quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sustentabilidade: uma visão pessoal


Nestes tempos em que sustentabilidade virou uma das “palavras da hora”, eu gostaria de falar um pouco sobre minha visão sobre este conceito: para mim, toda vez em que preciso tomar uma decisão sobre um projeto, penso em como isto pode afetar esta pessoa aqui:


Depois de ser pai pela primeira vez, aos 44 anos de idade, passei a ver o mundo de uma maneira TOTALMENTE diferente e (assim espero!) mais “certa”: fiquei ao mesmo tempo mais intolerante com a incompetência e o desperdício (que nos tiram tempo e recursos que poderíamos dedicar àqueles que mais nos importam) e compreensivo com as falhas dos outros, pois passei a enxergar toda pessoa de uma forma parecida como enxergo a mim (como pai) ou a minha esposa (Luiza) e filha (Bianca). Isto deveria ser óbvio, mas parece que a gente se esquece a toda hora: TODO mundo é filho de alguém, e MUITOS de nós são responsáveis por cuidar de filhos, assim como eu...

Esta visão nos ajuda a ficar concentrados no que REALMENTE importa nas nossas vidas e a buscar sair do ciclo de correria/urgência que muitos de nós nos impomos a nós mesmos. Por exemplo: você entraria numa guerra sabendo que seu filho estaria entre os primeiros a serem despachados para o campo de batalha? Ou aceitaria atuar num projeto que vai deixar um legado de poluição para a geração dos seus filhos? Convido a todos a refletir sobre isto.

*** Este texto é uma homenagem ao Pedro, meu mais novo sobrinho, que chegou ao mundo ontem à noite e me fez pensar ainda com mais força o que estou fazendo para que ele, Bianca e todas as crianças do mundo tenham um futuro melhor.

***** Ivo Michalick, 27 de setembro de 2011, Belo Horizonte - BRASIL

sábado, 10 de setembro de 2011

Ouvir x escutar

Eu acredito que vários de vocês, como eu muitas vezes, já ouviram de alguém próximo a nós durante uma conversa algo como:

“Ei, estou falando com você!”

Aí a gente responde com algo como:

“Ué, eu estou te ouvindo, você acabou de falar isto, isto e mais isto.”

No que o outro responde mais ou menos assim, num tom meio aborrecido:

“Você está me ouvindo, mas não está me escutando!”

E o outro está certo na maioria das vezes! Estamos dividindo nossa atenção entre a fala do interlocutor e alguma outra atividade (como um trem de pensamento), e isto passa para o outro a impressão de que não estamos lhe dando atenção. E não adianta, mesmo que a gente ache que consegue manter os dois processos ativos ao mesmo tempo (ouvir o outro e o que mais estivermos fazendo ou pensando, desde que este segundo processo exija esforço mental), isto simplesmente não é possível e vai haver algum tipo de perda. Além da perda de informação, pode haver uma perda no relacionamento com o outro, que tende a  ficar com a impressão de que não lhe damos importância.

Portanto aqui vai um conselho: quando alguém lhe procurar para conversar, dependendo da sua disponibilidade, adote uma das seguintes posturas (em ambos os casos responda olhando nos olhos do seu intelocutor):

1.  Caso esteja sem disponibilidade de tempo agora, recuse, explique o motivo e sugira ter a conversa mais tarde.

2. Caso tenha disponibilidade, coloque-se totalmente à disposição da conversa que irá ocorrer, e pratique a escuta ativa . De maneira resumida, seguem os pontos principais para a prática da escuta ativa, retirados de um dos meus cursos:

a. Olhe atentamente para o outro.
b. Balance a cabeça com freqüência, confirmando que está entendendo.
c. Não interrompa o outro.
d. Incentive o outro a continuar caso ele demonstre insegurança.
e. Faça perguntas pertinentes, dando preferência a perguntas abertas (que NÃO  podem ser respondidas com SIM ou NÃO).
f. De tempos em tempos resuma o que ouviu, de forma a validar o seu entendimento.

É difícil? Provavelmente sim (para mim era demais, e ainda não é nada fácil!). Mas os ganhos compensam, e trata-se de uma habilidade interpessoal importante e que, como todas as outras, melhora com a prática!

***** Ivo Michalick, 10 de setembro de 2011, Belo Horizonte - BRASIL

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Eu no Youtube, e mais sobre carreira, GP e PMI

Pessoal,


Segue link para entrevista gravada comigo no 14o. Seminário de GP do IETEC ( onde dou aula e coordeno cursos na área) em julho passado aqui em BH:






Quer tomar uma dose de humildade? Procure se assistir falando em público. No meu caso não gostei: boca torta, piscando demais, sem saber para onde olhar... E olha que já melhorei muito!


