quarta-feira, 1 de julho de 2015

"Triggers" e uma parábola budista

"Um jovem fazendeiro estava coberto de suor enquanto remava seu bote rio acima levando mantimentos para a vila. Era um dia quente, e ele queria fazer a entrega e voltar para casa antes do anoitecer. Ao olhar para a frente, ele notou outro barco, vindo rapidamente rio abaixo em sua direção. Ele remou furiosamente para sair da direção do barco, porém sem sucesso.

Ele gritou, "Saia da frente! Você vai bater em mim!" Sem sucesso de novo. O outro barco bateu no dele com força. Ele exclamou, "Seu idiota! Como você conseguiu bater no meu barco no meio deste rio tão largo!" Porém, ao olhar para dentro do barco procurando o indivíduo responsável pelo acidente, o fazendeiro reparou que não havia ninguém dentro do outro barco, que estava vazio. Ele esteve gritando o tempo todo para um barco vazio que havia se desprendido de um ancoradouro rio acima e estava descendo o rio sozinho por conta da força da correnteza."

Fonte: tradução livre deste autor a partir de "Triggers", de Marshall Goldsmith.



Muitas vezes nos comportamos como o fazendeiro da parábola acima, culpando outras pessoas (ou pior ainda, outras COISAS) por nossos problemas... Isto nos permite ficar irritados, culpar os outros e nos fazer de vítima.

Isto não é bom para nós, precisamos entender que temos muito pouco controle sobre o nosso ambiente/mundo externo, sejam coisas, sejam pessoas. Confiram estes outros exemplos dados por Marshall Goldsmith em "Triggers":

1. O colega de escritório que gosta de aparecer nas reuniões interrompendo os outros (incluindo você) e pensa que é mais inteligente do que os outros. Barco vazio.

2. O motorista que fica na sua traseira o tempo todo sem ultrapassar e fica piscando os faróis. Ele faz isto todo dia, com motoristas diferentes, hoje foi com você. Carro vazio.

3. O funcionário do banco de terno e gravata que recusou seu pedido de empréstimo por causa de um pequeno erro de ortografia no formulário de aplicação? Ele vê um formulário, não você. Terno vazio.

4. A caixa de supermercado que deixou de colocar nas suas embalagens a latinha de enchovas gourmet que foi o principal motivo da sua ida ao supermercado, já que você precisa dela para sua receita de jantar para os amigos hoje à noite. Ele passou o dia cobrando e empacotando itens para os clientes, uma latinha de 100 gramas é fácil de passar despercebida. ela não fez de propósito, e com certeza não para você. Outro veículo vazio.

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Pessoalmente me identifiquei MUITO com este trecho do livro, pois me remete à essência do Zen Budismo e da filosofia estoica, nos mostrando que só temos algum controle sobre nós mesmos, e podemos e devemos escolher como vamos reagir aos acontecimentos. Nada de passividade vazia, mas sim agir usando a razão ao nosso favor. Quem conseguimos mudar com mais facilidade: nós mesmos ou os outros? É como diz Marshall, ficar com raiva de outra pessoa por ela ser ela mesma é como ficar com raiva de uma cadeira por ela ser uma cadeira...

"Triggers" foi uma das minhas melhores leituras nos últimos tempos, e com certeza vou incorporar vários instrumentos e ensinamentos do livro à minha prática de coaching! Quer se tornar uma pessoa melhor? Confira este livro!



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Nova Lima, BRASIL - 01 de julho de 2015.

sábado, 28 de março de 2015

Fritz Perls, eu, você e Raul

Esta postagem está sendo escrita numa ensolarada manhã de sábado, um dia depois de ouvir meu amigo Ricardo Triana citar em sua palestra no evento PMO Summit no Rio uma frase que me lembrou da "Oração da Gestalt" de Fritz Perls. Isto depois de, nas últimas duas ou três semanas, ter me lembrado deste pequeno mas (ao menos para mim) impactante texto. Antes de avançar vamos conferir esta tal "oração":


"Eu faço as minhas coisas e você faz as suas.
Não estou neste mundo para satisfazer as suas expectativas.
E você não está neste mundo para corresponder às minhas.
Você é você, e eu sou eu,
E se por acaso nos encontrarmos será maravilhoso.
Se não, não há nada a fazer."
(minha tradução)

