201
*** Belo Horizonte, 03 de outubro de 2020 (201 dias de isolamento social e contando!)
201
*** Belo Horizonte, 03 de outubro de 2020 (201 dias de isolamento social e contando!)
Hoje, 26 de setembro, completamos por aqui 194 dias de isolamento social. Por causa do home schooling eu precisei virar analista de suporte de TI das minhas filhas, minha esposa virou professora e tutora em pelo menos 50% do tempo livre e não está nada fácil continuar este processo, mas o COVID-19 não nos dá escolha...
Na família todos passam bem, mas já tivemos colegas vitimados pelo vírus (e que felizmente se recuperaram), e infelizmente colegas que perderam parentes para esta doença traiçoeira.
Eu já estava acostumado a trabalhar em home office a maior parte do tempo, e devo confessar que me apaixonei pelo Zoom, pois nada melhor do que dar aulas, webinars e palestras direto de casa e ainda assim ter um reconhecimento positivo. Mas até eu que sempre fui um sujeito mais caseiro sinto falta do contato direto com pessoas do meu relacionamento e até com desconhecidos com os quais possa vir a desenvolver projetos ou simplesmente trocar ideias. Sinto que faço um pouco disto através deste blog e outras iniciativas, como minha newsletter e meu canal no YouTube, mas não é a mesma coisa. Tudo isto afeta nossa percepção do tempo ("Eu falei com o Ronaldo foi nesta segunda ou mês passado?") e até mesmo nossa rotina diária (minhas filhas passaram a dormir por volta de 23h30/meia-noite, no mesmo horário que eu).
Tudo isto confirma que nossa percepção do tempo tem um forte componente psicológico, e por isto gostaria de recomendar a vocês um livro que li praticamente "de uma sentada". Eu havia encomendado para ver se tirava algumas ideias para o primeiro webinar da Turma 01 do Programa Melhore!". O livro é "Dá um Tempo", de Izabella Camargo.
A autora, enquanto pesquisava e escrevia o livro, teve uma síndrome de burnout que a deixou no hospital por cerca de duas semanas em 2018. Na volta foi demitida da Rede Globo sem justa causa, terminou o livro e em abril criou um canal no YouTube com o mesmo nome do livro. No canal estão disponíveis, dentre outros, vários vídeos em que ela conversa com pessoas interessantes que entrevistou para o livro. Um livro ao mesmo tempo leve e que nos faz pensar, portanto recomendo!
Para terminar, uma citação de um dos meus filósofos preferidos:
“Tenho o costume de ficar admirado, quando vejo alguns que solicitam o tempo alheio e o rogado que se mostra generoso. Ambos encaram o objeto da petição, mas nenhum deles vê o tempo em si. Um pede como se fosse algo de ninharia e como tal é-lhe concedido.
Estão brincando com a coisa mais preciosa do mundo.
O engano advém do fato que o tempo é algo de incorporaI, que não impressiona os olhos e por isso é tido qual coisa desprezível, ou melhor, de valor nulo.”
(Sêneca, filósofo estoico romano (Corduba, ca. 4 a.C. — Roma, 65), em seu livro “A Brevidade da Vida”)
*** Belo Horizonte, 26 de setembro de 2020 (194 dias de isolamento social e contando!)
Nesta madrugada a Mina nos deixou depois de quase 18 anos de amor e companheirismo. Foi nossa "filha" única por quase 7 anos, e depois teve que dividir a casa com vários "irmãos", " irmãs" e até "netas" (a Pops, que resgatamos em março aqui na nossa rua, bem no início da pandemia), humanos e felinos. Nesta foto aí embaixo ela havia acabado de ser castrada, é de meados de 2003. Quando tratei meu câncer de 2015 a 2019 e ficava na cama ela sempre vinha deitar do meu lado ou de preferência como na foto, em cima da minha barriga.
Descobri através dela como gatos são seres especiais, tanto é que depois dela chegar em 2002 (quando ainda morávamos em Manaus) já tivemos outros quatro. Foram provavelmente milhares de longas conversas sem palavras e aprendi MUITO com ela. Tenho certeza de que sou uma pessoa melhor por causa da Mina. Obrigado minha amiga, estou triste mas ao mesmo tempo feliz pelo privilégio de tantos anos de convivência com um ser tão especial...