Completando a parte final, onde falo sobre PMI: em outubro (depois do congresso do PMI-MG em Belo Horizonte em 19 e 20 de setembro) eu volto a Dallas, Texas, cidade que adoro e na qual vivi e trabalhei de 1998 a 2001, para uma verdadeira "maratona PMI", confiram:


17 a 19 de outubro: vou participar do primeiro encontro presencial da turma 2012 do LIMC. LIMC = Leadership Institute Master Class, um programa de capacitação de líderes que o próprio PMI define como:


A journey of self-discovery and leadership development.” (Uau!)


Ontem participei de uma fonoconferência de preparação e devo dizer que estou super animado, somos 32 alunos na turma, de países como Croácia, Argentina, Espanha, Estados Unidos, Canadá, Índia, México, China, Polônia, França e Jamaica. Sou voluntário do PMI desde 2005 e esta é a maior oportunidade de capacitação pessoal e profissional que me foi colocada desde a conclusão do meu mestrado no distante ano de 1992.


Você é voluntário do PMI e quer saber mais sobre esta experiência? Confira esta entrevista do colega Luis Augusto dos Santos sobre a sua seleção para a turma de 2010, na época em que ele era Presidente do PMI-SP (capítulo de São Paulo).


20 a 22 de outubro: vou participar do LIM North America. LIM = Leadership Institute Meeting, um programa de capacitação e desenvolvimento de líderes que atuam como voluntários junto ao PMI. Será o meu sexto LIM, já participei de edições do evento em Santiago (Chile), Cancun (México), São Paulo (Brasil), Milão (Itália) e Florianópolis (Santa Catarina). E já estou me programando para um outro LIM em março do ano que vem, em Buenos Aires!


De todas as minhas atividades junto ao PMI acho que a participação em LIMs é uma das que mais me trazem retorno, através dela conheci colegas do mundo inteiro e esta rede já me ajudou em mais de uma ocasião.


22 a 25 de outubro: vou participar do meu primeiro Global Congress North America. Este é simplesmente o MAIOR evento de GP no Mundo, a abertura ano passado foi com Bill Clinton e o evento teve mais de 3.500 participantes. E este ano a abertura será com um dos meus autores preferidos, Malcolm Gladwell, que já andei recomendando por aqui em outros posts, como este.


Vou ainda arrumar um tempo para fazer uma visita à UTD. Eles possuem um programa de gerenciamento de projetos bem interessante que eu quero muito conhecer com vistas a possíveis futuros projetos. E claro, vou separar um tempo para me divertir um pouco numa cidade que adoro!


Legal, não? Só que tudo isto tem um custo, em especial de dedicação de tempo pessoal, e precisa estar devidamente planejado (olha eu falando de PEP de novo...). Eu estou desde maio do ano passado numa espécie de "sabático parcial" do qual já saíram vários projetos pessoais e profissionais, alguns já pagando as contas de hoje, e outros que se derem certo vão me deixar a vida bem mais tranquila a partir do ano que vem. E uma coisa não tem preço: trabalhando em casa a maior parte do tempo eu acompanho de perto os primeiros anos de vida da Bianca, minha primeira e única filha. E isto, como diz aquele comercial de uma famosa bandeira de cartão de crédito, "não tem preço"!


E como falei muito do Texas, termino com uma recomendação musical de um músico texano que adoro:






Lyle Lovett: "That's Right (You're Not From Texas)"



***** Ivo Michalick, 23 de agosto de 2011, Belo Horizonte - BRASIL

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Para nos fazer pensar




“Our economy has reached a logical conclusion. The race to make average stuff for average people in huge quantities is almost over. We´re hitting an asymptote, a natural ceiling for how cheaply and how fast we can deliver uninspired work.

Becoming more average, more quick, and more cheap is not as productive as it used to be.

Manufacturing a box that can play music went from $10,000 for a beautiful Edison Victrola to $2,000 for a home stereo to $300 for a Walkman to $200 for an iPod to $9 for an MP3 memory stick. Improvements in price are now so small they´re hardly worth making.

Shipping an idea went from taking a month by boat to a few days by plane to overnight by Federal Express to a few minutes by fax to a moment by e-mail to instantaneous by Twitter. Now what? Will it arrive yesterday?