É curioso, eu conheci a "oração" há cerca de 25 anos, no início de um processo de psicoterapia. E confesso que foi amor à primeira vista! Sempre fui visto por quem é próximo de mim como uma pessoa individualista, que não se importa com a opinião dos outros a meu respeito. O que aliás é parcialmente verdade, para mim o mais importante nesta frente é como me percebo com relação às minhas próprias expectativas para o que chamo de meu "eu potencial". Não me entendam mal (mas se isto ocorrer paciência, pois "eu sou eu e você é você"), sou uma pessoa que se considera generosa e que se importa com o bem estar dos outros, mas me considero meu maior e melhor crítico (afinal vivo comigo 24 horas por dia!).

Estas percepções dos outros não eram suficientes para mudar meu comportamento, mas eram algo que me deixava chateado e que de certa forma me levou, dentre outros fatores, a procurar um psicoterapeuta (na época acho que não existiam coaches no Brasil...). E aí, logo numa das primeiras sessões, fui apresentado à oração, e entendi que estava certo e não precisava mudar em função do que os outros diziam! E ainda mais importante, durante o processo enxerguei que precisava mudar sim (ou melhor, me aperfeiçoar), mas de forma a atingir as expectativas que coloquei para mim mesmo, não as de outras pessoas.

Quando você começa a refletir sobre a "oração" costuma enxergar coisas que até então não havia considerado. Alguns exemplos pessoais:

 - Não adianta querer ter ou ser o que o outro tem ou é. Corremos o risco de conseguir e ainda assim nos sentirmos vazios.

 - Por outro lado, não dá para vivermos sem refletir sobre o nosso papel neste mundo, que por sinal é multifacetado. No meu caso por exemplo me vejo como pai, marido, consultor, coach, filho, amigo e professor, dentre outros, e procuro alcançar meu "eu potencial" em cada um deles.

- Não devemos tentar mudar o outro, temos que aceitar as pessoas como elas são.

- Só porque o outro não pensa como você ou não gosta das mesmas coisas que você isto não significa que ele é pior do que você. Ele é simplesmente diferente.

- (Esta é para os pais e mães que me leram até aqui) Devemos educar os nossos filhos para que descubram e alcancem suas próprias expectativas, e não as nossas. Precisamos tomar MUITO cuidado para não projetarmos nos filhos o que desejamos para nós mesmos, pois "eu sou eu e você é você". Claro que isto não nos dispensa de educá-los, muito pelo contrário, precisamos passar para os nossos filhos os nossos valores, mas ao mesmo tempo dar a eles a oportunidade de descobrirem e desenvolverem suas individualidades. E pelo exemplo, sempre que possível! 

E o Raul nesta estória toda? Sou grande fã, e já o citei aqui. Pois me lembrei dele de novo escrevendo este texto, confiram este trecho da música "Ouro de Tolo":




É claro que como toda forma de arte existem múltiplas interpretações, mas no meu caso fica claro o recado de que não dá para querermos viver com base em expectativas externas, pois isto pode nos levar ao (de novo Raul em "Ouro de Tolo"):

"...trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar."




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Nova Lima, BRASIL - 28 de março de 2015.

domingo, 15 de março de 2015

Workshop sobre Inteligência Emocional

Pessoal,

Peço licença para divulgar um evento meu, maiores informações abaixo:



Workshop "Inteligência Emocional" - clique na imagem para ir para o site do evento

Espero encontrar alguns de vocês por lá!

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Nova Lima, BRASIL - 15 de março de 2015.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Aulas práticas de Inteligência Interpessoal

Estória #1

Nesta semana fui a uma consulta com um profissional de saúde juntamente com minha esposa. Diálogo travado logo no início da consulta, na qual cheguei 8 minutos atrasado:

 - Eu (com um sorriso no rosto e buscando contato visual): "Olá Doutora XYZ, desculpe o atraso, acho que não sei mais dirigir em Belo Horizonte, passamos pelo centro da cidade e ficamos meio perdidos."

- Dra. XYZ (sentada olhando para a tela do computador, sem olhar para nós, sem sorrir e sem repetir o meu nome): "Qual o motivo da sua consulta?"

