. 

Estive presente no Mineirão nos títulos de 1971 e 1993, já vi o América fazer 5 a zero no Cruzeiro em um amistoso e neste dia voltei sozinho para casa com a camisa do clube em um ônibus cheio de cruzeirenses, e assisti muito treino do Coelhão no Independência (na época chamado Campo do Sete) e no Colégio Militar (onde estudei de 76 a 82). Fiz até meu pai cota do América e fazer parte do Conselho do clube por um tempo.

Parei de ir ao campo quando começaram as brigas, uma vez levei um copo de chope na cabeça num jogo contra o Galo nos anos 90 e confesso que a partir daí ir no Mineirão para mim perdeu a graça. Confesso que ainda estou por ver um jogo do Coelho no novo Independência, faz mais de 20 anos que não piso num estádio de futebol.

Nada disto importa agora, hoje torci de longe (SEM pijama!) e fiquei MUITO feliz, como há quase 20 anos não me sentia com futebol. Que seleção que nada, pra mim paixão de futebol é pelo nosso clube de coração, e o meu, com muito orgulho, SEMPRE foi e SEMPRE será o meu querido América!


Coeeeelhoooo!

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Ivo Michalick, 08 de maio de 2016
Twitter: @ivomichalick
Belo Horizonte - BRASIL



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Projeto "Recovery 2015" - Parte 4 (FINAL?)

Eu sempre digo aos meus colegas da área de gerenciamento de projetos para não usarem algum objetivo do projeto no nome deste, pois o objetivo pode mudar e confundir as pessoas. Exemplo: "Projeto +30", que deveria aumentar a produção em 30 unidades, mas durante a sua execução este objetivo é mudado (por exemplo) para a adição de 20 unidades...

Cometi este erro com meu projeto pessoal de recuperação da saúde física (e de certa forma mental), pois o chamei de "Recovery 2015", estamos em fevereiro de 2016 e ainda não estou totalmente recuperado, além de ainda não ter conseguido correr com as minhas filhas no parque :(

Por outro lado já viajei sozinho a trabalho dentro do Brasil e para os Estados Unidos, isto em pleno inverno (confiram a foto abaixo)!

Eu em Philadelphia, janeiro de 2016

E antes disto fui para a praia com as meninas. Ficamos num resort na praia do Forte em que a distância da porta do nosso quarto até o restaurante era de cerca de 800 metros, portanto precisei caminhar quase 5 quilômetros por dia somente para me alimentar! Ah,, e já dirijo o carro da família (que tem câmbio automático). O meu eu ainda não tive coragem de tirar da garagem, mas desisti de vender.

De outubro para cá passei por uma segunda rodada de radioterapia, e parece que o tumor foi embora :) Ainda tenho dificuldade para caminhar, e preciso tomar cuidado, pois acho que a perda muscular nas pernas mudou meu centro de gravidade e eu agora me desequilibro com frequência (mas ainda não caí nem uma vez, nem mesmo na neve de Philly!).

Hoje enfrento dois grandes desafios neste projeto:

1. Preguiça: isto mesmo, nada de meias palavras! Como estive muito mal fisicamente estou tendo dificuldade em retomar uma atividade física regular. Por exemplo, preciso fazer reforço muscular nas pernas, e o jeito mais fácil é usar a academia do meu prédio, mas confesso que só fui lá duas vezes desde que tomei a decisão de fazer isto...

2. Perda do senso de urgência: poderia até dizer que este desafio é a causa do primeiro, mas entendo que são duas coisas diferentes. Como não estou mais "lutando pela minha vida", eu fico deixando muita coisa para depois, dizendo a mim mesmo que ainda estou em processo de recuperação. Isto é verdade, claro, mas sei que se trata de um sabotador interno (todos temos os nossos) me dizendo para continuar numa zona de conforto, com uma carga de trabalho muito baixa (no início do projeto reduzi bastante a clientela de coaching, as aulas e as consultorias) e sem maiores compromissos cotidianos. Não me entendam mal, não gosto de viver correndo, muito pelo contrário, mas acho que hoje estou mais para o outro lado deste espectro, e esta definitivamente não é a minha natureza. 

Meu círculo familiar e de amizade me diz para não me preocupar com nada disto, mas eu me conheço e sei que está na hora de enfrentar de frente estes dois desafios, e acho que se usar nesta tarefa 50% da energia que usei nos primeiros meses do projeto vou tirar isto de letra!