So, what´s left is to make – to give – art. What´s left is the generosity and humanity worth paying for. What´s left is to take that resistance (the very same resistance we embraced and rewarded for decades) and destroy it.”

Para quem busca um texto claro e conciso sobre o que está acontecendo com o Mundo acho que este é um exemplo excepcional. O problema (ou princípio da solução) são as conclusões às quais ele nos leva, como por exemplo sobre nossos atuais sistemas educacionais e os efeitos destes sobre os nossos filhos, bem como a forma como nossas organizações estruturam os processos de trabalho...

Eu recomendo “Linchpin”, para mim é um livro que está na mesma classe de “Pensando Diferente”, de Humberto Mariotti (meu preferido no meu “Top 10 Literário de 2010”) e “Drive”, de Daniel Pink (minha melhor leitura em 2011 até agora). Ah, e tem tradução em português


Daniel Pink também faz uma analogia interessante com assíntotas, confiram detalhes aqui.

***** Ivo Michalick, 11 de agosto de 2011, Belo Horizonte - BRASIL

sexta-feira, 22 de julho de 2011

PMP para veteranos

Em função do anúncio feito pelo PMI das mudanças que o exame PMP irá sofrer a partir de 31-ago próximo, nos últimos dias alguns colegas tem me perguntado como devem proceder para obter a certificação antes das mudanças. No caso de colegas mais veteranos a minha resposta padrão segue abaixo, passo a passo:


0. Verificação de elegibilidade: verifique se você atende os requisitos de experiência (4500 horas de experiência em atividades de liderança e direção de projetos distribuídas por 36 meses nos últimos 8 anos) e educação em GP (vale qualquer curso ou cursos, feitos por você em qualquer época da sua vida, que somem no mínimo 35 horas de treinamento focado em áreas de conhecimento de GP).

1. Se filiar ao PMI e opcionalmente a algum capítulo brasileiro (de preferência o PMI-MG, do qual sou o atual Presidente!). Custa U$129, mais U$20 do capítulo. Isto irá te dar desconto na inscrição para a prova (sai por U$405 ao invés de U$555) e todos os benefícios da filiação, como por exemplo acesso a versão PDF de todos os padrões do PMI, incluindo o Guia PMBOK.

2. Baixar o Guia PMBOK na área de membros do portal do PMI e fazer uma leitura crítica, começando pelo glossário (muito importante!).

3. Realizar o processo de inscrição para o exame. Se você não for selecionado para auditoria isto deve levar cerca de duas semanas. Se for auditado adicione mais umas quatro semanas.

4. Agendar a prova, que é aplicada online no Brasil em centros Prometric.

5. Comprar e estudar o livro da Rita Mulcahy. No total ele tem cerca de 400 questões simuladas.

6. Fazer pelo menos um simulado completo de 200 questões no mesmo horário em que agendou o exame, até 10 dias antes da data marcada. O ideal é buscar um simulado confiável e que não repita as questões do livro da Rita.

7. Caso se sinta confortável com o resultado, vá em frente e faça a prova. Recomendo um dia antes dar uma nova lida no glossário e capítulos 1 a 3 do Guia PMBOK. Caso não se sinta confortável reagende a prova mais para a frente (até uma semana antes não tem custo por reagendamento) e faça uma revisão nos estudos. Caso reagende para depois de 30-ago se prepare para uma possível revisão em função das mudanças no exame.

8. Caso não seja aprovado, pegue seu "score report" para identificar as  áreas em que precisa estudo adicional, faça um plano de ação e já reagende um novo exame. Como você se filiou no passo 1 isto vai te custar U$275, ao invés de U$375 para não-filiados. Você pode fazer até duas tentativas dentro do ano em que se inscreveu.

Sobre a data do seu exame, compartilhe com o menor grupo de pessoas possível, isto é assunto pessoal e privado de alta prioridade. Deixe para tornar a coisa pública depois que tiver sido aprovado, a melhor pressão neste tipo de projeto é a que colocamos sobre nós mesmos (por isto a recomendação de agendamento do exame logo no item 4).

Agora, caso você não tenha disciplina para estudar por conta própria, avalie a possibilidade de fazer um curso preparatório, mas o investimento (principalmente em tempo, as durações começam a partir de 40h de aula) é alto!