Não desistimos, minha esposa diz: 

 - "Quem nos indicou seu nome foi a JKL, acho que vocês foram colegas de faculdade."

 - Dra. XYZ (ainda sem desviar o olhar do computador): "Não tive nenhuma colega com este nome. Você poderia se levantar para checarmos seu peso e altura?" (como a consulta era minha imaginei que estivesse se dirigindo a mim)

 - Minha esposa; "Hum, acho que na verdade ela disse que vocês trabalharam juntas."

- Dra. XYZ (checando meu peso e altura na balança, e ainda sem fazer contato visual): "Eu trabalhei com uma pessoa com este nome." (mais nada...)

Desistimos, e confesso que quase fui embora na mesma hora. Procurei ser otimista e imaginar que a doutora estivesse tendo um dia ruim (pensei até em perguntar isto, mas confesso que tive receio).


Estória #2

Fui com a família no final de semana passear no Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Estávamos no pátio interno do CCBB quando minha filha mais velha (5 anos) entrou na cafeteria Sou Café para pegar uns folhetos num balcão (costume herdado do pai). Uma garçonete foi EXTREMAMENTE atenciosa com ela, separando os folhetos e perguntando se ela queria mais alguma coisa. Confesso que fiquei tão feliz com o ocorrido que resolvemos entrar e fazer um lanche. Outro garçom nos atendeu, com o mesmo padrão de excelência e gentileza. Ainda disse algo mais ou menos assim:

  - "Olha, o senhor pediu dois pães de queijo, uma tapioca, um café e dois sucos, temos uma promoção que inclui um pão de queijo, um café e um suco, sai mais em conta, posso alterar no seu pedido?"

Na hora de ir embora não resisti, fui ao gerente e disse:

  - "Posso lhe dizer uma coisa? Há muito tempo eu não recebia um serviço tão atencioso e gentil em Belo Horizonte, meus parabéns a toda a equipe."

 O gerente agradeceu muito e disse que espera contar com a nossa presença de novo no futuro. Pode apostar nisto!

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Notaram a diferença de relacionamento com o outro nos dois casos? Para mim foram uma verdadeira aula de Inteligência Interpessoal, ou Competência Social, algo sobre o qual reconheço ter muito a aprender (falei disto aqui ) mas já um pouco para ensinar :) E estamos falando de algo básico, gentileza e educação, não custa lembrarmos que todo diálogo é uma relação entre iguais (eu e outra pessoa) e não entre mim e um objeto. Isto é algo bastante explorado pelo filósofo austríaco Martin Buber em seu livro "Eu e Tu", de 1923! 


Capa de "Eu e Tu", de Martin Buber



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Nova Lima, BRASIL - 11 de março de 2015.

domingo, 8 de março de 2015

"Starry Night"

"Starry Night" é o nome de um quadro de Van Gogh, meu pintor preferido, de longe! Por conta disto foi com muita emoção que em janeiro eu tirei a foto abaixo, no MoMA (Museum of Modern Art), em New York. Esta viagem por si só valeria outra postagem, foi a partir de Philadelphia, de trem e no mesmo dia, só para matar a vontade de rever New York depois de 14 anos, em pleno inverno...

"Starry Night"/"A Noite Estrelada", de Van Gogh - foto deste autor tirada no MoMA em jan/15.

Um ponto interessante é que este quadro é a inspiração maior de uma música que adoro, "Vincent", de Don McLean, e só fiz esta conexão recentemente, DEPOIS da visita ao MoMA. Don compôs a canção no início da década de 1970, logo após ler uma biografia de Van Gogh (cujo nome completo é Vincent Van Gogh) que o deixou muito emocionado.

Para quem não sabe Van Gogh morreu pobre, se matou dando um tiro no peito aos 37 anos num campo perto de Paris e agonizou por dois dias até morrer, abraçado pelo irmão Theo, e passou parte do final de sua vida em hospitais psiquiátricos em Arles, Suíça e Saint-Rémy-de-Provence, França. "Starry Night" foi pintada pelo artista a partir da janela de seu quarto de hospital em Saint-Rémy-de-Provence.