Um livro que me ajudou demais nestas últimas semanas, e que espero que me ajude a enfrentar estes dois desafios, é este: 


"Improv Wisdom", de Patricia Ryan Madson

A autora dá aulas de Improv em Stanford desde 1977. Eu, racional e hiperplanejador que sou, sempre fui fascinado pelo assunto, e no final do ano passado encomendei o livro dela na Amazon. Como ando meio preguiçoso (acabei de falar sobre isto) vou comentar só um pouquinho: 

Cada capítulo é uma regra de Improv proposta/compilada pela autora, lembrando que nossa vida é feita/cercada de improvisações, portanto todas estas regras se aplicam diretamente a todos nós. As regras são:

1. "Say yes/Diga sim."

Esta é a principal regra do Improv, a autora nos sugere trocar em nosso discurso "sim, mas" por "sim e". Não significa necessariamente fazer o que não quer, mas sempre avaliar com carinho tudo o que for proposto a você.

2. "Don´t prepare/Não prepare."

Nossa, como gerente de projetos e mapeado como hiperplanejador esta é a mais difícil para mim, mas já ouvi conselho parecido de muita gente bem sucedida. Minha interpretação pessoal é que não compensa planejar demais, pois o mundo é muito complexo e devemos ficar atentos no que está acontecendo agora (e, no meu caso, considerar isto em nossos planos para o futuro).

3. "Just show up/Simplesmente compareça."

Concordo plenamente, sou fã desta frase do Woody Allen:

"Showing up is 80 percent of life."

Compareça no horário, combinado com os outros e com você mesmo. E comece seu dia com o que é importante para você!

4. "Start anywhere/Comece em qualquer lugar."

Muito parecido com o conceito de "next action" do David Allen, meu guru de gestão do tempo, que proponho a todos os meus clientes de coaching. Não sabe por onde começar um projeto? Não importa, comece em qualquer lugar, mas comece, todos os pontos de partida são válidos!

5. "Be average/Seja mediano."

Me lembrei do ditado "o ótimo é inimigo do bom". Muitas vezes o que é ordinário para nós é uma revelação para os outros.

6. "Pay attention/Preste atenção."

Um dos mais difíceis para mim, que costumo tentar fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Mas melhorei muito nesta frente por causa do meu trabalho como coach, que me ensinou que durante uma sessão não há nada mais importante do que servir ao cliente da melhor forma possível. O que ainda tenho dificuldade é me lembrar dos nomes das pessoas, em especial alunos, já que para mim é comum ter pelo menos 300 alunos em um ano. Mas continuo buscando melhorar nisto!

7. "Face the facts/Encare os fatos."

Precisamos aceitar o outro como ele é, e não como gostaríamos que ele fosse. E precisamos ter cuidado com nossos sabotadores internos, que muitas vezes nos induzem ao erro, como comentei aqui.

8. Stay on course/Mantenha o rumo."

Minha interpretação pessoal: não desista, a menos que decida desistir! Ou: insista ao máximo enquanto acredita no projeto, mas não tenha medo de desistir se concluir que não vale mais a pena.

9. "Wake up to the gifts/Acorde para as dádivas."

Fique atendo aos detalhes, e procure perceber o copo "meio cheio". E reconheça o apoio de quem te ajuda, não importa de que forma.

10. "Make mistakes, please/Cometa erros, por favor."

É muito difícil aprender sem errar, ou sem conhecer os erros dos outros. Errou, admita e procure se concentrar no que vem a seguir.

11. "Act now/Aja agora."

Não procrastine, aja! E lembre-se do princípio #4.

12. "Take care of each other/Cuidem uns dos outros."

Ajude os outros e compartilhe controle quando atuar em equipe. Princípio bem alinhado com as propostas das metodologias ágeis de gerenciamento de projetos (assim como os princípios #2 e #4).

13. "Enjoy the ride/Aprecie a jornada."

Sorria o máximo que puder, e se algo que tiver que fazer não for do seu gosto, procure mudar o seu gosto! E lembre-se, muitas vezes a jornada é melhor que o destino...

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Ivo Michalick, 11 de fevereiro de 2016
Twitter: @ivomichalick
Belo Horizonte - BRASIL