Quando for fazer a prova procure recitar este "mantra do PMP", de minha autoria, que deve te ajudar a entrar no "estado mental" ideal para fazer a prova:

Eu sou gerente de projetos em uma grande organização com estrutura matricial forte. Eu gerencio projetos internos e alinhados com nosso planejamento estratégico. Eu e minha equipe somos totalmente dedicados ao projeto, que gerencio com base em uma metodologia interna de GP aderente ao Guia PMBOK. Nós gerenciamos projetos com base em padrões éticos universais, e em caso de conflitos entre partes interessadas eu priorizo os interesses do cliente. Parte do meu projeto foi terceirizada, e para esta parte eu utilizo um sistema de controle de mudanças contratuais. Busco ser sempre proativo nas situações de conflito indesejável (afinal um mínimo de conflito sempre é bom em projetos), usando sempre que possível o método de confrontação. Quando esgoto minhas possibilidades de resolução de conflitos eu aciono sempre a minha gerência superior. E claro, eu ADORO gerenciar projetos!


 Está em dúvida sobre se vale a pena buscar o PMP? Leia este meu outro post e reflita antes de iniciar o projeto!


***** Ivo Michalick, 22 de julho de 2011, Belo Horizonte - BRASIL

domingo, 17 de julho de 2011

Sobre GP, carreira e PMI

Pessoal,

Para quem perdeu a matéria sobre GP, carreira e PMI no Estado de Minas deste domingo, seguem abaixo as minhas colocações feitas para o jornal.

E para quem gosta de gerenciamento de projetos, aproveito a oportunidade para divulgar o Congresso anual de GP do PMI-MG, que rá acontecer em 19 e 20 de setembro, agora de volta ao Hotel Ouro Minas em Belo Horizonte. Os keynotes serão Christian Barbosa, especialista em gestão do tempo e autor de livros como "Estou em Reunião", "Você, Dona do seu Tempo"  e "Mais Tempo, Mais Dinheiro" (em co-autoria com Gustavo Cerbasi), e ninguém menos do que Amyr Klink (que, apesar de não ser do nosso "mundo de projetos", entende "alguma coisa" sobre planejamento e riscos, dentre outros temas de nosso
interesse).


Amyr Klink

Um abraço, Ivo Michalick

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O que faz um gerente de projetos?

Ele integra as pessoas e recursos materiais envolvidos no planejamento e execução das atividades necessárias à geração dos produtos previstos para um projeto. Uma analogia possível para o gerente de projetos é o maestro de uma orquestra, em ambos os casos as equipes teriam grande dificuldade em executar suas atividades com sucesso sem a presença desta figura.


E como você começou sua carreira?

Comecei atuando como técnico, em projetos associados à minha área de formação (Ciência da Computação). Aos poucos fui assumindo maiores responsabilidades, como liderar uma pequena equipe dentro de um projeto maior, até ser convidado a gerenciar um projeto dentro deste segmento. Posteriormente consegui expandir esta atuação para projetos em áreas cujo conhecimento técnico em grande parte eu não dominava, mas nas quais minha experiência em gerenciamento de projetos foi vista como um diferencial.

Como é a formação deste profissional?

Projetos acontecem em todos os segmentos e mercados, pois é através deles que as organizações crescem e realizam suas estratégias. A atuação do gerente de um projeto costuma ser mais generalista, voltada para a organização e condução do trabalho da equipe técnica. Os conhecimentos necessários para um gerente de projetos  vem de outras áreas, em especial administração e psicologia, além de um corpo de conhecimentos especificamente voltado para a condução de projetos.

Não existe hoje uma formação em gerenciamento de projetos em nível de graduação. O que existe, e tem uma forte procura por parte de profissionais que atuam ou possuem interesse em atuar com gerenciamento de projetos, são cursos nas modalidades curta duração (variando de 8 a 80 horas) e Pós-Graduação (com carga variando de 180 a 480 horas). Estes cursos abordam as habilidades identificadas como necessárias ao profissional de gerenciamento de projetos, com enfoque teórico e prático.

De que forma o gerente de projetos deve se atualizar?

Uma possibilidade, como em qualquer área de atuação profissional, é através do intercâmbio de experiências com outros colegas.  Outra é investir em treinamento e capacitação, buscando tornar-se proficiente nas habilidades necessárias para se gerenciar projetos.

Em que contexto surge nas empresas o cargo de gerente de projetos e onde ele pode atuar?