*** Belo Horizonte, 21 de setembro de 2020 (189 dias de isolamento social e contando!)
Trecho extraído de Conceito de pensamento complexo
"A noção de pensamento complexo foi assim denominada pelo filósofo francês Edgar Morin e refere-se à capacidade de interligar diferentes dimensões do real.
Perante a emergência de acontecimentos ou de objetos multidimensionais, interativos e com componentes aleatórios, a pessoa vê-se obrigada a desenvolver uma estratégia de pensamento que não seja redutora nem totalizante, mas reflexiva.
Morin chamou essa capacidade de pensamento complexo.
Este conceito opõe-se à divisão disciplinar e promove uma abordagem transdisciplinar e holística, mas sem abandonar a noção das partes constituintes do todo."
Para mim uma das coisas mais práticas e aplicáveis do pensamento complexo, que uso na vida, no trabalho e até nas minhas aulas de gerenciamento de projetos, são os Operadores Cognitivos do Pensamento Complexo:
1. CIRCULARIDADE: “Os efeitos retroagem sobre as causas e as realimentam.”
2.AUTOPRODUÇÃO: “Os seres vivos produzem, eles próprios, os elementos que os constituem e se auto-organizam por meio desse processo.”
3. O OPERADOR DIALÓGICO: “Há contradições que não podem ser resolvidas. Isso significa que existem opostos que são ao mesmo tempo antagônicos e complementares.”
4. O OPERADOR HOLOGRAMÁTICO: “As partes estão no todo, mas o todo também está nas partes.”
5.INTERAÇÃO SUJEITO-OBJETO: “O observador faz parte daquilo que observa.”
6. ECOLOGIA DA AÇÃO: “As ações com frequência escapam ao controle de seus autores e produzem efeitos inesperados e às vezes até opostos aos esperados.”
Um motor de carro de Fórmula 1 é complicado, a cabeça de uma criança de 7 anos é complexa. Com muito estudo e dedicação eu consigo entender e fazer ajustes no primeiro com praticamente 100% de precisão, mas isto é impossível num sistema complexo como a cabeça de uma criança (ou de qualquer outro ser humano).
*** Belo Horizonte, 16 de agosto de 2020 (153 dias de isolamento social e contando!)
Psicologia Positiva é um ramo recente da psicologia que se dedica ao estudo da “vida boa” (do grego eudaimonia, muitas vezes traduzido como felicidade ou bem estar).
O ramo foi criado em 1998 pelo psicólogo americano Martin Seligman, quando este o escolheu como tema para seu mandato como presidente da American Psychological Association.
Seligman consolida em seu livro “Flourish” (2011) o modelo PERMA, acrônimo que representa os cinco elementos de sua teoria para uma vida boa:
Uso MUITO este modelo, tanto para mim quanto com meu clientes de coaching. No caso da "Positive Emotion" // "Emoção Positiva" eu reitero bastante a importância da "Razão Áurea" // "Positivity Ratio", proposta pela psicóloga americana Barbara Fredrickson em seu livro "Positivity: Top-Notch Research Reveals the 3-to-1 Ratio That Will Change Your Life", de 2009.
O 3 a 1 do título significa que nós devemos sentir três emoções positivas para compensar cada emoção negativa para podermos nos sentir "bem" ("to thrive", em inglês). Desde o lançamento do livro a razão sempre foi questionada em termos quantitativos, mas é óbvio que o que nos acontece de ruim nos impacta mais do que o que nos acontece de bom, faz parte da nossa natureza e instinto de sobrevivência. E como podemos usar isto em nosso favor? Uma sugestão que dou aos meus clientes é manter um "diário de coisas boas", onde anotam tudo de bom que acontece em suas vidas. Aí, sempre que estiverem se sentindo "para baixo", leem partes do diário, o que de certa forma traz de volta as emoções positivas ali registradas e ajuda a restabelecer o equilíbrio emocional.
Conceito popularizado no mundo ocidental pelo médico americano Jon Kabat-Zinn, em seu livro “Wherever You Go, There You Are: Mindfulness Meditation in Everyday Life” (1994).
Ele estudou sobre o tema e passou a usar técnicas de mindfulness com seus pacientes, e obteve resultados fantásticos.Este livro de certa forma me fez deixar de lado o preconceito que tinha contra meditação, pois sempre tive ressalvas ao componente religioso que em geral era associado ao processo.