Qual foi a doença de Van Gogh? Até hoje se discute isto, sem conclusão definitiva, mas uma coisa é certa: ele sofreu muito nos dois últimos anos de vida, incluindo uma depressão aguda e devastadora. Tentou reagir através da arte, pintando cerca de um quado por dia no mês anterior à sua morte, mas acabou sucumbindo à doença.  Don McLean capturou parte deste sofrimento nos versos finais de "Vincent", confiram a letra completa:

"Vincent" (Don McLean, 1971)

"Starry, starry night 
Paint your palette blue and gray 
Look out on a summer's day 
With eyes that know the darkness in my soul 
Shadows on the hills 
Sketch the trees and the daffodils 
Catch the breeze and the winter chills 
In colors on the snowy linen land 

Now I understand what you tried to say to me 
And how you suffered for your sanity 
And how you tried to set them free 
They would not listen, they did not know how 
Perhaps they'll listen now 

Starry, starry night 
Flaming flowers that brightly blaze 
Swirling clouds in violet haze 
Reflect in Vincent's eyes of China blue 
Colors changing hue 
Morning fields of amber grain 
Weathered faces lined in pain 
Are soothed beneath the artist's loving hand 

Now I understand what you tried to say to me 
And how you suffered for your sanity 
And how you tried to set them free 
They would not listen, they did not know how 
Perhaps they'll listen now 

For they could not love you 
But still your love was true 
And when no hope was left inside 
On that starry, starry night 
You took your life as lovers often do 
But I could have told you, Vincent 
This world was never meant 
For one as beautiful as you 

Starry, starry night 
Portraits hung in empty halls 
Frameless heads on nameless walls 
With eyes that watch the world and can't forget 
Like the strangers that you've met 
The ragged men in ragged clothes 
A silver thorn, a bloody rose 
Lie crushed and broken on the virgin snow 

Now I think I know what you tried to say to me 
And how you suffered for your sanity 
And how you tried to set them free 
They would not listen, they're not listening still 
Perhaps they never will"

Triste, mas lindo e sublime! Confiram esta versão original de Don McLean com tradução da letra para o português e que mostra várias das obras de Van Gogh:

"Vincent", de Don McLean

***** Nova Lima, BRASIL - 08 de março de 2015.




terça-feira, 30 de dezembro de 2014

20 perguntas para 2015

Pessoal,

Tudo bem? Seguem algumas sugestões que compilei para nos ajudar a termos um bom 2015:

A. Perguntas que devemos nos fazer sobre o ano que passou:

  1. Qual foi a minha maior conquista no ano?
  2. O que esta conquista me ensinou?
  3. Qual foi o meu maior fracasso no ano?
  4. O que este fracasso me ensinou?
  5. Quem me decepcionou em 2014?
  6. A quem eu decepcionei em 2014?
  7. Com quem eu pude contar em 2014? (Considere a possibilidade de fazer um agradecimento pessoal a esta pessoa ou pessoas, caso ainda não tenha feito isto.)
  8. Quem eu ajudei em 2014?
  9. O que eu fiz em 2014 que não quero, DE JEITO NENHUM, repetir em 2015?
  10. No geral, numa avaliação de 0 (péssimo) a 10 (excepcional), que nota eu dou para o meu ano de 2014?

B. Perguntas que devemos nos fazer sobre o ano que vai começar:

  1. A quem irei ajudar?
  2. O que irei estudar/aprender para me tornar uma pessoa melhor?
  3. Como irei melhorar meus relacionamentos pessoais, em especial com aquelas pessoas que considero de grande importância na minha vida?
  4. Como irei melhorar minha saúde e condição física?
  5. Como irei melhorar o ambiente físico da minha casa?
  6. Como irei melhorar minha situação financeira?
  7. Como poderei ter mais tempo livre?
  8. Que tipos de aborrecimentos e stress eu preciso eliminar da minha vida?
  9. O que estará diferente na minha vida em 31-dez-2015?
  10. Com quem posso contar na busca das respostas para as perguntas acima?
Quer relaxar e se inspirar para 2015? Recomendo "A arte de ser leve", da mineira de Araxá Leila Ferreira, última leitura do meu ciclo sobre felicidade. Aliás, continuo buscando um tema de estudo para 2015!

*** Nova Lima, 30 de dezembro de 2014.

sábado, 4 de outubro de 2014

Contemple ao menos a possibilidade de estar errado!