Boa pergunta, que vou usar como gancho para buscar explicar porque o gerenciamento de projetos está tão em evidência. Sabemos que o mantém as organizações é a sua rotina de operações: uma fábrica gera produtos em suas linhas de montagem, que são vendidos para satisfazer necessidades específicas de seus clientes. Mas se uma fábrica ficar gerando sempre a mesma linha de produtos eles com o tempo se tornarão obsoletos e a fábrica provavelmente terá que fechar as suas portas! Para evitar que isto ocorra ela precisa, ao mesmo tempo que mantém a atual linha de produção, conceber novos produtos que atendam necessidades de seus clientes atuais, ou de novos clientes. Isto se faz com projetos!

Portanto, toda organização desenvolve projetos. Quando isto ocorre em  pequena escala as organizações em geral não veem a necessidade de estruturação de uma área de projetos. A partir do momento em que os projetos passam a consumir um volume significativo de recursos humanos e materiais da organização esta passa a sentir a necessidade de reconhecer formalmente o papel do gerente de projetos e demais funções de apoio ao gerenciamento de projetos. É preciso ter alguém que responda pela boa aplicação de recursos tão importantes para a empresa!

Quais habilidades deve ter este profissional?

Elas se dividem em dois grandes grupos: habilidades técnicas (também chamadas de hard skills) e habilidades comportamentais (também chamada de soft skills). No primeiro grupo temos habilidades como capacidade de organização do trabalho de equipes, elaboração e acompanhamento de planos de trabalho, gerenciamento de riscos, elaboração de orçamentos, garantia e controle da qualidade, dentre outras. No segundo grupo temos habilidades como liderança, negociação, comunicação, resolução de conflitos e motivação, dentre outras.

Qual é a demanda pelo gerente de projetos no mercado?

Como, em função de uma série de fatores econômicos e sociais, os projetos estão ganhando um espaço cada vez maior nas organizações, há hoje uma demanda muito grande no mercado, não apenas para gerentes de projetos, mas para todo um conjunto de profissionais que atuam de alguma forma no gerenciamento de projetos, como por exemplo profissionais especializados em gerenciamento de riscos, por exemplo.

Além disto, hoje são cada vez mais comuns, em especial em segmentos em que projetos possuem uma forte participação, empresas cujo objeto é a realização de projetos para clientes externos (outras empresas). Em todas estas situações há a necessidade de se buscar minimizar as chances de fracasso nos projetos através do uso de profissionais de gerenciamento de projetos experientes e devidamente capacitados.

Quais são as possibilidades de crescimento e remuneração nesta área?

São as melhores possíveis, pois o mercado é claramente comprador. E uma forma de se beneficiar disto é buscar atuar em projetos como integrante de equipes, ao mesmo tempo em que é feito um investimento em capacitação. Isto geralmente leva a uma oportunidade em gerenciamento de projetos na própria organização em que o profissional atua, ou em uma organização similar.

Qual o papel do PMI na capacitação e valorização desse profissional no cenário?

O PMI (Project Management Institute) é uma ONG fundada em 1969 nos Estados Unidos por cinco profissionais de gerenciamento de projetos em busca de uma forma de compartilhar experiências e melhores práticas. Hoje o PMI conta com mais de 430.000 associados em todo o mundo, e tem como visão de longo prazo que 

"Em todo o mundo as organizações irão abraçar o gerenciamento de projetos e atribuir o seu sucesso a isto."

Para isto o PMI desenvolve uma série de trabalhos em frentes como:

  - Desenvolvimento de pesquisas e padrões que capturem melhores práticas em gerenciamento de projetos. O mais famoso de todos é o Guia PMBOK. PMBOK = Project Management Body Of Knowledge, ou Corpo de Conhecimento em Gerenciamento de Projetos, que está na sua quarta edição e conta com mais de 3.200.000 cópias em circulação.



  - Programas de certificação profissional: o PMI oferece um conjunto de diferentes certificações voltadas para profissionais de projetos. Destas a mais bem sucedida é a PMP (Project Management Professional), criada em 1984 e contando hoje com mais de 430.000 profissionais credenciados em todo o mundo.

- Publicações e programas de desenvolvimento profissional: o PMI publica regularmente através de sua editora uma série de livros voltados para diferentes áreas do gerenciamento de projetos, e mantém diversos programas de desenvolvimento profissional, com destaque para seus congressos globais. O congresso global do PMI na América do Norte é considerado o evento de gerenciamento de projetos com maior público no mundo (acima de  3500 participantes).