Minha visão pessoal: mindfulness significa atenção plena e total no momento presente, vai muito além da prática da meditação e pode ser praticada a qualquer momento e de diversas formas.
Provocação: você está presente de verdade aqui e agora? Está focado no que leu até aqui? Se não, volte ao início e procure ler desta forma, isto já é uma prática de mindfulness.
Lembre-se, do passado só podemos tirar lições aprendidas e lembranças, e nosso futuro depende de nossas ações aqui e agora!
Vídeo comigo falando sobre mindfulness em 2017
*** Belo Horizonte, 13 de agosto de 2020 (150 dias de isolamento social e contando!)
Nestes tempos de crise econômica e sanitária, e agravado para muitos de nós pelo isolamento social, que parece ter misturado nossos domínios pessoal e profissional em um só (na verdade os dois, e outros que compõem a nossa vida, sempre foram interligados, mas isto é assunto para uma outra postagem, BEM mais longa), os sentimos cada vez mais preocupados o longo do dia, sendo bombardeados por mensagens de alerta do nosso cérebro e por demandas de outras pessoas que nos deixam com a sensação de que não vamos conseguir fazer tudo o que precisamos ao longo do dia. Ás vezes é pior, pois muitas vezes chegamos ao fim do dia e só então nos lembramos de algo MUITO importante que precisávamos ter feito mas simplesmente nos esquecemos...
Fazer um mini texto sobre gestão do tempo pessoal é um desafio, portanto resolvi compilar aqui uma série de dicas, como fiz há algumas semanas sobre o trabalho em casa em tempos de isolamento social:
1. Se você é chefe ou líder de equipe, avalie que partes do seu trabalho podem ser delegadas para pessoas da sua equipe (sem sobrecarregá-las) ou para uma nova pessoa (um secretário, ou mesmo estagiário). Minha experiência com clientes de coaching nesta posição mostra que eles podem fazer isto com cerca de 30% do trabalho sob sua responsabilidade.
2. Ainda se for chefe ou líder de equipe, pense MUITO antes de agendar uma reunião. Só porque é virtual não significa que não irá ocupar o tempo das pessoas.
3. Se aceitou participar de uma reunião, nada de levar notebook (a não ser que esteja fazendo a ata), deixe o celular no silencioso e principalmente preste atenção (veja a dica seguinte).
4. Nosso cérebro não consegue focar em mais de uma coisa ao mesmo tempo, portanto procure fazer uma coisa de cada vez e não várias ao mesmo tempo (evite o "multitasking").
5. Ao longo do dia, crie uma rotina de beber água, ir ao banheiro e caminhar um pouco, prestando atenção na respiração, nem que seja dentro de casa. Uma espécie de recarga mental.
6. Nosso cérebro, quando se trata de coisas a serem feitas por nós, tem dificuldades em priorizar, e nos manda com a mesma prioridade mensagens como "hoje você precisa entregar o relatório de fechamento do mês para a Diretoria" e "eu preciso agendar o meu checkup anual com o meu médico, acho que já tem quase um ano desde que estive por lá". Note que ambas iniciativas possuem urgência e importância distintas, mas nosso cérebro fica o tempo todo nos mandando mensagens sobre elas. O que fazer? Seguir pelo menos um pouco do que propõe David Allen, meu guru de gestão do tempo, no seu método GTD (Getting Things Done), descrito em livro do mesmo nome (em português o nome é "A Arte de Fazer Acontecer"): coloque suas iniciativas num sistema confiável, e que no meu caso gera alertas e me permite definir prioridades. Para isto minha principal ferramenta é o Evernote.
Ricardo Vargas, outro colega que usa o método GTD, fez uma série de três podcasts de cinco minutos sobre o método, o primeiro pode ser conferido aqui:
Entendendo o GTD - Parte 1 de 3, por Ricardo Vargas
7. Adote o costume de conferir as notícias e redes sociais como uma frequência e/ou horário definidos. Se algo MUITO urgente e importante acontecer neste intervalo pode ter certeza que alguém vai te contar.
8. Saiba dizer não.
E paro por aqui, senão vou ficar com vergonha de chamar este texto de mini...
*** Belo Horizonte, 12 de agosto de 2020 (149 dias de isolamento social e contando!)