Nesta época de eleições eu sempre fico decepcionado com o grau de radicalismo de muitas pessoas que simplesmente não conseguem conviver com outras que pensam diferente delas! Eu sempre imaginei que eu não fosse assim, e recentemente obtive uma confirmação quase que científica. Explicando melhor: dentro dos meus estudos sobre o tema escolhido para estudar este ano (nada menos do que Felicidade!) eu encontrei este teste:



Eu gosto muito destes testes de personalidade, mesmo porque já fiz dezenas de testes diferentes e os resultados em geral são muito semelhantes e costumam coincidir com o que eu e as pessoas que me conhecem pensam de mim. Pois bem, este teste mapeia nossos "character strenghts" (algo como "pontos fortes de nossa personalidade") dentro de uma lista de 24. Ele retorna uma lista classificada, começando pelo que temos de melhor e terminando com o que temos de pior. Na parte negativa eu (infelizmente) não encontrei novidade, meu ponto fraco (ainda) é:

  Social Intelligence - falei disto aqui

A notícia boa é que meu ponto mais forte (e a ideia é que nós busquemos trabalhar em atividades que necessitem destes pontos) é:

  Judgment, critical thinking, and open-mindedness

Gostei em especial da parte sobre mente aberta, algo que sempre procurei cultivar, apesar de reconhecer que às vezes ainda sou muito teimoso :)

O mais interessante destas características é que elas podem ser cultivadas/desenvolvidas. Uma boa forma de fazermos isto é através da prática do diálogo com pessoas de outras áreas. Por exemplo, eu, que sou originalmente da área de exatas, me casei com uma artista (aqui confesso que foi por amor mesmo, não foi uma decisão racional considerando a importância da convivência com pessoas que pensam diferente de nós) e ADORO conversar com pessoas de áreas como artes visuais ou ciências humanas, e aliás, por conta do meu terceiro ponto forte (Love of learning) estou sempre procurando aprender coisas novas sobre áreas que não domino.

Já pararam para pensar porque certas pessoas (incluindo nós) adotam pontos de vista extremos, não aceitam mudá-los de jeito nenhum e até de certa desprezam quem pensa diferente a respeito? Por exemplo:

  - Temos o promotor de justiça que condenou um prisioneiro a prisão perpétua, que 20 anos depois, diante do surgimento de prova irrefutável que gera reversão da condenação, não aceita de jeito nenhum que estivesse errado da primeira vez.

  - Temos os integrantes de uma seita milenarista (que acredita na proximidade do final dos tempos), que no dia seguinte ao que seria o fim do mundo (que obviamente não aconteceu) reforça ainda mais sua crença, acreditando que suas orações permitiram ao resto da humanidade uma nova chance.

 - Temos aquelas pessoas recém-convertidas a uma religião que procuram renegar tudo o que fizeram no passado contrário aos preceitos da nova religião, e que agora ficam o tempo todo buscando converter os que não são da sua religião (ou ideologia política, acho que neste caso acaba sendo mais ou menos a mesma coisa).

Uma explicação para isto seria: estas pessoas investiram tanto em sua decisão inicial (que implica muitas vezes em desistir de certas coisas ou abandonar outras crenças), que admitir que estejam erradas é algo que chega quase a doer, graças ao fenômeno da dissonância cognitiva.  Quanto mais importante for o assunto relacionado mais difícil é para nós admitirmos que estamos errados. Já viram um conhecido que adote uma posição política radical (no sentido de achar que ele está certo e todo mundo que pense diferente dele a respeito está errado) explicando porque adota esta posição? Ele desfia uma lista ENORME de explicações, que em geral são as que o levaram a adotar tal posição no passado. Ele está mais buscando se convencer de que tomou uma decisão correta lá atrás, ou mesmo se justificar para si mesmo, do que tentando convencer o outro. E quando duas pessoas assim começam a discutir fica aquele diálogo que na verdade são dois monólogos concorrentes! Confesso que tenho preguiça de gente assim, e uso estas ocasiões para me manter alerta para evitar adotar este tipo de comportamento...

Termino mais uma vez lembrando um grande ídolo:





Um bom voto a todos amanhã, com mente aberta e sem medo de ser feliz!


*********** Nova Lima, 04 de outubro de 2014, BRASIL