Além disto o PMI conta com mais de 260 filiais (chamadas capítulos), que buscam replicar e amplificar em nível local as ações da organização em nível global. Por exemplo, o capítulo de Minas Gerais mantém uma agenda regular de eventos técnicos e realiza anualmente um congresso que é considerado o maior evento de gerenciamento de projetos no estado e um dos mais importantes do país. E todo este trabalho, em nível global e local, é feito em sua grande maioria por voluntários que se identificam com a visão de longo prazo da organização.



***** Ivo Michalick, 17 de julho de 2011, Belo Horizonte - BRASIL

domingo, 26 de junho de 2011

Sobre comunicação em projetos

Neste período em que nossos projetos estão cada vez mais internacionais, complexos e multidisciplinares precisamos ficar cada vez mais atentos aos nossos instrumentos de comunicação. Seguem algumas dicas que eu havia compilado para uma das minhas há alguns meses:

1. Primeiro contato:

  a. Não mande email, tente reunião pessoal ou, no pior caso, ligue para a pessoa.
  b. Sempre busque um contato comum com a pessoa e, se encontrar algum, peça que este faça uma apresentação inicial.
  c.  Sempre abra a conversa se apresentando e se prontificando a ouvir o outro lado antes de dizer a que veio. E lembre-se, a primeira impressão é a que fica, e num contato cara a cara ela costuma se formar nos primeiros 30 segundos!
  d. Após a sua introdução, deixe a pessoa falar o quanto quiser, isto ajuda a estabelecer "rapport" . Faça perguntas para entender o contexto da área dela, e como ela se insere no projeto.

2. Demais contatos:

  a. Priorize a comunicação oral à escrita (email).

  b. Não use email para discutir resolução de problemas, ao invés disto converse/faça reuniões. Quando tiver tudo resolvido aí use o email para comunicar a solução aos envolvidos.

  c. Nos emails, copie o mínimo de pessoas possível, e evite copiar o seu chefe e o chefe da pessoa endereçada.

  d. Se a pessoa endereçada te responder copiando o chefe dela, ligue para ela para entender o motivo antes de responder copiando também o seu chefe.

 e. Quando achar inevitável enviar uma mensagem mais pesada, releia pelo menos três vezes e busque a opinião de um colega. Quando estiver relendo, imagine que se trata de uma mensagem que um colega enviou para você e observe como você se sente.


3. Todo tipo de contato:

  a. Jamais use o nome de seu chefe em vão, e menos ainda do chefe do seu chefe!

  b. Lembre-se: muitas vezes um mal entendido pode ser interpretado como uma mentira, portanto busque sempre confirmar que o receptor captou o que você quis dizer. Na dúvida, peça para ele dizer o que entendeu... E claro, nunca minta, pois realmente a mentira tem pernas curtas!

  c. Está nervoso ou com raiva por causa de uma comunicação da qual não gostou? Peça um tempo para avaliar a situação, e só responda depois de pensar/refletir bem sobre como irá reagir. Não estamos no mundo de projetos para fazer amigos (se bem que eu fiz vários!), mas inimigos gratuitos não facilitam a vida de ninguém.

  d. Separe as pessoas dos problemas, NUNCA faça críticas às pessoas, mas sim aos produtos/resultados gerados por estas, e sempre deixando claro que esta é a sua impressão, que muitas vezes pode estar equivocada.

  e. NUNCA tente convencer o outro de algo em que você mesmo não acredita.

  f. Gritar, só se o outro estiver muito longe e com dificuldades de audição. Se gritarem com você diminua ainda mais o seu tom de voz, e responda de forma cada vez mais pausada. Inconscientemente o interlocutor se sente convidado a entrar em sintonia com o seu discurso. Muitas vezes o grito é o recurso da falta de argumentação, e este tipo de reação da sua parte deixa claro que, neste diálogo do outro com você, gritar não vai resolver nada...

  g. Não tenha medo de responder que não sabe. Mas se for assunto de sua competência trate logo de buscar a resposta e dar retorno o mais rápido e preciso possível a quem te perguntou!

  h. Por outro lado, jamais responda sobre assuntos que não lhe dizem respeito. É como está no ditado popular: "Se conselho fosse bom não era dado de graça"... Ou "em boca fechada não entra mosquito"!

Não se esqueça: projetos são feitos por pessoas, portanto sempre que alguma coisa der errado em um projeto a culpa será de ALGUÉM e não de ALGO... Para reduzir as chances de falha, invista desde o início em uma boa comunicação entre todos os envolvidos no projeto, afinal toda corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco...



Bons projetos!

***** Ivo Michalick, 26 de junho de 2011, Belo Horizonte - BRASIL